oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 6 anos, e vinícius, ainda bebê. seja bem-vindo! Leia mais



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12 abr 2013

Lúcia Já-Vou-Indo

Escrito por
Livros

Tem os livros que são do Francisco, e de vez em quando ele me empresta um ou outro, e tem os livros que são meus, MUITO MEUS, e eu empresto pra ele. Lúcia-Já-Vou-Indo é um deles. Era um dos meus livros preferidos quando criança.

lucia-ja-vou-indo

nossa cópia está velhinha, mas cheia de amor!

Imaginem minha emoção quando, há alguns meses, encontrei esse livrinho escondido em um armário da casa de praia, abandonado. Um tanto quanto mal-tratado, velho e rabiscado, mas tava lá, e eu o resgatei e logo fui mostrar pro Francisco. Lembro que eu tinha uns 6, 7 anos quando amava esse livro – ele tem os textos um pouquinho mais longos, mas dá sim para ler para uma criança de 3 anos. As ilustrações são coloridonas, lindas, cheias de detalhes, e rendem conversa.

Sabem o mais engraçado? É a gente reparar o quanto essas histórias da nossa infância ficam mesmo na memória. Fui lendo o Lúcia Já-Vou-Indo para o Francisco e lembrando de tudo, absolutamente tudo, mesmo sem ter tocado no livro há mais de vinte anos. Até as ilustrações estavam frescas na memória, e foi uma delícia ver tudo aquilo de volta.

A história é muito bonitinha. No livro, Lúcia é uma lesminha muito da devagar:

“Lúcia Já-Vou-Indo não sabia andar depressa. De maneira nenhuma. Andava devagar, falava devagar, chorava e ria devagarinho e pensava mais devagar ainda. Muito natural, pois ela era uma lesma.”

o francisco diz que a lesma se parece comigo quando está de peruca. rs.

o francisco diz que a lesma se parece comigo quando está de peruca. rs.

 

Sempre convidada para festas, ela nunca chegava a tempo, vivia atrasada. Recebe um convite para a festa da libélula Chispa-Foguinho (adoro os nomes dos personagens) e, ainda faltando uma semana para o evento, ela se desdobra para dessa vez chegar a tempo.

“- Depressa, Lúcia, assim você não chega! – diziam de passagem.

E ela respondia mastigando devagarinho um brotinho de alface:

– Já vou indo, já vou indo… – e se esforçava, pensando que estava andando um bocadinho mais depressa.

Que engano! Quase não saía do lugar.”

Não adianta. Alguns imprevistos no caminho e mais uma vez ela chega tarde à festa.

A própria libélula Chispa-Foguinho, triste pela amiga, propõe organizar o próximo festerê na casa de Lúcia: assim ela não teria como se atrasar. Mas adivinha? Festa arrumada, comes e bebes, bandeirinhas, convidados chegando e nada de Lúcia Já-Vou-Indo. As libélulas então se organizam mais uma vez e trazem Lúcia voando, literalmente, em cima de uma folha de capim. E assim a história termina feliz:

“Foi assim que oh, maravilha! pela primeira vez na vida, Lúcia-Já-Vou-Indo assistiu a uma festa inteirinha, do começo ao fim.”

Apesar de já ter sido reeditado desde a minha época, é difícil de encontrar por aí. É um livro pra garimpar em sebos – na Estante Virtual tem até por 8 reais, vale dar uma olhada.

***

Livro: Lúcia Já-Vou-Indo

Autora e Ilustradora: Maria Luísa Penteado

Editora: Ática

 


9 abr 2013

Chapeuzinho Amarelo

Escrito por
Livros

Sábado agora eu e o Francisco fomos ao Café Literário oferecido pela escola dele. Manhã divertida, com venda de livros, sebo do nono ano (para arrecadar $ para a formatura) e diversas contações de histórias.

Uma delas foi Chapeuzinho Amarelo, um dos nossos livros preferidos desde que Francisco era pequetitico, um dos primeiros livros que comprei para ele.

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É um clássico, releitura brincalhona de Chapeuzinho Vermelho, escrito por Chico Buarque. A história é essa: Chapeuzinho Amarelo tinha medo de tudo, de absolutamente tudo. Tinha até medo do próprio medo – o maior de todos eles, no entanto, era de um tal de lobo:

“E de todos os medos que tinha
O medo mais que medonho era o medo do tal do LOBO.
Um LOBO que nunca se via,
que morava lá pra longe,
do outro lado da montanha,
num buraco da Alemanha,
cheio de teia de aranha,
numa terra tão estranha,
que vai ver que o tal do LOBO
nem existia.

Mesmo assim a Chapeuzinho
tinha cada vez mais medo do medo do medo
do medo de um dia encontrar um LOBO.
Um LOBO que não existia.”

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Um dia ela acaba deparando com o lobo e, surpreendentemente, não sente medo algum. Chega a ficar decepcionada – o lobo então, nem se fala! Tenta de todas as formas assustar a menina, voltar a pôr medo nela. Mas não adianta, e a Chapeuzinho Amarelo não volta a sentir medo – e pior, de tanto repetir o nome do lobo, acaba transformando ele num…bolo.

É essa nossa parte preferida. O Francisco, quando pequenininho, ria com o som de “lobo” sendo repetido até virar “bolo”, e vibrava no final. Hoje já nem me deixa falar – partes como essa, sabe de cor, e às vezes até ‘lê’ pra mim, do jeitinho dele, em francisquês. É um livro gostoso de ler justamente porque é cheio de rimas e jogos com as palavras, cheio de ritmo. Dá pra fazer uma bela leitura dramática (cômica, no caso).

No final do livro, Chapeuzinho Amarelo descobre que pode superar todos seus medos, assim como superou o do lobo. E do mesmo jeito que o lobo vira bolo, ela transforma todos os outros montros e bichos que temia em amigos:

“Mesmo quando está sozinha, inventa uma brincadeira.

E transforma em companheiro cada medo que ela tinha:

O raio virou orrái;
barata é tabará;
a bruxa virou xabru;
e o diabo é bodiá.”

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O livro foi lançado originalmente em 1979. Na década de 90 foi ilustrado pelo mestre Ziraldo e em 1998 ganhou o prêmio Jabuti de Ilustração. Também recebeu, em 1979, o título de Altamente Recomendável para Crianças pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. É desses que tem que ter na biblioteca de casa, não adianta. Facinho de encontrar, em livrarias ou sebos. Bem procurado, tem por aí usado até por 5 reais!

***

Livro: Chapeuzinho Amarelo

Autor: Chico Buarque de Holanda

Ilustrador: Ziraldo

Editora: José Olympio


8 abr 2013

O balão de Zebelim

Escrito por
Livros

Não é sempre, mas às vezes a gente tem sorte nas promoções de livros. Esse aqui foi um caso – passeando um dia em uma Livraria Curitiba, vi ele exposto fora da seção infantil e fiquei curiosa. Achei a capa bonita e resolvi arriscar, levei pra casa.

O livro conta a história de Zebelim, um bichinho (um cachorro, um rato, um hamster? – arrisco dizer que é ratinho, vai) que deixa escapar seu balão vermelho de estimação. Angustiado, sai em procura do dito cujo. Por várias vezes se confunde achando que o encontrou – mas nada, ou são os olhos brilhantes de uma coruja, ou são morangos, ou são grandes flores vermelhas.

No caminho, vai fazendo amigos, e eles vão lhe dando apoio moral:

“Zebelim, pare de chorar, seu balão será encontrado um perdido, dez achados!”

 

No final, ele acaba não encontrando o tal balão, mas fazendo diversos amigos:

“Querido balão, porde seguir seu caminho. Zebelim já não tem medo de ficar sozinho.”

 

O livro é originalmente francês (Le ballon de Zebulon), da autora Alice Brière-Haquet. As ilustrações são bem diferentes, em apenas duas cores, preto e vermelho, e são o verdadeiro destaque do livro. São de Olivier Philipponneau, também francês, especialista na técnica de xilogravura.

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Livro: O Balão de Zebelim

Autor: Alice Brière-Haquet

Ilustrador: Olivier Philipponeau

Editora: Scipione