oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 6 anos, e vinícius, ainda bebê. seja bem-vindo! Leia mais



11 fev 2016

Monstros Doentes, de Emanuelle Houdart

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Destaques, Divertidos, Para dar risada

Desde muito pequena eu curtia ler – mas os meus livros preferidos mesmo tinham uma fórmula: terror e humor. Bruxas, vampiros e monstros podiam até ser aterrorizantes, mas quando se envolviam em desastrosas aventuras e algumas confusões, pronto, ficavam muito mais próximos e divertidos. Nesse livrão (daqueles em formato grandão que a gente tanto ama!) a gente conhece monstros assustadores e de cara feia, no entanto…doentes, coitados. O ogro sofre com uma forte indigestão, o bicho-papão de enxaqueca, o gigante tem depressão e o vampiro, adivinha? Dor de dente!

"Monstros Doentes", de Emanuelle Houdart

“Monstros Doentes”, de Emanuelle Houdart

As ilustrações de Emanuelle Houdart são impressionantes: os monstros podem sim ser assustadores, mas são impecáveis, com cores incríveis, repletos de detalhes e referências cuidadosamente colocadas em cada desenho. Merecem mesmo páginas grandiosas como dessa edição, para que nada passe despercebido. Cada monstro doente vem acompanhado de um texto delicioso, cheio de ironia e bom-humor: a descrição da doença em si, seus sintomas, tratamentos possíveis e uma pequena observação ao leitor.

O pobre ogro e sua indigestão.

O ogro, por exemplo, depois de exorbitar um bocado à mesa, sofre com uma forte indigestão:

“de início, feliz por ter feito um bom banquete, o futuro doente, pousando os olhos sobre a barriga, descobre espantado que ela dobrou de volume.”

Aí é ânsia, e bem, o resto a gente já sabe…mas há divergências quanto ao tratamento:

“uns defendem o método radical de apresentar ao doente quitutes bem cheirosos, como ovos de codorna podres ou camarões em via de decomposição, acelerando assim o processo de limpeza. Outros, mais caridosos, o o farão ingerir grandes quantidades de chá de sementes de papoula e alcaçuz, o que acalmará seu estômago.”

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O gigante sofre de uma tristeza sem fim: é depressão.

Já o gigante, que sofre de depressão, tem sintomas tão humanos que dá vontade de abraçar:

“Para o doente acometido por depressão, tudo fica de pernas pro ar: o sábado se veste de domingo; a calça, encharcada de lágrimas, fica do avesso; o sapato direito aparece no pé esquerdo, e no pé direito, uma meia-furada.”

Mas ainda bem que há o tratamento, acessível e seguro:

“É preciso cobrir o doente de doces carícias e beijos, na mesma proporção das lágrimas que lhe escorrem dos olhos.” 

Publicado pelas Edições SM, um livro divertido para se dar de presente, levar alguns sustos, dar boas risadas e se divertir um bocado!

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8 fev 2016

Aula de Samba – A História do Brasil em Grandes Sambas-Enredo

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Datas Especiais (Páscoa, Natal...), Destaques, Divertidos, Posts Especiais

Divertido mesmo é aprender história e geografia e nem se dar conta – ouvindo samba-enredos que marcaram nossa música, por exemplo. O livro “Aula de Samba – A História do Brasil em Grandes Samba Enredo” é um livro legal demais idealizado por Martinho Filho, filho de Martinho da Vila – reúne 11 sambas-enredos cuidadosamente selecionados que contam a história de nosso país. É conhecer as letras, o contexto e história de como foi composto e descobrir os fatos e personagens históricos de cada um deles, em textos deliciosos de Maria Lucia Rangel e Tino Freitas, fotos da época dos sambas e  ilustrações de ninguém menos que Ziraldo. O barato é que um cd ainda acompanha o livro, com todos os sambas-enredos cantados por grandes intérpretes: Chico Buarque, Lenine, Maria Rita, entre outros.

O primeiro deles, e talvez dos mais conhecidos, é o “Exaltação a Tiradentes” – coisa linda cantada por Chico Buarque.! Escrito em 1949 por Mano Décio, o livro conta que um dia Mano sonhou que estava catando uma música – acordou e pediu que sua mulher fizesse coro com ele. “Ficou tão animado que no dia seguinte faltou ao trabalho, comprou peixe na feira e preparou o almoço” – a letra ele escreveu se guiando no livro do primeiro ano de ginasial de sua filha, e conta a história de Tiradentes, primeiro grande mártir da Independência do Brasil. Foi traído, condenado e recebeu punição severa: foi enforcado, teve seu corpo esquartejado e exposto ao longo da Estrada Real, no dia 21 de abril de 1792. Não bastasse isso,  a Coroa Portuguesa ainda queimou sua casa, confiscou seus pertences e e ainda jogou sal no terreno para que nada fosse plantado lá.

Outro samba-enredo cheio de história é o “Dia do Fico”, composto 1962 por Cabana e cantado por Paulinho Moska nesse projeto. O sambinha conta a história do dia em que Dom Pedro I declamou a famosa frase: “Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que fico!” – alguns meses depois o Brasil se tornaria independente de Portugal e teria seu primeiro imperador. Divertido é descobrir as curiosidades em torno desses momentos e das figuras: Dom Pedro I, por exemplo, tinha um nome comprido pra caramba: Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Pois é!

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Além desses, há outros sambas-enredos cheios de história e curiosidades: “Dona Beja, A Feiticeira de Araxá” conta a história de Dona Beja, mineira nascida em 1800, cheia de modernidade para a época: era mãe solteira de duas meninas, generosa, inteligente e muito influente. Já “Heróis da Liberdade” fala sobre duas liberdades: a dos negros escravizados e do fim da dependência de Portugal. Daqueles livros que são para crianças, mas agradam e encantam os adultos também, mergulho cheio de ginga na nossa história! Publicado pela Edições de Janeiro.

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4 fev 2016

A Árvore das Lembranças, de Britta Teckentrup

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Destaques, Para Conversar Sobre a Morte, Para Refletir

Eu me emociono um bocado quando leio livros infantis que tratam sobre a morte – fico impressionada com a delicadeza e a beleza com que alguns conseguem tratar de assunto tão dolorido. Já falei do quanto foram importantes para o Francisco e também para mim superar a difícil perda do meu pai – e olha, seguem sendo! Volta e meia descubro um novo livro bonito sobre o assunto, é impressionante. Acho que é a época: percebemos o quanto é importante trazer o assunto também para os pequenos, não simplesmente tentar ocultar e omitir o sofrimento. E do jeito certo, com as palavras e as mediações necessárias, conversar sobre a morte e compreendê-la pode até amenizar a dor.

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“A Árvore das Lembranças” é muito mais do que um livro sobre a morte: é um livro sobre a vida, lembranças, sobre como podemos manter vivo quem amamos em nossa memória. A história se passa em uma floresta, e começa com a morte de uma raposa – que por si só já tem uma descrição que emociona:

“Ela levara uma vida longa e feliz, mas estava ficando cansada. Bem devagar, ela foi até seu cantinho favorito na clareira. Olhou para sua adorada floresta pela última vez e se deitou. Fechou os olhos, respirou fundo e caiu no sono para sempre.”

O primeiro animal que se dá conta é a coruja – fica triste, mas sabia que tinha chegado a hora da amiga. Pouco a pouco, outros amigos começam a chegar: o esquilo, o urso, o passarinho, o veado – todos se sentam em volta dela e começam a lembrar das coisas boas que viveram juntos. A coruja lembra de quando brincavam competindo para ver quem pegava mais folhas secas, o urso lembra da vez que a raposa tomou conta de seus filhotes, o esquilo recorda da vez que ela o ajudou a desenterrar nozes que no inverno anterior haviam ficado muito fundas na neve.

Enquanto conversam, saudosos, lembrando da raposa, uma plantinha brota exatamente onde a raposa ficou – lugar agora já encoberto pela neve. A cada história contada, a cada lembrança dividida, a planta brota mais forte e bonita. A pequena árvore que cresce faz os amigos entenderem que a raposa ainda está com eles: quanto mais se lembram, menor fica a dor da saudade. No final, árvore acaba crescendo tanto, mas tanto, que vira um grande abrigo pra todos os animais – e dá força para que todos sigam vivendo, com a amiga sempre viva em seus corações. 

Um livro lindo, tocante, que nos lembra da importância de celebrarmos a vida – e também de relembrar e manter viva a memória dos que já foram. Escrito e ilustrado por Britta Teckentrup, publicado pela editora Rovelle. 😉

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