Os Três Ladrões, de Tomi Ungerer

Clássico maior de Ungerer.

Clássico Maior

De todos os livros infantis de Tomi Ungerer, talvez seja “Os Três Ladrões” (1963) o mais conhecido. É engraçado, porque ele não traz as maluquices e reviravoltas da maior parte das histórias do autor. Mas é um livro delicioso!

A verdade é que é muito a cara de Ungerer fazer de três ladrões os heróis de um conto infantil. E escolher para os meliantes armas como bacamarte, machado e spray de pimenta também. Pois os três ladrões eram terríveis, temidos por todos – jogavam pimenta nos olhos dos cavalos, quebravam as rodas das carruagens, apavoravam as pessoas. Levavam embora tudo que encontrassem: ouro, jóias, pedras preciosas. Numa noite, no entanto, não encontraram na carruagem abordada nada além de uma passageira. Uma menina órfã que era levada para a casa de sua tia malvada, e que se encantou com os três ladrões! Eles a levam embora, e no esconderijo a pequena Mariana (é esse o nome dela na edição brasileira) não entende o porquê daquele tesouro todo. Os ladrões, que nunca haviam pensado em gastar a fortuna, param para pensar, assustados.

Os ladões e o tesouro.

Os três têm então uma linda ideia de como gastar aquele dinheiro – e o livro termina leve, feliz, com lição de moral e tudo. O próprio Ungerer admite que foi influenciado nessa história pelas fábulas de Esopo e de La Fontaine que lia na infância. Aqui, a ideia foi mostrar o quanto o bem e o mal são fortemente ligados um ao outro – e como são relativos! 💎

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Otto: The Autobiography of a Teddy Bear, de Tomi Ungerer

Outro livro ~polêmico~ de Tomi Ungerer é esse aqui: “Otto – The Autobiography of a Teddy Bear”. Traz a autobiografia de um urso de pelúcia – mas uma autobiografia repleta de emoções, alegrias e…tristezas. Ungerer toca aqui em assuntos delicados: a violência, a guerra, o holocausto.


Otto começa lembrando que quando nasceu, numa oficina alemã. Foi logo dado de presente para um menino chamado David, que o levava para todo lado. David era judeu, em plena Alemanha nazista, e um dia é levado com sua família por soldados. Na despedida, entrega o urso a seu melhor amigo, Osmar. Mas no caos da guerra, Otto é jogado longe em um bombardeio. É um soldado americano quem o resgata, e Otto acaba sendo baleado junto com ele – vira quase um herói de guerra, mascote do exército americano. A saga segue, Otto sofre outras alegrias, novas violências…mas o desfecho de sua história é repleto de surpresa e ternura.

Gosto muito desse livro – também tem um pouco das memórias do autor, que vivenciou a guerra ainda pequeno, na Alsácia, região da França onde nasceu e cresceu. É um livro forte, um tanto chocante, mas também delicado. As ilustrações são incríveis (deslize para ver mais) – repletas de cor, detalhes, expressões. Esse é outro livro ainda sem tradução no Brasil – em inglês é editado pela Phaidon.

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No Kiss For Mother, de Tomi Ungerer

Polêmico Ungerer

Em novembro agora um dos autores e ilustradores que mais me fascinam completa 86 anos: Tomi Ungerer. Tô preparando um especial bem bacana sobre ele lá no youtube (de onde ando sumida, eu sei), e me batendo para escolher os melhores livros para dividir com vocês! 😅

Ungerer é um cara altamente polêmico. Tem uma obra enorme, mais de 140 livros publicados. Entre eles livros de sátira, livros eróticos (“Fornicon” é impagável!) e claro, livros infantis. E mesmo no meio de seus livros para crianças há alguma polêmica: há quem o considere bruto, tosco, rude demais. “No Kiss For Mother” (de 1974) é um livro que já foi proibido, rechaçado e – ufa! – reeditado pela maravilhosa Phaidon, de Nova York.


O livro traz a história de um gatinho muito do arteiro (MESMO: ele é grosseiro com a mãe, briguento na escola e a certa hora ainda bebe e fuma escondido no banheiro – pois é) que não suporta os beijos da mãe. A mãe, Mrs. Paw, não se conforma com o comportamento do filho, o pai tampouco (inclusive lhe dá umas surras), mas é absolutamente impossível não se divertir com o pequeno Piper e com a forma com a qual a história é conduzida. As ilustrações são a lápis, e sim, há violência, cigarros e muito humor em boa parte delas (deslize para ver mais). O mais engraçado? O livro foi inspirado nas memórias do próprio Ungerer. Só mais uma razão para se afeiçoar a Piper e suas rebeldias! <3

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