oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 7 anos, e vinícius, de 1 ano. seja bem-vindo! Leia mais



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10 abr 2015

Cinema: Cada um na sua casa

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Livros

Domingo passado, Páscoa, levei o Francisco e um amiguinho no cinema – depois do almoço em família catamos uns chocolates e partimos ver um filme. Tá, eu admito que volta e meia faço isso – optar por um cinema com o Fran pra poder, não me julguem, dar aquela cochiladinha básica depois do almoço no sábado ou no domingo. Mas às vezes o filme é bom, aí o sono fica pra lá e é só diversão – foi assim com o Cada um na sua casa:

A historinha é bacana: alienígenas roxos e muito esquisitos invadem a terra para fugir de seu maior inimigo, e para poderem viver em paz, deslocam todos os humanos para muito longe – no caso, para a Austrália. Só sobra uma garotinha, Tip, e seu gato – os dois tentam fugir dos invasores e encontrar a mãe, que foi sequestrada junto aos outros humanos. É aí que encontram Oh, alienígena desengonçado e muito carente, que também foge – é que ele mandou sem querer um convite de festa para a galáxia inteira, e corre o risco dos inimigos aparecerem também. As referências são ótimas, os diálogos divertidos, o cabelo da protagonista o mais bonito (igual ao meu, super me identifiquei, obrigada).

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A gente assistiu ao filme dublado em português, mas no original as vozes são de Jim Parsons (o Sheldon de Big Bang Theory) e da cantora Rihanna – aliás, o filme tem um hit cantado por ela, e muita dança. São as partes mais divertidas, os extraterrestres remexendo o bumbum – a gente ria alto no cinema! Ah sim: o filme é uma adaptação de um livro infantojuvenil de Adam Rex chamado The True Meaning of Smeckday – no Brasil a tradução tem o mesmo nome do filme e saiu pela editora Gutemberg. 🙂

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Cada um na Sua Casa (Home)
de Tim Johnson
animação, EUA, 2015, 94 minutos, livre
em cartaz nos cinemas, em cópias dubladas e legendadas, convencionais e 3D


31 mar 2015

Para conversar um pouco mais sobre a morte: Harvey – Como me tornei invisível

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Destaques, Livros, Novidades e Lançamentos, Para Conversar Sobre a Morte, Para Refletir

Há exatos 5 meses eu e o Francisco sofremos uma grande perda: meu pai,  avô e figura paterna do Francisco, faleceu. Na época eu contei por aquiindiquei três livros que muito nos auxiliaram a conversar sobre esse assunto tão difícil, a morte. Foram livros que lemos e relemos muitas vezes, o que continuamos a fazer – e que sempre trazem novas perguntas do Francisco, conversas, dúvidas e às vezes até conforto.

Na semana passada tive a oportunidade de conhecer Harvey – Como me tornei invisível. Escrito pelo canadense Hervé Bouchard, é outro lindo livro infantil que trata do assunto. Nem preciso dizer o quanto me surpreendeu e emocionou – o assunto por aqui é muito recente, e ainda dolorido. Eu não sabia do que se tratava a história de Harvey – li sem nem antes ler a contra-capa, e de repente me vi mergulhando numa história emocionante, triste e bonita demais.

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O livro é todo na voz de Harvey – ele começa se apresentando, e apresenta também sua família: papai Bouillon, mamãe Bouillon, seu irmão mais novo Cantin. Ali, nessa apresentação, a gente já vai logo sentindo a solidão e angústia do menino e tomando fôlego para o que vem por ali. Harvey conta sobre o início da primavera e as impressões que sua família tem dela – para ele, é a estação em que suas botas ficam pesadas, seus cadarços frouxos, as mangas de seu casaco de couro se esticam. É a época em que ele fica invisível.

O ritmo é meio de quadrinho, meio de cinema, cena a cena: acompanhamos o dia em que Harvey, Cantin e seus amigos disputam uma ‘corrida de palitos’. Para o pequeno Harvey, é uma enorme disputa, “grande  final internacional dos quinhentos metros de daqui-até-ali”, e seu palito tem até nome: Scott Carré. É nesse dia que muita coisa acontece: Scott não vence a corrida, fica por último. Atrapalha-se em meio a um pedaço de gelo, resquício da neve, e acaba sendo o último palito a escorregar bueiro abaixo. É apenas Cantin, o irmão, quem espera o final da corrida junto a Harvey – e voltam os dois para casa, caminhando.

É aí que o coração aperta fundo: quando chegam em casa, encontram uma ambulância e muitos curiosos em frente à casa. As expressões nos rostos dos curiosos assustam – e então os garotos compreendem: papai Bouillon morreu. Harvey chega a ver o corpo, coberto por um lençol, entrando na ambulância – mas não consegue reconhecer seu pai. Então entram na casa, os três – os irmãos e a mãe, um a um. A angústia de adentrar a casa vazia fica clara nas ilustrações impressionantes de Janice Nadeau. Os detalhes das expressões individuais; a mãe pequenina diante de uma parede sem fim; a planta baixa da casa com cada um em seu canto, sozinho.

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Harvey, deitado em sua cama esperando um sono que não vem, recorda então a história de Scott Carré – o seu palitinho, o homem que encolheu. Scott é o personagem de um filme que de fato existe – um clássico da ficção científica, de 1957, chamado O Incrível Homem que Encolheu. Vítima de uma misteriosa nuvem que envolve seu barco, Scott vem a sofrer de um mal misterioso: começa a encolher, encolher, até um dia não ser visto por mais ninguém. É como Harvey se sente agora, sem seu pai: sozinho, minúsculo. 

Foi a parte do enterro que mais me tocou e me arrancou algumas lágrimas, admito. As impressões que os outros têm do cadáver, os comentários quanto à sua aparência, confundem e intrigam os irmãos. São imagens dispersas de um homem que não existe mais. Seu irmão corre ver o pai pela última vez no momento em que o caixão é fechado – mas Harvey prefere não fazê-lo (ele não alcança o caixão, essa é uma das razões). Termina no colo do seu tio, tornando-se, aos poucos, invisível:

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A leitura foi muito mais minha do que do Francisco – eu até li com ele, mas fomos até onde seu interesse permitiu. Então vimos as ilustrações uma a uma, observamos os detalhes, conversamos sobre o que era aquilo tudo (a parte da corrida dos palitos foi o que mais deixou o pequeno interessado) e o livro voltou para a minha mesa de cabeceira – mas é uma obra que quero certamente reler com o Francisco quando ele ficar mais velho. A indicação da editora é a partir dos 9 anos – mas tenho certeza que o livro vai emocionar muita gente grande também. Da editora Pulo do Gato.

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Era para eu ter participado ontem à noite da primeira roda de leitura do site A Taba, discutindo esse livro tão especial – esse é um daqueles livros que a gente termina e quer logo conversar sobre, e eu estava ansiosa para participar do bate-papo. Mas a vida é mesmo estranha: no domingo, foi meu tio quem veio a falecer. Tive que ir até Florianópolis para seu velório, e acabei não conseguindo voltar a tempo. Mas o bate-papo rolou, e foi lindo – já assisti hoje mesmo pela manhã, não resisti. Está disponível no youtube – imperdível pra quem quer se sentir conversando sobre o livro. Eu juro que me senti! 🙂


13 mar 2015

Madeline, de Ludwig Bemelmans

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Livros

No domingo fizemos umaa revolução na biblioteca do Francisco – era dia 8 de março, dia internacional da mulher, e eu propus uma brincadeira: separar, entre todos os seus livros, aqueles com protagonistas mulheres. Selecionamos vários livros bacanas – inclusive alguns que ainda não tínhamos dado a devida atenção. Um deles foi esse aqui, escondido no alto da estante – Madeline, do escritor Ludwig Bemelmans.

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Madeline é um grande clássico da literatura infantil universal – conta a história de uma pequena menina órfã que habita Paris. Valente e muito divertida, não devia ter ficado fora da minha lista de protagonistas garotas fortes. É a personagem de maior sucesso de Bemelmans – foram 7 os livros que ele escreveu e ilustrou dando continuidade à história da pequena. O primeiro foi escrito em 1939, e é esse que temos aqui, em inglês – nele, conhecemos o orfanato no qual vive Madeline e outras 11 meninas, todas cuidadas por Miss Clavel.

As 12 meninas vivem juntas, em duas filas: juntas comem, escovam os dentes, dormem, passeiam pela cidade de Paris. Madeline é a menor de todas, mas também a mais corajosa. Um dia tem que passar por uma cirurgia de apêndice – fica afastada do orfanato algum tempo, recebe visitas, morre de saudade. Mas fica tudo bem, ufa – o texto é fácil, gostoso de ler, repleto de rimas. São as ilustrações que mais encantam – em algumas páginas, só dá amarelo; em outras, muita, mas muita cor. A gente vai se surpreendendo página a página, reparando nos detalhes mais delicados – no final da nossa edição, aliás, há uma lista de lugares de Paris para se procurar nas ilustrações. A torre Eiffel está lá, a Opera, o Hotel des Invalides – é só olhar com atenção.

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O livro infelizmente não tem tradução no Brasil – a edição americana, de capa dura, é da Penguin Books. Uma dica que eu volta e meia dou por qui é comprar através do Book Depository – a livraria entrega no mundo todo sem cobrar taxa de envio. Só precisa ter paciência: às vezes os livros demoram meses para chegar!

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Madeline

Texto e Ilustração: Ludwig Bemelmans

Editora: Viking Children Books – Peguin Books, 2012

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Esses livros bonitões e inspiradores que eu vou descobrindo por aí também vão aparecer lá na sessão Inspire-se, do Muralzinho de Ideias. 🙂