oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 7 anos, e vinícius, de 1 ano. seja bem-vindo! Leia mais



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11 mar 2015

5 livros infantis com protagonistas garotas fortes (e muito divertidas)

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Destaques, Divertidos, Listas de Livros, Livros

Domingão foi o dia internacional da mulher. Dia repleto de homenagens, textos bonitos compartilhados no facebook e mensagens carinhosas – e aqui em casa, uma brincadeira: procurar, entre todos os livros do Francisco, aqueles com protagonistas mulheres. Fiquei orgulhosa: eram mais do que eu me lembrava, 13 no total! Pilha de livros devidamente colocadas do lado da cama, a missão então era reler todos no decorrer da semana – é o que temos feito. Já escolhi cinco deles, entre os preferidos, para dividir com vocês:

1. A PRINCESINHA MEDROSA

Para começar a lista, uma princesa: mas uma princesa bem diferente daquelas às quais estamos habituados. Nossa princesa aqui tem medo, muito medo: o primeiro deles, do escuro. Então ordena que todas as luzes do palácio e da cidade fiquem sempre acesas – e também o sol, que ele nunca parasse de brilhar. Mas seus medos não paravam por aí – ela também tinha medo da solidão, da pobreza. Ordenava então que tudo fosse ajeitado para que ela não sofresse – mas seus medos só aumentavam, mudavam de forma. Até o dia em que a pequena princesa se perde em um passeio e se depara com um menino que descansava depois de sua jornada de trabalho. Ela fica intrigada e resolve acompanhá-lo – e dessa amizade, aprende uma coisa valiosa: que seu único medo é do próprio medo. Aprende, enfim, a enfrentá-lo bravamente. O livro é pequenino, delicado como a história, escrito e ilustrado pelo sensível Odilon Moraes (é dele também o Pedro e Lua, que amamos). Da editora Cosac-Naify.

Não pode deixar de ler porquê: A princesinha se bate para entender que todas suas ordens e poderes não são suficientes para fazê-la feliz. Um amigo e um céu repleto de estrelas às vezes basta! É uma linda lição, e a edição é bonita demais.

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2. OBAX

Emprestamos esse livro da Biblioteca Pública do Paraná, na semana passada – foi uma surpresa linda, e não pude deixar de colocá-lo na lista de protagonistas fortes. A pequena Obax vive nas savanas africanas, e se tem algo que ela não sente é medo – ao contrário, aventura-se nas histórias mais mirabolantes. Ninguém da aldeia acredita em suas aventuras e ela se sente um tanto quanto sozinha, é verdade. Um dia, tropeça em uma pequena pedra que lhe parece um elefante – dali surge um amigo, Nafisa, elefante solitário que a acompanha por estradas sem fim, montanhas, rios e mares. O livro exalta o lúdico, o imaginário infantil, e a fantasia se mistura à realidade. As ilustrações são lindas, quentes, coloridas – remetem ao continente africano, à força do povos de lá. Escrito e ilustrado pelo pernambucano André Neves, publicado pela editora Brinque-Book.

Não pode deixar de ler porquê: As ilustrações são lindas demais, a história tocante. E o André Neves tem um livro mais bonito com o outro, só fui descobrir depois do Obax – impossível não se apaixonar por seus desenhos.

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3. MORANGO SARDENTO E O VALENTÃO DA ESCOLA

Em 2013 falei desse livro por aqui e contei de um belo trauma da minha infância: as aulas de educação física. Tudo porque eu morria de medo de jogar queimada (a gente chamava de ‘caçador’) – era o mesmo medo da nossa protagonista aqui, Morango Sardento. A ruivinha simpática não gosta de queimada porque é um jogo muito rápido e muito forte (e não é?) – e morre de medo das boladas de Pedro Bomba, o tal valentão da escola. Morango Sardento então tem uma ideia – cria um monstro imaginário, e se protege através dele. Até chega a levar uma bolada – mas nem sente! No final, acaba tornando-se amiga do (inicialmente) vilão. Um livro leve, divertido, que fala mais uma vez da importância do imaginário infantil e também sobre bullying. O livro é autobiográfico – a atriz Julianne Moore escreveu esse e outros livros para dividir com outras crianças algumas experiências de sua infância. No Brasil saiu pela Cosac-Naify.

Não pode deixar de ler porquê: É um jeito divertido de falar de medos, insegurança, bullying. Porque a Julianne Moore é uma atriz sensacional (ok, isso não conta). Porque a Morango Sardento é muito da bonitinha. Porque tem um monstro roxo divertido. Porque a criançada de 4, 5 anos adora!

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4. UM OUTRO PAÍS PARA AZZI

De um livro que rende boas risadas a gente pula pra um que faz pensar muito – e nos permite conhecer uma protagonista forte demais, a pequena Azzi. Com 10 anos de idade, Azzi foge, com parte de sua família, de um país em guerra. O trajeto difícil em um barco empilhado de outros fugitivos e a adaptação da nova vida em um país diferente é retratada nesse quadrinho – para Azzi, é tudo muito novo e assustador. Azzi de depara com uma nova língua completamente distinta da sua, com novos costumes, um pequeno apartamento e uma escola completamente nova. Mas o bacana é que a história vai tomando um rumo cheio de esperança até o final – é bonito de ver! O livro já passou por aqui antes, gosto demais dele. Escrito e ilustrado pela britânica Sarah Garland, foi publicado no Brasil pela editora Pulo do Gato.

Não deixe de ler porquê:  É importante, emocionante, atual. Para ler e conversar com as crianças e também adolescentes – gurizada já curte quadrinho normalmente, e esse aqui é bem especial.

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5. ATÉ AS PRINCESAS SOLTAM PUM

Rá, mas de jeito nenhum que eu faria uma lista de garotas fortes e divertidas sem colocar a Laura por aqui – é que a Laura é essa menina curiosa demais, protagonista de um dos livros mais divertidos que já nos passaram pelas mãos. Um dia ela faz uma pergunta para o pai: afinal, “as princesas soltam pum?”. Ele então vai até sua biblioteca buscar O Livro Secreto das Princesas e lá descobre: a Branca de Neve desmaiou foi intoxicada por seu próprio pum (culpa dos torresmo, repolho refogado e afins que os anões estavam habituados a comer), e a Pequena Sereia, adivinha? Aquelas bolhinhas na água? Tudo pum! O livro faz tanto sucesso entre a meninada que já virou até peça de teatro. Escrito por Ilan Brenman e ilustrado por Ionit Zilberman, da editora Brinque-Book.

Não deixe de ler porquê: Não existem princesas no mundo tão humanas e divertidas como essas do livro. Pra rir alto com as crianças!

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E você, tem algum livro preferido com protagonista mulher? Conta já! 🙂


4 nov 2014

livro + filme + desabafo: O Menino Maluquinho

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Clássicos, Destaques, Divertidos, Literatura Brasileira, Para Conversar Sobre a Morte, Para dar risada, Para Refletir, Posts Especiais

Entre as coisas das quais mais me lembro da minha infância são livros. Livros meus, livros dos outros. Tive o privilégio de ter um pai e uma mãe leitores – meu pai rodeado por enciclopédias sempre fora do lugar (era pesquisa o tempo todo: dos meus irmãos, do meu próprio pai, de quem estivesse disposto a pesquisar), minha mãe com seus romances e García Márquez (compartilhamos até hoje nosso livro preferido, aliás: O Amor nos Tempos do Cólera). Além disso, quando eu tinha a idade do Francisco, meus irmãos (sou a caçula de uma família de três) também viviam com seus livros: meu irmão do meio ingressava no segundo grau. O mais velho já estava na faculdade de medicina, e estudioso (ou melhor, CDF mesmo) como era (e ainda é, diga-se de passagem), passava madrugadas mergulhados em livros que me despertavam todo tipo de curiosidade.

E lógico, tinham os meus livros. Livros que minha mãe teve a sabedoria de guardar muito bem guardados e de me entregar todos, anos depois. Releio muitos com o Francisco – já até falei de alguns por aqui, como o Lúcia-Já-Vou-Indo (Francisco jura que a lesma se parece comigo, obrigada) e O Sapato que Miava, da Sylvia Orthof, entre outros. Eu tenho uma memória afetiva enorme com esses livros, e reler cada um deles com o Francisco me traz um monte de coisa boa de volta, é delicioso. Para mim e para ele, que se sente todo orgulhoso de conhecer os livros da infância da mamãe e tem a chance de ler muita coisa boa – porque não é por nada, mas como tinha livro legal na nossa época!

os livros da minha infância, de volta para mim e agora para o francisco também

Esses dias fiz a festa em mais uma caixa de livros lá do meu tempo. Nela, meus preferidos de quando era pré-adolescente, como a série Vagalume (que estou relendo com amigos, porque o entusiasmo foi geral), a série Salve-se Quem Puder e vários outros livros de dois escritores (sempre suspense!) que eu idolatrava: Stella Carr e Ganymedes José. Além desses, alguns que já venho relendo com o Francisco, como os da Bruxa Onilda (todo amor do mundo por ela) e um bem, mas bem especial: O Menino Maluquinho, do Ziraldo.

Mas vou contar do início: aqui em casa, o caminho foi inverso: primeiro apresentei para o Francisco o filme, e só depois o livro. O filme foi sugestão de uma amiga – na história, o avô do Menino Maluquinho vem a falecer. Como meu pai, avô do Francisco, já estava doente fazia alguns meses, vítima de um câncer terminal, o filme nos deu a brecha para conversar sobre esse assunto difícil, a morte. No filme, ela é tratada com muita delicadeza: o avô falece um pouco antes de um torneio de futebol que organizava com os garotos. E o torneio acontece assim mesmo, como uma homenagem ao grande avô.

Na sexta-feira passada, dia 31 de outubro, foi a vez do avô do Francisco de fato vir a falecer. Era esperado, como eu disse – mais do que isso, foi o derradeiro alívio de uma doença que o estava fazendo sofrer muito. E o filme fez o Francisco entender de um jeito que acredito que não entenderia tão facilmente se não tivéssemos conversado sobre isso – “o vovô morreu, igual ao do Menino Maluquinho? então eu sou o Menino Maluquinho, né?”.

Mas o filme é também muito divertido – eu não esperava, no início, que cativasse tanto o Francisco. Mas não deu outra: foi assistir a primeira vez e pronto, dá-lhe alugar o Menino Maluquinho na tv a cabo, que era o único lugar no qual eu havia encontrado (depois achei o DVD baratinho na Livraria da Folha, mas acho que comprei o último – logo ficou esgotado. mas se liga: tem no youtube o filme completo de grátis, rá!). O filme é muito engraçado – pelo menos o Francisco morre de rir em algumas cenas, como uma em que todos os garotos se reúnem embaixo do cobertor para ver, pasmem, quem tem o pum mais fedido. Pois é – o filme é todo assim, uma sequência de traquinagens atrás da outra, muitas um tanto quanto politicamente incorretas, mas que fazem a garotada rir demais.

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o livro, minha antiga edição, e o filme em dvd

O livro aqui em casa veio depois – justamente nessa caixa da qual eu falava lá em cima. A primeira leitura já rendeu uma choradeira daquelas: é que ele tinha sido presente da minha avó, a Vó Zazana, mãe do meu pai – e nele encontrei uma dedicatória linda, escrita por ela em 1990, no meu aniversário de 8 anos. Peço a licença de dividi-la aqui com vocês:

“Minha querida Daisy,

Este pequeno presente representa muito o valor que você tem, pois no primeiro ano escolar ganhou o prêmio de melhor aluna, prêmio de muito valor para todos nós. Daisy, você não é menino e muito menos maluquinho, mas na sua idade pequenina, você sabe “ouvir e entender estrelas”, por ser muito inteligente! Como livrinhos de história, foi este que eu quis lhe dar. Espero que goste. Os teus irmãos vão gostar, e teu pai se lembrará também que foi um menino maluquinho.

Da tua vovó,

Zazana”

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a dedicatória da minha avó, em 1990 🙂

Li com meu pai dedicatória na semana passada, alguns dias antes dele falecer, e foi muito emocionante. O livro, venho lendo noite e dia com o Francisco. O fato de a gente ter visto e revisto o filme diversas vezes ajudou na curiosidade do rapaz: logo na primeira vez que lemos ele já prestou atenção e reconheceu diversas coisas do filme. Mas a verdade é que o livro não mesmo tem igual. Em tempos de tanto debate sobre o quanto é importante brincar, ele é a obra infantil mais atual possível – a história de um menino que gostava mesmo era de molecar, aprontar e se divertir. Um menino que passou por poucas e boas como todas crianças – afinal, também é importante conversar sobre assuntos tristes, mas que são parte da vida mesmo e não tem jeito. A separação dos pais, a despedida de um amigo que muda para outra cidade, a morte do avô.

“(…) ele ri baixinho

quando a saudade

apertava

pois descobriu

que

a saudade

era o lado

de um dos lados

da vida

que vinha aí.

Agora vejam se pode

uma descoberta dessas!

Só mesmo sendo maluco

ou sendo amado demais.”

 

Mas era mesmo o final do livro que me emocionava quando eu era criança: Ziraldo conta lá o quanto o moleque era bom de bola, segurava todas quando brincava de goleiro. Só não conseguiu mesmo foi segurar o tempo – cresceu. E o principal: cresceu e virou um cara legal! Minha Vó Zazana, no fim, tava certa: o meu pai, Napolho, como eu o chamava (seu nome era Luis Napoleão), era mesmo um menino maluquinho. Só podia ser mesmo, porque virou um cara legal também, legal demais. E na semana passada deixou uma saudade sem tamanho, que tá difícil de engolir. Mas é como o próprio Menino Maluquinho: essa é uma das partes da vida, e é assim e pronto.

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Enfim, tudo isso, todo esse papo para hoje recomendar esse livro, O Menino Maluquinho. É daqueles que não dá pra deixar de ter na biblioteca, pra ler e reler e reler e reler, anos e anos depois (vide nós aqui). Pra rir e chorar. E o filme, o filme também. Vale assitir, rir, chorar rapidinho e voltar pro livro. Dá-lhe Ziraldo, o mestre. Obrigada por isso.

***

O Menino Maluquinho

autor e ilustrador: Ziraldo

Editora Melhoramentos

onde achar : na Estante Virtual tem a partir de 4 reais

o filme: esse é mais difícil, em dvd. tem alguns à venda no Mercado Livre, mas são meio caros. a boa notícia é que tem gratuito no youtube, vale ver. 😉