oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 7 anos, e vinícius, de 1 ano. seja bem-vindo! Leia mais



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2 fev 2016

Contos de Fadas + Desafio A Taba!

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Clássicos, Contos de Fada, Destaques, Posts Especiais

No início desse ano topei participar de um desafio divertido proposto pela Denise Guilherme, lá d’A Taba: ler, a cada mês, um livro selecionado por especialistas em literatura infantil e juvenil e debater sobre ele. A ideia é justamente conhecer um pouco mais da história desse gênero literário. O debate rola lá no site, através de comentários, e também em uma roda de leitura online, que acontece no primeiro dia de cada mês – ontem foi a primeira, e foi legal demais. Dá pra assistir aqui. 😉

desafioataba

O primeiro livro foi esse aqui embaixo, “Contos de Fadas”, da Editora Zahar. Um livrão, na verdade, com jeito de enciclopédia, absolutamente essencial para qualquer um que tenha curiosidade pelo universo da literatura infantil. São 26 contos de fadas originais dos Irmãos Grimm, de Perrault, Andersen e outros grandes autores – sem cortes, sem adaptações, acompanhados de notas (para que nada passe despercebido) e pequenos desenhos (essa foi uma das coisas que conversamos ontem: poderiam ser maiores, vai!) de diferentes ilustradores em diferentes séculos.

"Contos de Fadas - Edição Comentada e Ilustrada"

“Contos de Fadas – Edição Comentada e Ilustrada”

Foi ler o livro e me deparar com mil memórias da infância – além de ter algumas surpresas e ficar de boca aberta com o desenrolar de algumas das histórias. As muitas tentativas da madrasta de matar Branca de Neve dos irmãos Grimm, por exemplo – primeiro um cordão, depois um pente envenenado, só depois a maçã (e na verdade, não é o veneno que a ataca – ela se engasga com um naco da fruta, minha gente!). A princesa que não beija o sapo para transformá-lo em príncipe em “O Rei Sapo”, também dos Grimm – mas sim o joga com força contra a parede, cheia de raiva e nojo. As morais um tanto quanto cômicas de Perrault ao final de Cinderela, o a dor sem fim da Pequena Sereia de Andersen (e ela morre no final, pronto, contei!). Foi uma experiência incrível poder conhecer melhor cada um desses contos que permeiam nosso inconsciente e conhecer melhor seu contextos históricos (tão importantes para compreender cada um). 

"Branca de Neve" dos Grimm foi um dos meus preferidos!

“Branca de Neve” dos Grimm foi um dos meus preferidos!

 

O livro do próximo desafio foi divulgado ontem mesmo: será O Bom Gigante Amigo, clássico de Roald Dahl, um dos maiores nomes da literatura infantil universal. Em junho de 2016 sai o filme inspirado no livro, dirigido por ninguém menos que Spielberg – e essa é nossa oportunidade de conhecer o livro antes que chegue às telonas, rá! Todo mundo pode – e deve! – participar do desafio, é só se inscrever e adquirir o livro – ele vai estar com 30% durante todo o mês de fevereiro lá n’A Taba. Para saber mais, só clicar aqui. Bora? 🙂


4 nov 2014

livro + filme + desabafo: O Menino Maluquinho

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Clássicos, Destaques, Divertidos, Literatura Brasileira, Para Conversar Sobre a Morte, Para dar risada, Para Refletir, Posts Especiais

Entre as coisas das quais mais me lembro da minha infância são livros. Livros meus, livros dos outros. Tive o privilégio de ter um pai e uma mãe leitores – meu pai rodeado por enciclopédias sempre fora do lugar (era pesquisa o tempo todo: dos meus irmãos, do meu próprio pai, de quem estivesse disposto a pesquisar), minha mãe com seus romances e García Márquez (compartilhamos até hoje nosso livro preferido, aliás: O Amor nos Tempos do Cólera). Além disso, quando eu tinha a idade do Francisco, meus irmãos (sou a caçula de uma família de três) também viviam com seus livros: meu irmão do meio ingressava no segundo grau. O mais velho já estava na faculdade de medicina, e estudioso (ou melhor, CDF mesmo) como era (e ainda é, diga-se de passagem), passava madrugadas mergulhados em livros que me despertavam todo tipo de curiosidade.

E lógico, tinham os meus livros. Livros que minha mãe teve a sabedoria de guardar muito bem guardados e de me entregar todos, anos depois. Releio muitos com o Francisco – já até falei de alguns por aqui, como o Lúcia-Já-Vou-Indo (Francisco jura que a lesma se parece comigo, obrigada) e O Sapato que Miava, da Sylvia Orthof, entre outros. Eu tenho uma memória afetiva enorme com esses livros, e reler cada um deles com o Francisco me traz um monte de coisa boa de volta, é delicioso. Para mim e para ele, que se sente todo orgulhoso de conhecer os livros da infância da mamãe e tem a chance de ler muita coisa boa – porque não é por nada, mas como tinha livro legal na nossa época!

os livros da minha infância, de volta para mim e agora para o francisco também

Esses dias fiz a festa em mais uma caixa de livros lá do meu tempo. Nela, meus preferidos de quando era pré-adolescente, como a série Vagalume (que estou relendo com amigos, porque o entusiasmo foi geral), a série Salve-se Quem Puder e vários outros livros de dois escritores (sempre suspense!) que eu idolatrava: Stella Carr e Ganymedes José. Além desses, alguns que já venho relendo com o Francisco, como os da Bruxa Onilda (todo amor do mundo por ela) e um bem, mas bem especial: O Menino Maluquinho, do Ziraldo.

Mas vou contar do início: aqui em casa, o caminho foi inverso: primeiro apresentei para o Francisco o filme, e só depois o livro. O filme foi sugestão de uma amiga – na história, o avô do Menino Maluquinho vem a falecer. Como meu pai, avô do Francisco, já estava doente fazia alguns meses, vítima de um câncer terminal, o filme nos deu a brecha para conversar sobre esse assunto difícil, a morte. No filme, ela é tratada com muita delicadeza: o avô falece um pouco antes de um torneio de futebol que organizava com os garotos. E o torneio acontece assim mesmo, como uma homenagem ao grande avô.

Na sexta-feira passada, dia 31 de outubro, foi a vez do avô do Francisco de fato vir a falecer. Era esperado, como eu disse – mais do que isso, foi o derradeiro alívio de uma doença que o estava fazendo sofrer muito. E o filme fez o Francisco entender de um jeito que acredito que não entenderia tão facilmente se não tivéssemos conversado sobre isso – “o vovô morreu, igual ao do Menino Maluquinho? então eu sou o Menino Maluquinho, né?”.

Mas o filme é também muito divertido – eu não esperava, no início, que cativasse tanto o Francisco. Mas não deu outra: foi assistir a primeira vez e pronto, dá-lhe alugar o Menino Maluquinho na tv a cabo, que era o único lugar no qual eu havia encontrado (depois achei o DVD baratinho na Livraria da Folha, mas acho que comprei o último – logo ficou esgotado. mas se liga: tem no youtube o filme completo de grátis, rá!). O filme é muito engraçado – pelo menos o Francisco morre de rir em algumas cenas, como uma em que todos os garotos se reúnem embaixo do cobertor para ver, pasmem, quem tem o pum mais fedido. Pois é – o filme é todo assim, uma sequência de traquinagens atrás da outra, muitas um tanto quanto politicamente incorretas, mas que fazem a garotada rir demais.

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o livro, minha antiga edição, e o filme em dvd

O livro aqui em casa veio depois – justamente nessa caixa da qual eu falava lá em cima. A primeira leitura já rendeu uma choradeira daquelas: é que ele tinha sido presente da minha avó, a Vó Zazana, mãe do meu pai – e nele encontrei uma dedicatória linda, escrita por ela em 1990, no meu aniversário de 8 anos. Peço a licença de dividi-la aqui com vocês:

“Minha querida Daisy,

Este pequeno presente representa muito o valor que você tem, pois no primeiro ano escolar ganhou o prêmio de melhor aluna, prêmio de muito valor para todos nós. Daisy, você não é menino e muito menos maluquinho, mas na sua idade pequenina, você sabe “ouvir e entender estrelas”, por ser muito inteligente! Como livrinhos de história, foi este que eu quis lhe dar. Espero que goste. Os teus irmãos vão gostar, e teu pai se lembrará também que foi um menino maluquinho.

Da tua vovó,

Zazana”

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a dedicatória da minha avó, em 1990 🙂

Li com meu pai dedicatória na semana passada, alguns dias antes dele falecer, e foi muito emocionante. O livro, venho lendo noite e dia com o Francisco. O fato de a gente ter visto e revisto o filme diversas vezes ajudou na curiosidade do rapaz: logo na primeira vez que lemos ele já prestou atenção e reconheceu diversas coisas do filme. Mas a verdade é que o livro não mesmo tem igual. Em tempos de tanto debate sobre o quanto é importante brincar, ele é a obra infantil mais atual possível – a história de um menino que gostava mesmo era de molecar, aprontar e se divertir. Um menino que passou por poucas e boas como todas crianças – afinal, também é importante conversar sobre assuntos tristes, mas que são parte da vida mesmo e não tem jeito. A separação dos pais, a despedida de um amigo que muda para outra cidade, a morte do avô.

“(…) ele ri baixinho

quando a saudade

apertava

pois descobriu

que

a saudade

era o lado

de um dos lados

da vida

que vinha aí.

Agora vejam se pode

uma descoberta dessas!

Só mesmo sendo maluco

ou sendo amado demais.”

 

Mas era mesmo o final do livro que me emocionava quando eu era criança: Ziraldo conta lá o quanto o moleque era bom de bola, segurava todas quando brincava de goleiro. Só não conseguiu mesmo foi segurar o tempo – cresceu. E o principal: cresceu e virou um cara legal! Minha Vó Zazana, no fim, tava certa: o meu pai, Napolho, como eu o chamava (seu nome era Luis Napoleão), era mesmo um menino maluquinho. Só podia ser mesmo, porque virou um cara legal também, legal demais. E na semana passada deixou uma saudade sem tamanho, que tá difícil de engolir. Mas é como o próprio Menino Maluquinho: essa é uma das partes da vida, e é assim e pronto.

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Enfim, tudo isso, todo esse papo para hoje recomendar esse livro, O Menino Maluquinho. É daqueles que não dá pra deixar de ter na biblioteca, pra ler e reler e reler e reler, anos e anos depois (vide nós aqui). Pra rir e chorar. E o filme, o filme também. Vale assitir, rir, chorar rapidinho e voltar pro livro. Dá-lhe Ziraldo, o mestre. Obrigada por isso.

***

O Menino Maluquinho

autor e ilustrador: Ziraldo

Editora Melhoramentos

onde achar : na Estante Virtual tem a partir de 4 reais

o filme: esse é mais difícil, em dvd. tem alguns à venda no Mercado Livre, mas são meio caros. a boa notícia é que tem gratuito no youtube, vale ver. 😉


30 jan 2014

livro: o leão e o camundongo

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Clássicos, Fábulas, Livros-Imagem

Sabe o que são fábulas de Esopo? Espera, primeiro: o que são fábulas. Fábulas são histórias em que os personagens são animais que exibem características humanas, e que geralmente terminam com uma lição de moral. As de Esopo são chamadas assim porque são creditadas a Esopo, um escravo e contador de histórias que viveu no século V a.c. As fábulas que mais conhecemos são as atribuídas a ele: A Cigarra e a Formiga, A Raposa e as Uvas, A Tartaruga e a Lebre, entre outras.

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Esse livro, O Leão e o Camundongo, conta uma dessas fábulas – mas de um jeito especial: sem palavra alguma, só ilustração. E ilustrações absolutamente lindas. A história é a seguinte: um camundongo vai parar garras de um leão, que por alguma razão o deixa fugir livre. Um dia então, no meio da selva, o leão cai em uma armadilha humana – e é o pequeno camundongo que o vem resgatar, roendo a corda para que o felino fuja livre. Moral da história: nenhum ato de solidariedade é desperdiçado.

camundongo2

É uma releitura da fábula, ilustrada por Jerry Pinkney, um dos maiores ilustradores norte-americanos de literatura infantil. As ilustrações são mesmo de tirar o fôlego – tudo enorme, completando as páginas inteiras, cheias de detalhes. Um desses detalhes, aliás, é o cenário no qual escolheu que a história se passasse: o Parque Nacional Serengeti, da Tanzânia e do Quênia. Ele fala sobre isso no final do livro: “pareceu-me apropriado situar a fábula no Parque Serengeti, com seu horizonte amplo e sua vida selvagem abundante, tão impressionante embora tão frágil tal como os dois lados de cada um dos heróis protagonistas desta fábula grandiosa e eterna”. 

Pinkney carrega diversos prêmios de ilustração, inclusive uma medalha Caldecott, que ganhou em 2010 por esse livro. E olha que história bacana: quando era pequeno, Pinkney foi diagnosticado com dislexia, e sofreu um bocado por isso. Foi o desenho que o fez superar seus problemas e recuperar a auto-estima. Começou a desenhar pequenino – hoje, aos 75 anos, tem um bocado de livros publicados, um mais bonito que o outro. Vale dar uma olhada aqui para ver todos. O Leão e o Camundongo é publicado no Brasil pela WMF Martins Fontes.

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