oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 6 anos, e vinícius, ainda bebê. seja bem-vindo! Leia mais



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24 abr 2014

música: b-fachada “é pra meninos”

Escrito por
Livros

Já falei diversas vezes por aqui o quanto eu amo – e o Francisco também – literatura infantil portuguesa. Agora o que eu não conhecia era música infantil portuguesa – e adivinha? Conheci esse disco, mostrei para o Francisco e pronto, estamos os dois ouvindo sem parar. É a nova trilha sonora dos trajetos de carro (tem que ter música no trajeto casa-escola-vida-afora, que ninguém aguenta), aquele que a gente não tira por nada.

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Na verdade, não é bem um disco infantil – é, quer dizer, porque é um disco com temática infantil, com jeitinho de criança. O disco chama-se “É Pra Meninos”, e é para crianças e também adultos. B-Fachada é o nome do cantor – na verdade, Bernado Fachada. Cara sensacional, já vos digo. Conheci esse e outro disco dele, que se chama apenas B Fachada, e logo me encantei. Agora o que me encantou mesmo foi esse aqui. Escolhi com muito custo duas músicas do disco pra dividir com vocês.

A primeira é também a primeira do disco, uma das nossas preferidas. Chama-se Tó-Zé, e é basicamente uma ode à desobediência. Se liga:

Tó-Zé tu tem cuidado
Não sejas pau mandado
Antes louco e mal criado
Que pensar só de emprestado
Toda a vida te vão dar
O mundo já bem mastigado
Tu começa a praticar 
Pra não ficares moralizado

 

Pois é, já cheguei causando com essa. Pra quem está habituado às músicas politicamente corretas do mundo infantil não é fácil gostar de B-Fachada. Mas é só ouvir com outros ouvidos para entender o quão divertidas são as letras desaforentas dele. Nossa próxima chama-se Conselhos de Avô – e entre os conselhos estão ‘largar a sopa e ir brincar no jardim’:

Larga a sopa, meu amor, vai p’ro o jardim,
Brincar na relva antes que a relva chegue ao fim
Quando voltares, vais ver, salvei a sopa de cozer,
Mas dou-te meia saladinha, não te quero ver sofrer

Vais crescer,
E é sopa que vais querer a toda a hora.
É uma vida a triturar, vê lá, não queiras começar já já

 

Todas as músicas são assim – incentivos à brincadeira, indagações sobre a moral, o papai noel, o futuro, como se uma criança as cantasse. E o sotaque português? Outra delícia à parte.

Não tenho o disco físico nem os mp3 – até tentei achar online, parece que o próprio B Fachada disponibilizou o download gratuito. Mas não achei, todos os links estavam quebrados. Então escutamos o nosso através do Rdio (que custa bem-investidos 15 dólares mensais, recomendo muito), onde dá pra ouvir offline também – aliás, tem todos do B Fachada lá, felicidade geral. Também dá pra ouvir o disco todo do youtube, pra quem preferir, aqui. Vai, corre lá ouvir Questões de Moral e Dia de Natal – duas outras que eu queria ter compartilhado aqui. Coisa linda!


22 abr 2014

Eu

Escrito por
Livros

Janaina Tokitaka é artista plástica, mas desde 2005 ilustra e também escreve livros infantis. Já foi colaboradora da Folhinha, suplemento infantil da Folha de São Paulo, já ilustrou livros de terceiros e já criou seus próprios: “Eu”, esse que divido hoje com vocês, é o quarto publicado pela editora Brinque-Book.

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Livrinho muito bacana esse: com ilustrações com carinha de aquarela, ele fala sobre o mundo de faz-de-conta de uma criança. Através de objetos simples – com os óculos do vovô, uma chuteira ou até mesmo um cobertor – o narrador se vê como os mais diversos personagens. Tudo com rima e uma linguagem simples, deliciosa:

“Coloco os óculos do vovô e vejo o mundo inteirinho: a montanha mais imensa e o menor dos passarinhos.”

 

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“Leio os livros do papai e aprendo um pouco de tudo: sobre tratores, leões e planetas, magos barbudos e barrigudos”

 

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Na hora de dormir o pequeno termina:

“Visto meu pijama quando chega o fim do dia. É muito bom ser tudo isso, mas ser eu mesmo é uma alegria!”

 

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O livro faz parte do selo Brinque Book na Mochila: seu tamanho é um pouco reduzido e ele é mais resistente, cartonado. Pra levar junto mesmo e dividir a história com os colegas. Francisco vai fazer isso hoje, nossa cópia já está na mochila da escola. Pra saber mais sobre o livro e a autora, só clicar aqui.

***

Esse Papo Pá-Pum de 2012 do Garatujas Fantásticas com Janaína também é divertido demais! São suas ilustrações e versos sobre artista, por ela mesma. Corre ver que vale a pena! 🙂

 


28 mar 2014

um outro país para azzi

Escrito por
Livros

Francisco ganhou seu primeiro livro em quadrinho! E um quadrinho emocionante: Um Outro País para Azzi conta a história de uma menina de 10 anos que foge de um país em guerra com sua família em busca de um recomeço. Em nenhum momento é dito que país é esse – apenas que é um país em guerra, e que a vida de Azzi e da família segue – à medida do possível – ao redor dela. Até um dia em que o pai de Azzi, médico, recebe um telefonema e eles são obrigados a fugir. Eles deixam então a casa, todos seus pertences, a avó (que promete ir depois) e partem em um barco para outro país.

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“Quando Azzi lambia seus lábios secos, sentia gosto de água salgada. Quando Azzi se agarrava a Bobô, o pelo dele estava duro, também por causa da água do mar. Quando tentava dormir, o cobertor de vovó estava úmido e gelado. 

 

Um novo dia estava começando. Ainda se via uma única estrela no céu. A terra, logo à frente, era rosa e cinza. Azzi viu, pela primeira vez, o contorno desse novo país.”

 

É nesse novo país, cujo nome também permanece oculto, que a aventura de uma nova vida, completamente diferente, começa para Azzi. Os costumes diferentes, a língua, as comidas, a casa pequena com apenas um aposento e móveis e panelas doados por outras pessoas. Azzi então começa a frequentar uma escola e lá conhece pessoas que a ajudam de todas as formas – o Sr. Miller, Sabeen. Aí o livro toma um rumo diferente, nada triste, mas cheio de esperança. É bonito de ver – até o Francisco ficou entusiasmado com o final, feliz da vida.

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Consigo claramente me ver lendo esse livro com o Francisco mais velho – agora ele curtiu muito, mas ainda vai curtir mais, quando entender de fato o que é uma guerra e por que elas acontecem. E entender, especialmente, que tudo aquilo que Azzi vive na história, muita criança vive na vida real também.

O fato de ser um quadrinho faz toda diferença – é como um filminho, cheio de ação e pequenos detalhes. O livro foi escrito e ilustrado por Sarah Garland em 2010, depois da observação e do contato com algumas famílias de refugiados – eram as expressões angustiadas das crianças desses grupos que mais chamavam sua atenção. Então ela fez uma longa pesquisa, com as memórias e os desafios daqueles que tiveram que fugir, além de professores e especialistas – e daí o livro.

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No Brasil, a edição é da Pulo do Gato, editora paulista cuja especialidade são livros para crianças e jovens. Aliás, olha, vale entrar no site e dar uma olhada no catálogo – é tanta coisa bonita que não tem como não passar vontade de ter tudo. O livro é fácil de encontrar online, e o melhor preço é o da Siciliano: 36 reais. Mas se liga na dica: na Estante Virtual tem uma cópia usada por 17 reais. Curtiu? 🙂