oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 6 anos, e vinícius, ainda bebê. seja bem-vindo! Leia mais



Você está vendo os artigos na categoria “Para dar risada”
8 ago 2016

Quero Meu Chapéu de Volta, de Jon Klassen

Escrito por
Destaques, Divertidos, Novidades e Lançamentos, Para dar risada

Volta e meia a gente descobre alguns livros infantis que são pra lá de sensacionais: são engenhosos, especiais no conteúdo, ilustração, edição. “Quero Meu Chapéu de Volta”, de Jon Klassen, editado no Brasil pela WMF Martins Fontes é desses: não só traz uma história divertida demais, como tem uma edição impecável, na qual texto, ilustração, cores e fontes se fundem num contexto incrível – e hilário.

quero-meu-chapeu-de-volta

Tudo começa com um urso, que busca seu chapéu. Lá sai ele perguntando para raposa, sapo, tartaruga, coelho, tatu – mas ninguém viu o dito cujo. A história segue através de diálogos, curtos e dinâmicos, página a página – as cores do texto, preto e cinza, demarcam de quem é a fala (aqui em casa, eu e Francisco lemos cada um uma fala, como num teatro – é muito divertido!).

Certa hora, o urso passa por um animal que está com seu chapéu – mas a resposta é negativa, claro. O texto, no entanto, muda de cor – a resposta é vermelha, e apesar do urso não notar a mentira (mesmo com o chapéu na cabeça do bicho!), fica muito claro para nós, leitores, que ali há algo estranho:

quero-meu-chapeu-de-volta-2

O urso, coitado, segue a busca. Até uma hora que PERA! – ele lembra de algo. Lembra que viu o chapéu, e mais uma vez, é a cor vermelha que sinaliza essa súbita lembrança. A coisa é quase cinematográfica! Então ele volta, correndo – e aí, sem spoilers, porque esse é um livro que traz um final absolutamente surpreendente, cheio de ironia e longe de qualquer lugar comum.

Talvez a criançada não entenda na primeira não – o Francisco, quando se deu conta, levou um susto tão divertido que me fez rir mais do que o livro em si. E o barato é esse: ir deixando a criança sacar aos poucos, se não na primeira leitura, na segunda, na terceira – é susto e diversão garantida!

***

* Esse livro chegou até nós através do clube de leitores d’A Taba, que tanto falo e recomendo. Pra variar, sempre uma surpresa boa! 🙂


12 jul 2016

O Conto do Carpinteiro, de Iban Barrenetxea

Escrito por
Destaques, Divertidos, Novidades e Lançamentos, Para dar risada

Aaah como é bom ganhar livro bonito de presente! Quando o Fran ganha um livro legal, me sinto presenteada também – e fico boba de feliz junto com ele. Esse aqui a gente ganhou no último aniversário (Francisco fez 6 anos no final de junho!) e adorou: que história mais maluca, incrível, redondinha! “O Conto do Carpinteiro” é de Iban Barrenetxea e foi lançado recentemente pela Companhia das Letrinhas

Era uma vez um carpinteiro, Firmín. Ele fabricava coisas tão perfeitas de madeira que ninguém acreditava – suas rodas giravam o mundo inteiro num só impulso, suas cadeiras faziam com que ninguém quisesse ofender seus próprios traseiros sentando em outras depois de experimentá-las, suas mesas não bambeavam jamais… era um carpinteiro caprichoso!

Um dia recebeu um recado inusitado: o glorioso Barão von Bombus havia perdido o braço direito em uma batalha, e precisava de outro urgente. A missão de Firmín então era fazer outro, perfeito – e não fez diferente: o braço ficou ainda melhor que o antigo, segundo o Barão. Não passou muito tempo, outra mensagem: nova batalhe, enorme calamidade, e dessa vez o Barão perde também o braço esquerdo! A história se desenrola nessa hilária repetição, já que o Barão, danado, vai perdendo membros de carne e osso e arranjando novos, de madeira, polidos, muito melhores que os originais.

O final é engraçado como todo o livro, cheio de ironia e humor. Livro absolutamente delicioso para se contar em voz alta, repleto de aventuras e surpresas – e ilustrações maravilhosas! 

***


4 jul 2016

Nossos 10 livros preferidos entre os 30 melhores da Revista Crescer 2016!

Escrito por
Destaques, Interativos e Livros-Brinquedo, Listas de Livros, Novidades e Lançamentos, Para dar risada, Para Refletir

Todo ano a Revista Crescer faz uma seleção muito legal com os melhores livros infantis do ano, para facilitar a vida dos pais na hora de escolher boa literatura para os pequenos. Eu adoro acompanhar, fico sempre de olho – e como sou muito da metida (e também a pedidos da minha amiga Michelle, lá do Vida Materna), fiz esse ano uma super seleção dentro da seleção. Pois é, me empolguei e escolhi dez dos nossos preferidos  (meus e do Francisco também!) da lista, para vocês conhecerem um pouco mais sobre cada um deles. E ah, não deixem de ver o vídeo, viu?

1. O REI, de Luiz Tatit e Renato Moricone

É um livro, mas é também uma música – na verdade, O Rei é uma música do Luiz Tatit, que ilustrada por Renato Moriconi, virou esse lindíssimo livro infantil. Lindo mesmo: na edição (adoro esses livros com formatos diferentes, fora do comum!), nos desenhos, na história do rei que sofre por nunca ser levado a sério até o dia que todos precisam dele. Quando as forças do mal invadem o país, é atrás dele que o povo corre. E ele surge, pacífico, de trás de sua montanha, e vem instaurar a paz. Uma história emocionante, deliciosa de se ler em voz alta, cheia de ritmo e música (literalmente, né?). Da Jujuba Editora.

“O REI”

2. UNIFORME, de Tino Freitas e Renato Moricone

Eu já falei desse livro em outra lista, quando escolhi, no final dos ano passado, os 10 melhores livros infantis publicados em 2015. A gente gosta demais, demais desse livro – primeiro porque ele é uma experiência super interativa, divertidíssima; segundo, porque tem uma mensagem poderosa! Nessa história curtinha, mas cheia de surpresas, conhecemos Clóvis, um rapaz meio camaleão, que gosta mesmo é de dançar conforme a música. Enquanto lemos a história, somos convidados a procurá-lo pelas páginas do livro, nas ilustrações do Renato Moricone. E Clóvis segue camaleônico, seguindo a maré, até um dia que de tanto seguir os outros, ele percebe melhor mesmo é…seguir seu coração. O livro, que é todo em preto e branco, esconde uma feliz surpresa no final – o Francisco sempre abre a última página com um “uaaau!” e eu simplesmente AMO isso! Publicado pela Edições de Janeiro.

“UNIFORME”

3. DOIS PASSARINHOS, de Dipacho

Outro livro divertido que trata de um assunto importante e bastante atual – e que olha, rende um bom papo! Nesse livro-imagem a gente acompanha dois pássaros que vivem muito bem cada um em seu galho, cada um de um lado de uma árvore. Até o dia que um sai e volta com alguma coisa…um abajur, no caso. O outro também sai e volta com uma TV. Aí aquele primeiro traz mais uma coisinha: um livro. O outro, imagine só se não, sai de novo e volta com uma privada! É tanto cacareco que logo os dois viraram verdadeiros acumuladores, numa hilária competição. No final, seus galhos pesam tanto, mas tanto, que desabam no chão. E terminam os dois, adivinha? Sem nem ter onde morar! Livrinho precioso do artista colombiano Dipacho, publicado no Brasil pela Pulo do Gato.

dois-passarinhos-02

“DOIS PASSARINHOS”

4. ANTES DEPOIS, de Anne-Margot Ramstein e Matthias Aregui

Outro livro-imagem surpreendente é esse aqui. Livro grosso, grandão, repleto de ilustrações, brinca com uma ideia muito básica: do lado esquerdo, o antes; do direito, o depois. Não há palavra alguma, mas a narrativa está ali, muito clara, muito elaborada – e isso é lindo demais! Alguns “antes e depois” são previsíveis, como um botão e em seguida uma flor, ou uma lagarta e uma borboleta. Mas outros são tão engenhosos que levam a imaginação longe, muito longe: um estilingue e uma janela com o vidro quebrado; um cavalinho de madeira na luz do dia, em seguida uma cadeira de balanço no anoitecer. As histórias em torno deles ficam por nossa conta! Nossa edição é da Candlewick Press, mas no Brasil o livro saiu pelo selo Livros da Raposa Vermelha, da WMF Martins Fontes.

“ANTES DEPOIS”

5. A RAINHA DAS RÃS NÃO PODE MOLHAR OS PÉS, de Davide Cali e Marco Somà

Essa é uma daquelas histórias que tanto gosto: redondinha, com início genial e um final bastante surpreendente. Conta a história de uma rã que um dia, em um mergulho no lago, encontra uma coroa. Curiosa, coloca a coroa na cabeça, e naquele mesmo momento, vira a grande Rainha das Rãs. Nesse instante, tudo muda – a rainha consegue conselheiros, que claro, têm também seus privilégios e de repente todas as rãs, que viviam muito bem e tranquilas, têm que viver em função da nova rainha (que nem sabe qual sua função, já que o lago nunca teve uma). Uma hora esse poder começa a ser questionado, e num mergulho coletivo, na vez da Rainha, ela volta…sem coroa. E aí, ah, aí as coisas mudam. História fascinante, ilustrações sensacionais (de Marco Somá) e uma importantíssima reflexão sobre autoridade e poder. Da Pulo do Gato.

“A RAINHA DAS RÃS NÃO PODE MOLHAR OS PÉS”

6. LÁ E AQUI, de Carolina Moreyra e Odilon Moraes

Falei desse livro dia desses lá no instagram, quando me pediram dicas de literatura infantil que abordasse o tema “separação” – foi o primeiro que lembrei, porque é um dos livros mais delicados e bonitos que conheço sobre o tema. Nele, um garoto conta como era sua vida – a casa, o jardim, tudo antes da separação dos pais. Até o dia que tudo muda. Com um texto poético, através das metáforas mais bonitas, ele fala da dor e da sensação de desamparo diante da nova situação. É triste, fato, mas tocante, importante demais – e o final é puro aconchego, segurança. O lar agora são dois, mas o garoto sabe que está sempre em casa, onde quer que esteja. As aquarelas de Odilon Moraes são lindas demais – um livro pequenininho, delicado em tudo. Publicado pela Pequena Zahar.

la-e-aqui-02

“Lá e Aqui”

7. ESSE LIVRO COMEU O MEU CÃO!, de Richard Byrne

Esse é um livro para rir, rir muito – e bem legal de curtir com as crianças pequeninhas, a partir de 1, 2 anos! Tudo começa com um passeio: Bella e seu cão caminham pela página quando de repente…ele desaparece, na dobra entre as páginas. Ela não entende nada do que acontece, claro, e pede ajuda – mas aí, todo mundo acaba sumindo nessa dobra misteriosa. É aí que o leitor recebe um recado: que ele vire o livro na vertical e chacoalhe, chacoalhe, chacoalhe…até que todos os personagens caiam dali. Sabe livro pra brincar, mas brincar mesmo? Ler no chão, fazendo teatro, bagunça e barulho – para ouvir muitas risadas e pedidos do tipo “lê de novo?”. Da Panda Books.

este-livro-comeu-meu-cão-02

“Este Livro Comeu O Meu Cão!”

8. A REVOLTA DOS GIZES DE CERA, de Drew Daywalt e Oliver Jeffers

Outro livro pra rir muito, daqueles tão criativos que você fica se perguntando da onde o autor tirou uma ideia tão legal! Um dia, Diego vai pegar sua caixinha de gizes de cera e encontra um bolo de cartas. São os próprios, os gizes de cera, se queixando da dura vida que levam: o giz vermelho não aguenta trabalha tanto: dia dos namorados, ele pinta corações; Natal, ele pinta Papai Noel – não é fácil ter que trabalhar até nos feriados! O preto não aguenta mais ser contorno; o cinza também cansou de pintar coisas grandes, o branco é muito pouco usado e acha isso um desaforo! Cada giz de cera tem sua razão pra chorar. As ilustrações do Oliver Jeffers são o grande charme do livro, as cartas escritas à mão, os desenhos infantis como se fossem do próprio Diego. No Brasil a publicação é da Salamandra.

Processed with VSCO with h4 preset

“A REVOLTA DOS GIZES DE CERA”

9. SELVAGEM, de Emily Hughes

A menina da nossa história não tem nome, ela é uma selvagem. Ninguém sabe como ela foi parar na floresta, mas cresceu ali – aprendeu a falar com as aves, a comer com os ursos, brincar com as raposas. E vivia bem assim, era feliz! Até o dia que humanos a encontram, e ela é levada até a civilização. Não é fácil para ela, não é fácil para o casal que a acolhe, já que tudo é muito errado, para ambos os lados. É demais acompanhar o texto curto e mergulhar nas ilustrações, tão detalhadas, tão maravilhosas de Emily Hughes. Tem humor, tem aventura, tem tudo ali – e tem uma edição impecável, linda demais, da Pequena Zahar. Preciso dizer que é um dos nossos xodós?

“SELVAGEM”

10. ÔNIBUS, de Marianne Dubuc

Esse é um livro que o Francisco gosta muito! Parte de uma ideia simples, mas cheia de significado: a mãe leva a menina até o ponto de ônibus para sua primeira viagem sozinha. O desenrolar da história é justamente sua primeira viagem, e tudo que acontece nela. Os outros passageiros são (com exceção de um coleguinha) todos bichos, e ela vai observando o que cada um faz, o que acontece. Divide biscoitos, observa um quase-roubo, vê muita coisa acontecer – e a gente vai vendo junto, antecipando acontecimentos, observando vestígios de outros. Tem uma parte que o ônibus entra em um túnel, e fica tudo escuro – essa é a hora que o Francisco mais curte da leitura, aguarda ansioso por essa página. Gosto tanto disso! No final, ela chega até sua vovó, que a espera no ponto de ônibus – cheia de histórias pra contar! Da Jujuba Editora.

“ÔNIBUS”

***

Vale dizer: a lista de livros da Crescer tem o ano de 2016 porque esse é o ano da edição da revista, mas os livros foram publicados, em sua maioria, em 2015 – ou até antes. Outros da lista já saíram em seleções aqui do blog, como n’Os Melhores de 2015 e outras mais. 😉

***