O Passeio, de Pablo Lugones

Passeando A Vida

Eu e o Francisco temos uma queda forte por histórias de avô. Por vezes a gente se emociona pra valer, morre de chorar, se abraça, relembra do Vô Napoleão. E através dessas leituras canalizamos uma saudade que não dá trégua, mas que também faz a gente crescer.

“O Passeio” mexeu demais com a gente. Traz a história de uma garota e seu pai. Ela aprende a andar de bicicleta com ele, e juntos, começam um longo passeio. O passeio é a vida, e a metáfora emociona página a página: há momentos em que o pai toma a dianteira, em outros a distância entre eles aumenta…também há aqueles em que é preciso seguir solo. Há silêncios – respiros que as ilustrações de Alexandre Rampazo dão ao delicado texto de Pablo Lugones. É o primeiro livro dele, editor da Gato Leitor.

Pai e filha passeiam, o tempo voa, anoitece. E “nem sempre se está preparado. De uma hora para outra, tudo pode mudar”: o pai não está mais ali, bicicleta vazia. Quando o coração aperta, quando vem mais uma vez o silêncio…vem também uma deliciosa continuidade, uma surpresa. O final é pura esperança e traz a certeza de que a aventura desse passeio deve sempre continuar. Com vento no rosto, distâncias necessárias e novas descobertas.

Quando terminamos a leitura por aqui, aos prantos (tenho um menino altamente sensível, gente!), o Fran pediu pra ler de novo. A gente leu abraçado, e a segunda vez foi meio rindo, meio engasgado: é lindo quando um livro fala com a gente tão de perto, valida nossos (às vezes tão confusos) sentimentos. “O Passeio” vai passear pela família. E voltar pra mesa de cabeceira, pra ser lido, relido, sempre passeado. <3

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O Grúfalo, de Julia Donaldson e Axel Scheffler

vini e o grúfalo

Grúfalo para grandes e pequenos

Sabe o que mais me pedem por aqui? Dica de livros para curtir com bebês. Já faz um tempo, aliás – por isso já fiz alguns especiais sobre o assunto lá no blog. E acho isso bem legal: quer dizer que tem muita mãe e pai percebendo os benefícios – e as delícias, principalmente! – de se ler com os pequenininhos.

Pois “O Grúfalo” (editora Brinque-Book) é um daqueles clássicos necessários-essenciais-imprescindíveis na biblioteca de qualquer criança. Seja bebê, seja maior. É um livro que dá pra realmente curtir com todas as idades – aqui em casa ele há muito tempo diverte o Francisco (hoje com 7 anos) e é o livro da vez do Vinícius (com 1 ano e 4 meses).

o grúfalo

 

A história é uma graça: um ratinho muito do astuto inventa um ser terrível – o grúfalo – para fugir de seus predadores. Problema é que ele não imagina que o grúfalo existe de fato – e quando se depara com o dito cujo arranja uma forma ainda mais criativa de fugir dali!

É um livro relativamente longo para ler com um bebê, fato. Talvez seja o livro mais longo que o Vini me permita ler (e olha lá) com concentração e interesse. Mas tem um segredo para isso: usar e abusar de vozes diferentes para cada personagem, ler as rimas com entusiamo. Fazer um super teatro, exagerar nas reações, brincar sem medo de ser feliz (e de ser ouvida pelos vizinhos) é a minha artimanha. Funciona sempre! 🙂

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Você Conhece? #1 – TOMI UNGERER

Tem tempo que tenho vontade de dividir com vocês alguns e autores, autoras, ilustradores e ilustradoras que gosto muito – me concentrar neles e selecionar as obras imperdíveis, aquelas que por aqui curtimos muito. Nada melhor que começar logo pelo preferido: Tomi Ungerer.

Prazer, Ungerer! (foto do Google)

Nascido em 1931, na Alsácia, França, e autor de mais de 140 livros – entre eles livros de sátira, livros reportagem, livros eróticos e claro, infantis – Ungerer é um cara um tanto polêmico. Livros como “No Kiss For Mother” e “Otto” (ambos sem tradução para o português) já geraram algum desconforto – nos Estados Unidos, por exemplo, sua obra foi proibida e só recentemente reeditada, pela Phaidon. Mas os livros de Ungerer são fantásticos, instigantes, altamente criativos – mexem com a nossa imaginação, fazem rir, refletir e pedir por mais.

Nessa seleção (altamente difícil, que fique claro) escolhi (escolhemos – eu e Francisco!) 5 livros indispensáveis do autor, todos traduzidos para o português. Dá o play que a seleção tá maneira!

1.OS TRÊS LADRÕES

a relatividade do bem e do mal

De todos os livros infantis de Tomi Ungerer, talvez seja esse o mais conhecido. E olha, é muito a cara de Ungerer fazer de três ladrões os heróis de um conto infantil. Pois eram três ladrões terríveis, temidos por todos. Levavam embora tudo que encontrassem: ouro, jóias, pedras preciosas. Numa noite, no entanto, não encontraram na carruagem abordada nada além de uma passageira. Acabam levando ela para casa e…bem, só lendo o livro. Uma obra incrível sobre o quanto o bem e o mal são fortemente ligados um ao outro – e como são relativos! Da Gaudí Editorial.

2.TREMOLO

notas musicais saborosas

Tortoni Tremolo era um músico que adorava praticar, dia e noite. Quem não curtia muito eram seus vizinhos. Um dia ele quebra a bola de cristal de uma vidente vizinha (pensa no barulho!) e é amaldiçoado. Por conta da maldição, a notas musicais de seus instrumentos começam a sair como azeitonas – entupindo-os, se espalhando pelo chão e causando enormes confusões! Uma história que segue por caminhos totalmente inesperados e que termina num final divertidíssimo, o preferido (sim!) aqui em casa! Publicado nos anos 90, Tremolo foi traduzido por ninguém mais ninguém menos que Tatiana Belinky – e a edição saiu pela Global Editora.

3.HOMEM-LUA

o homem que só queria dançar

Lá em cima, dentro da lua, vive um homem “apertadinho dentro de sua morada cor de prata” – é o Homem-LuaSozinho, ele sente inveja dos humanos que moram na Terra e se divertem, livres: seu sonho é dançar como eles! Um dia toma coragem, agarra a cauda de um cometa e vem parar aqui – causando uma enorme cratera e enorme confusão! O coitado, que só queria dançar, acaba preso, confundido com um possível invasor. Mas rá, a lua tem suas fases, e o Homem-Lua também! Quando entra no seu quarto minguante ele escapa sorrateiro pelas grades da cela e foge, livre. Vai parar numa festa à fantasia, onde incógnito, dança feliz como nunca! E depois, satisfeito, ainda encontra um jeito maluco de voltar para sua casa…

Na foto, duas edições do livro: a americana, Phaidon e a nacional, da Martins Fontes – olha a diferença! Muito da beleza dos livros de Ungerer estão nas suas ilustrações, que nada combinam com uma edição tão pequenininha como a nacional. Ainda por cima é brochura, papel brilhante…enfim, uma pena. Mas vale pela história, ah se vale!

 4.CRÍTCTOR, A SERPENTE BOAZINHA

a serpente amiga

“Críctor – A Serpente Boazinha” traz a história da Senhora Bodot e seu réptil de estimação. O bicho, presente de seu filho biólogo, é cuidado com mamadeiras, casacos de lã e cama quentinha. Frequenta a escola com a Senhora Bodot (que é professora), aprende a escrever letras do alfabeto com o próprio corpo…e em um assalto se torna a grande heroína da cidade! A edição nacional é da WMF Martins Fontes.

5.ADELAIDE, A CANGURU VOADORA

canguru de asas

“Adelaide” (o nosso é “Adelaida” porque é em espanhol) é outro animal simpático demais, assim como Críctor. É uma canguru que nasceu com asas e muito cedo resolve voar longe. Depois de viajar o mundo acompanhando um amigo piloto, resolve ficar em Paris, onde vira estrela de teatro…e também uma grande heroína! Esse livro acaba de ser lançado por aqui (com capa dura, edição bonitona!) pela Aletria Editora.

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