oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 6 anos, e vinícius, ainda bebê. seja bem-vindo! Leia mais



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18 jul 2016

Um Só Livro, Muitas Histórias – Livros de Contos Para Crianças

Escrito por
Clássicos, Contos de Fada, Destaques, Fábulas, Listas de Livros, Literatura Universal

Mais uma lista que surgiu de uma sugestão muito bacana que recebi lá no canal do youtube: livros de contos para curtir nas férias. Tá certo que a ideia era que saísse antes dessas férias de julho, mas não deu tempo – de qualquer forma, tá aí! Listinha feita no capricho, seis livros muito bacanas de contos, dos clássicos aos curtinhos e cheios de humor! Pra ver (e ouvir!) mais sobre cada um deles, já sabe: tá tudo lá no canal. 😉

1.BICHOS QUE EXISTEM E BICHOS QUE NÃO EXISTEM

Que delícia finalmente colocar esse livro numa listinha – é daqueles preferidos do Francisco, daqueles que já lemos muitas e muitas vezes. Curtinho, mas repleto de histórias interessantes, traz uma seleção divertida de bichos que existem e de bichos que não existem, exatamente como diz o título. O legal é que a forma como os bichos são apresentadas, bem-humoradas, deixa aquela pulguinha atrás da orelha: pera, mas isso existe mesmo? E esse aqui, será que não existe não? Como diz o autor, o músico Arthur Nestrovski, “todos os bichos existem: nas palavras dos livros e na cabeça da gente”. O cavalo marinho, a fênix, o vírus, o cão dos infernos. Divertido de ler em roda, em turma, um continho por vez! Da encerrada Cosac-Naify, ainda se acha fácil por aí – e vale demais ter na biblioteca.

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2. COISAS QUE EU QUERIA SER

Também de Arthur Nestrovski e Maria Eugênia, “Coisas Que Eu Queria Ser” segue o mesmo estilo do livro anterior: mas aqui a brincadeira é com coisas, as mais variadas…coisas! E se afinal a gente visse pelo lado dos objetos? A gente muito provavelmente entenderia a dura vida da meia, que só é completa quando são duas; entenderia porque um lápis não curta ficar desapontado e até descobriria que o relógio acha é muita graça quando falamos que o tempo passa muito rápido ou devagar demais. Tem até uma coisa que não existe aqui, mas que olha, imagine só se existisse: o exterminador de chatos! Também da Cosac-Naify, é outro livrinho imperdível!

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3. O SEGREDO DO ANEL (e outros contos do bem-viver)

Se a ideia é ler e papear muito depois da leitura (e como é bom conversar sobre o que foi lido!), esse é um livro e tanto – reunião de 11 contos deliciosos de se ler em voz alta, todos da tradição oral, com importantes mensagens sobre respeito, humildade, honestidade e outros valores. Não que todos os contos venham com uma lição de moral não – mas é fácil e divertido tirar bons ensinamentos de muitos deles e até discordar de outros! Destaque especial para os desenhos coloridíssimos de Ionit Zilberman, que ilustram os contos emoldurando-os, com muitos detalhes. Muito legal! Publicado pelo selo Tordesilhinhas, da Editora Alaúde.

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4. AS 14 PÉROLAS DA MITOLOGIA GREGA

Não há adulto ou criança que conheça e não se encante pela mitologia grega! “As 14 Pérolas da Mitologia Grega” é um livro muito bacana para quem quer justamente conhecer essas histórias e mergulhar nesse fascinante mundo, repleto de contos tradicionais aqui recontados por Ilan Brenman: “conhecê-los é compreender como nossa mente funciona e visualizar a beleza da criação humana”, diz ele ao final do livro. Para conhecer Zeus, Afrodite, a sensacional história de Ícaro, da caixa de Pandora e muitas outras. Há outros 4 livros da mesma coleção, com contos clássicos judeus, budistas, indianos e da tradição sufi, todos publicados pelo selo Escarlate, da Brinque-Book.

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5. FÁBULAS DE ESOPO

As fábulas, assim como os contos da mitologia grega, são tradicionais e essenciais. Contadas e recontadas há mais de 2500 anos, são histórias atemporais, nas quais animais têm comportamentos bastante humanos e passam por situações adversas. Há diversas edições diferentes que reúnem as de Esopo, que escreveu as fábulas mais conhecidas, muitas delas completas – mas escolhi essa aqui porque gosto demais dela. É muito bonita e diferente, totalmente ilustrada pelo francês Jean-François Martin e traz as fábulas resumidas, curtinhas, com a lição muito clara no final (essa é uma características das fábulas: sempre trazem um ensinamento curto, às vezes um tanto cruel, às vezes muito bom para refletir!). As mais clássicas estão aqui: O Leão e o Rato Agradecido, A Tartaruga e A Lebre, A Cigarra e As Formigas, entre outras. A publicação é da Companhia das Letrinhas.

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6.NA TERRA DO NUNCA JAMAIS

Um dos grandes xodós da nossa biblioteca é esse livro aqui  – grandão, lindo de morrer, traz 60 contos do mundo inteiro: de clássicos àqueles um tanto desconhecidos (para nós, ao menos) e incríveis. A compilação de Linda Rode tomou tempo e exigiu estudo – é que aqui ela reúne historinhas tradicionais de lugares e origens muito distintas, como Europa, Oriente, América do Sul e África. Ao final de cada uma, um curto comentário explica sua origem e desdobramentos, e é interessante demais reconhecer como uma só história é às vezes recontada das formas mais variadas em cada lugar do planeta, adaptando-se a costumes, meios e pessoas. Todas são ilustradas por Fiona Moodie, num impecável trabalho repleto de detalhes – o resultado final não poderia ter sido mais bonito. Olha, se é pra investir em uma só reunião de contos, vale investir nessa, sem medo. É mais cara que a média (paguei em torno de 70 reais nela), mas vale demais! Da Martins Fontes.

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30 jun 2016

“O Pacto do Bosque”, de Gustavo Martin Garzo e Beatriz Martin Vidal

Escrito por
Clássicos, Destaques, Fábulas, Para Refletir

Se tem um envelope esperado em casa é o envelope pardo do Clube de Leitores A Taba, que chega com livrinho novo por aqui todo santo final do mês. Sexta passada o Francisco chegou da escola no final da tarde e o envelope esperava em cima da mesa. Abriu o pacote cheio de entusiasmo, mas pegou o livro de dento um tanto ressabiado: a capa dava “um pouco de medo”, disse ele.

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O Pacto do Bosque e sua capa misteriosa

Por conta do medo, não foi o livro novo o escolhido para nossa leitura da noite de sexta. Lemos outros –  mas no sábado de manhã, café na cama, preguiça deliciosa de um dia sem compromissos, propus então que lêssemos o livro que havia chegado no dia anterior. O Fran, já mais valente por conta da luz do dia, logo aceitou.

E aí que a história de “O Pacto do Bosque”, publicado pela Pulo do Gato, já começa linda, com um momento similar, que por aqui se repete desde que o Francisco era bebê – o que por si só já me emocionou (vale culpar os hormônios desse meu último mês de gestação, vale sim!): a mãe aconchegada às crianças contando-lhes histórias na hora de dormir.

Lambe-Lambe e Orelhinha adentram o bosque escuro

Todas as noites seus dois filhos, Paula e Gustavo,  lhe pedem a mesma história: aquela do bosque no qual lobos e coelhos eram amigos. Então ela começa: Orelhinha e Lambe-Lambe eram coelhos irmãos, e apesar das ordens expressas da mãe de não adentrarem o bosque, um dia a desobedecem. Lá dentro, o passeio inicia-se tranquilo – até darem-se conta de que estão perdidos, e com a escuridão que logo cai, vai ser difícil achar o caminho de volta.

Os dois coelhos ouvem um choro na floresta, longe – uma loba cinza, gigante, prestes a parir, queixa-se por estar cega. Tem medo de não conseguir cuidar de seus filhotes que logo vão nascer. O coelhinho menor, Lambe-lambe, tinha uma mania que lhe dava o apelido: lambia o que via pela frente. Apesar do receio, aproxima-se da loba e lambe-lhe os olhos, cuidadosamente, até retirar todo o barro acumulado – e até que a loba finalmente volte a enxergar.

Lambe-lambe e os olhos da grande loba

Quando a loba reconhece que a ajuda veio de dois pequenos coelhos, aquece-os junto à barriga e os leva na manhã seguinte para casa. É daí que um trato é selado: os lobos começam a acreditar que as salivas dos coelhos são mágicas, e por isso, naquele bosque, nunca lhe fazem mal. No final, Paula, a pequena que escuta atenta à história, pergunta à mãe:

– Mas não tinha nenhuma mágica, não é, mamãe? Lambe-Lambe só tirou o barro dos olhos da loba com sua saliva!

– Bem, querida, quem há de saber o que aconteceu? – respondeu a mãe. – Na realidade, o que curou foi o amor.

Especial é notar como as ilustrações de Beatriz Martin Vidal são mesmo sombrias, porém impressionantemente bonitas, e como comunicam-se com o texto: os pequenos coelhos são na verdade crianças fantasiadas de coelhos, e muito se parecem, na fisionomia e nos atos, com os irmãos que acompanham a história.

No final, o Fran me olhou todo orgulhoso: “não é assustador, é sobre amor!”. É bem isso: um conto lindo sobre amor, amizade e coragem. Francisco terminou a leitura feliz por ter sido valente, enfrentado a tal capa misteriosa e ter mergulhado numa história tão gostosa; e eu, emocionada pela nossa nova descoberta juntos (hormônios, gente, hormônios!). Obrigada, A Taba! 🙂

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10 mar 2016

livro: Sete Camundongos Cegos

Escrito por
Clássicos, Fábulas

Sempre gostei de fábulas: gosto do quanto apesar de serem as mais antigas histórias, são completamente atemporais e deliciosas de serem contadas em voz alta. Os bichos com sentimentos e determinações humanas, até as lições de moral do final de cada uma delas me agrada – aliás, lição de moral, vamos combinar, só combina mesmo é com fábula! As mais conhecidas são as de Esopo, também as de La Fontaine – mas há outras, muitas outras: “Sete Camundongos Cegos” é uma fábula indiana recontada pelo autor e ilustrador Ed Young – e é interessante demais!

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Na história, sete camundongos cegos um dia se assustam ao topar com algo muito grande e desconhecido – impossibilitados de ver, não conseguem descobrir o que poderia ser algo tão descomunal. Então resolvem que o melhor é ir um a um, verificar de perto – na segunda-feira, vai o vermelho; na terça, o camundongo verde; na quarta, é o amarelo quem se aventura (e assim vai!).

Mas cada um volta com uma resposta: para o primeiro, só pode ser um pilar. O segundo jura que é uma cobra. O terceiro não tem dúvida: é uma espada. Cada um volta determinado de que a tal coisa é aquilo que acredita – e começam então uma grande discussão, seis deles. Porque é o último, o sétimo camundongo, que resolve que o mais certo é analisar a impressão de cada um e olhar a coisa no todo…que no final das contas, não passa de um elefante.

Nas ilustrações, a gente vai acompanhando o que cada um realmente está sentindo (a pata, a tromba, as presas do elefante, no caso) e o que imagina – e descobre, junto com os camundongos, o grande elefante. Gosto dos desenhos coloridos em fundo preto – aliás, é legal de ler com os pequenos e descobrindo as cores (cada camundongo é de uma cor) e os dias da semana (cada um vai num dia!) em um contexto completamente diferente e divertido. E o livro, como uma boa fábula, termina com uma lição:

Moral de Camundongo: saber em parte pode dar uma história ótima, mas a sabedoria vem de conhecer o todo. 😉

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Sete Camundongos Cegos

Editora: WMF Martins Fontes, 2011

Texto e Ilustração: Ed Young