oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 7 anos, e vinícius, de 1 ano. seja bem-vindo! Leia mais



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18 jan 2016

livros: A Democracia Pode Ser Assim e A Ditadura é Assim

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Destaques, Diversidade e Respeito, Livros, Novidades e Lançamentos, Para Refletir

A primeira vez que vi sobre esses livros foi no instagram de um amigo, há algum tempo – ele mostrava as versões espanholas deles, reeditadas pela incrível Media Vaca. Achei sensacional a ideia – permitir a conversa sobre política com as crianças através de livros infantis. “A Ditadura é Assim” e “A Democracia Pode Ser Assim” foram publicados na Espanha pela primeira no final dos anos 70; as ilustrações eram outras, mas o texto o mesmo – e incrivelmente atual, acessível. Foram resgatados e reeditados pela Media Vaca e publicados no final do ano passado no Brasil pela Boitempo (sob seu novo selo infantil Boitatá). 

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“A Democracia Pode Ser Assim”

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ilustrações e colagens de Marta Pina

No primeiro volume, a gente conhece o que é – ou melhor, o que deveria ser – uma democracia. As escolhas, o direito e a importância do voto, os diferentes partidos e seus representantes e principalmente: os direitos e deveres de todos nós. O livro não deixa de nos lembrar da importância de nos informarmos sempre e de ficarmos atentos às nossas possibilidades de escolha e aos nossos escolhidos:

“(…) é muito importante que todos estejam sempre bem informados. E que todos vigiem tudo, para que não seja um só que vigie todos. Pois é muito fácil enganar as pessoas com palavras bonitas, com dinheiro e com promessas que nunca serão cumpridas.”

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“A Ditadura É Assim”

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ilustrações de Mikel Casal

Já no segundo volume, a ditadura nos é apresentada. O tom é divertido, mas o papo é sério – quem é o ditador, como ele toma o poder, seus interesses. O povo que o teme, que é explorado e que é censurado em tudo – até no direito de pensar e questionar. Como bem lembra Ruy Braga no final do livro, em uma época tão recente em que algumas pessoas saíram às ruas do Brasil pedindo pela volta da ditadura militar, é bom lembrar bem o que isso significa.

As ilustrações de ambos os livros são coloridas e divertidas – no primeiro, repleto de colagens antigas e misturadas, obra da artista Marta Pina. No segundo, os desenhos de Mikel Casal são mais caricatos, com muita cor e jeitão engraçado. O bacana é que os textos são acessíveis, fáceis e muito divertidos de ler com as crianças – uma introdução deliciosa e essencial à cidadania, à vida em sociedade e à política.

Esses são os dois primeiros volumes da série, formada por 4 títulos (e intitulada “Livros Para o Amanhã) – os dois próximos tratam questões sociais e de gênero: “O Que São Classes Sociais?” e “As Mulheres e Os Homens”, e saem em 2016. Ah, a faixa etária sugerida pela editora é dos 8 aos 10 anos – mas não precisa se restringir a isso não (aliás, não precisa se restringir a idade mínima para literatura nunca, vamos combinar!): aqui em casa a leitura com o Francisco,  que tem seus 5 anos, gerou interesse, perguntas e divertiu. Um livro pra ainda ler, reler e se questionar muito. 😉

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A DEMOCRACIA PODE SER ASSIM

Texto: Equipo Plantel

Ilustrações: Marta Pina

Edição: Boitatá, 2015

A DITADURA É ASSIM

Texto: Equipo Plantel

Ilustrações:

Edição: Boitatá, 2015

 


13 jan 2016

livro: O Monstro do Pé Molhado

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Destaques, Divertidos, Livros, Novidades e Lançamentos

Tá certo que muitas editoras vêm fechando nos últimos tempos, uma perda enorme para todos. Mas é só olhar com atenção que há muitas coisas novas surgindo por aí – e muita coisa boa! Dia desses, por exemplo, tive a oportunidade de conhecer o material de uma editora novinha em folha, especializada em literatura infantil, que iniciou seu trabalho no final do ano passado e traz boas promessas para 2016. A Gato Leitor é de Blumenau, cidade querida de um estado vizinho ao nosso: Santa Catarina.

A gente recebeu dois livros, ambos da autora Nana Toledo – o primeiro, Parece Gente Grande, compartilhei lá no instagram, uma reunião de poesias gostosas de ler com os pequenos. O outro é esse aqui, aventura divertida que fez um sucesso danado com o Francisco (que vamos combinar, não resiste a monstro nenhum): “O Monstro do Pé Molhado”.

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O livro é narrado pela mãe, que descobre misteriosas pegadas pela casa e corre contar pro filho, o Lucas. Lucas sai do banho, agarra sua lupa e sai atrás das pegadas, junto da mãe – segundo ele, elas são de um tal monstro do pé molhado! Então a dupla fica atenta, observando escondidos à espera do tal monstro que pode aparecer a qualquer momento – mas ele não aparece. É só em outra tarde quente, quando Lucas brinca na sua piscina inflável que a mãe olha para o chão e tcha-rãn – lá estão as pegadas do monstro novamente! A ideia da mãe é então montar uma armadilha para pegar o tal monstro – e aí sim, não tem jeito do danado escapar.

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As ilustrações do catarinense Guilherme Karsten (que já ilustrou alguns dos livros do Ilan Brenman, como o sensacional “Enganos” e o “Maenhê”) são especiais: cheias de cor e humor. É um livrinho divertido por completo, leitura cheia de bom humor sobre fantasia, aventura e uma muito divertida relação mãe-e-filho. Adoramos!

Ah, vale curtir a página dela Gato Leitor no facebook para acompanhar as novidades da nova editora. 😉

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O MONSTRO DO PÉ MOLHADO

Texto: Nana Toledo

Ilustrações: Guilherme Karsten

Editora: Gato Leitor, 2015


31 mar 2015

Para conversar um pouco mais sobre a morte: Harvey – Como me tornei invisível

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Destaques, Livros, Novidades e Lançamentos, Para Conversar Sobre a Morte, Para Refletir

Há exatos 5 meses eu e o Francisco sofremos uma grande perda: meu pai,  avô e figura paterna do Francisco, faleceu. Na época eu contei por aquiindiquei três livros que muito nos auxiliaram a conversar sobre esse assunto tão difícil, a morte. Foram livros que lemos e relemos muitas vezes, o que continuamos a fazer – e que sempre trazem novas perguntas do Francisco, conversas, dúvidas e às vezes até conforto.

Na semana passada tive a oportunidade de conhecer Harvey – Como me tornei invisível. Escrito pelo canadense Hervé Bouchard, é outro lindo livro infantil que trata do assunto. Nem preciso dizer o quanto me surpreendeu e emocionou – o assunto por aqui é muito recente, e ainda dolorido. Eu não sabia do que se tratava a história de Harvey – li sem nem antes ler a contra-capa, e de repente me vi mergulhando numa história emocionante, triste e bonita demais.

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O livro é todo na voz de Harvey – ele começa se apresentando, e apresenta também sua família: papai Bouillon, mamãe Bouillon, seu irmão mais novo Cantin. Ali, nessa apresentação, a gente já vai logo sentindo a solidão e angústia do menino e tomando fôlego para o que vem por ali. Harvey conta sobre o início da primavera e as impressões que sua família tem dela – para ele, é a estação em que suas botas ficam pesadas, seus cadarços frouxos, as mangas de seu casaco de couro se esticam. É a época em que ele fica invisível.

O ritmo é meio de quadrinho, meio de cinema, cena a cena: acompanhamos o dia em que Harvey, Cantin e seus amigos disputam uma ‘corrida de palitos’. Para o pequeno Harvey, é uma enorme disputa, “grande  final internacional dos quinhentos metros de daqui-até-ali”, e seu palito tem até nome: Scott Carré. É nesse dia que muita coisa acontece: Scott não vence a corrida, fica por último. Atrapalha-se em meio a um pedaço de gelo, resquício da neve, e acaba sendo o último palito a escorregar bueiro abaixo. É apenas Cantin, o irmão, quem espera o final da corrida junto a Harvey – e voltam os dois para casa, caminhando.

É aí que o coração aperta fundo: quando chegam em casa, encontram uma ambulância e muitos curiosos em frente à casa. As expressões nos rostos dos curiosos assustam – e então os garotos compreendem: papai Bouillon morreu. Harvey chega a ver o corpo, coberto por um lençol, entrando na ambulância – mas não consegue reconhecer seu pai. Então entram na casa, os três – os irmãos e a mãe, um a um. A angústia de adentrar a casa vazia fica clara nas ilustrações impressionantes de Janice Nadeau. Os detalhes das expressões individuais; a mãe pequenina diante de uma parede sem fim; a planta baixa da casa com cada um em seu canto, sozinho.

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Harvey, deitado em sua cama esperando um sono que não vem, recorda então a história de Scott Carré – o seu palitinho, o homem que encolheu. Scott é o personagem de um filme que de fato existe – um clássico da ficção científica, de 1957, chamado O Incrível Homem que Encolheu. Vítima de uma misteriosa nuvem que envolve seu barco, Scott vem a sofrer de um mal misterioso: começa a encolher, encolher, até um dia não ser visto por mais ninguém. É como Harvey se sente agora, sem seu pai: sozinho, minúsculo. 

Foi a parte do enterro que mais me tocou e me arrancou algumas lágrimas, admito. As impressões que os outros têm do cadáver, os comentários quanto à sua aparência, confundem e intrigam os irmãos. São imagens dispersas de um homem que não existe mais. Seu irmão corre ver o pai pela última vez no momento em que o caixão é fechado – mas Harvey prefere não fazê-lo (ele não alcança o caixão, essa é uma das razões). Termina no colo do seu tio, tornando-se, aos poucos, invisível:

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A leitura foi muito mais minha do que do Francisco – eu até li com ele, mas fomos até onde seu interesse permitiu. Então vimos as ilustrações uma a uma, observamos os detalhes, conversamos sobre o que era aquilo tudo (a parte da corrida dos palitos foi o que mais deixou o pequeno interessado) e o livro voltou para a minha mesa de cabeceira – mas é uma obra que quero certamente reler com o Francisco quando ele ficar mais velho. A indicação da editora é a partir dos 9 anos – mas tenho certeza que o livro vai emocionar muita gente grande também. Da editora Pulo do Gato.

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Era para eu ter participado ontem à noite da primeira roda de leitura do site A Taba, discutindo esse livro tão especial – esse é um daqueles livros que a gente termina e quer logo conversar sobre, e eu estava ansiosa para participar do bate-papo. Mas a vida é mesmo estranha: no domingo, foi meu tio quem veio a falecer. Tive que ir até Florianópolis para seu velório, e acabei não conseguindo voltar a tempo. Mas o bate-papo rolou, e foi lindo – já assisti hoje mesmo pela manhã, não resisti. Está disponível no youtube – imperdível pra quem quer se sentir conversando sobre o livro. Eu juro que me senti! 🙂