oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 7 anos, e vinícius, de 1 ano. seja bem-vindo! Leia mais



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7 out 2013

Saudade – um conto para sete dias

Escrito por
Livros

Há alguns livros infantis que, admito, compro mais pra mim do que para o Francisco. É que desde que entrei nesse mundo (o da literatura infantil) venho descobrindo cada coisa bacana, que não adianta: me apaixono, não resisto e compro. Alguns livros são pra crianças mais velhas, outros que eu sei que só vão funcionar em outra época da vida do Francisco – ou seja, ainda serão dele, já estão na sua pequena biblioteca, mas por enquanto são meus e pronto.

Esse aqui é um deles: chama-se ‘Saudade – um conto para sete dias’, e é um dos que eu mais gosto. Volta e meia estou namorando o livro ou monstrando-o para alguém (faço muito disso). Vi em algum lugar que a Companhia das Letras estava lançando essa semana a edição brasileira e lembrei de falar dele pra vocês. A minha cópia é portuguesa, da Editora Bags of Books, de 2011 – comprei na Navegadores há alguns meses.

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O livro é originalmente em espanhol, e chama-se Saudade: Un Cuento para Siete Dias. Na história, um rei muito sábio, habitante de um país muito distante, lança um desafio todas as segundas-feiras: pode qualquer um perguntar qualquer coisa a ele – ele garante que saberá a resposta. Isso até uma segunda-feira em que um tal Fernando (‘com o seu fatinho, a sua gravatinha, os seus bigodinhos e os seus óculos pequeninos’ – o próprio Pessoa) chega com uma pergunta para a qual, surpreendentemente, o rei não encontra resposta imediata: Fernando queria saber o que é ‘saudade’.

O rei, desesperado, pede seis dias a Fernando. Precisa pesquisar o que é saudade. Procura a palavra em dicionários, consulta assessores, passa o dia fora – até que pega um resfriado e volta confundindo saudade com febre. Certo da resposta, corre por todo o reino atrás de Fernando:

“A saudade é a febre! determinou o rei com segurança.

Não, disse Fernando em bom português. Às vezes quando se tem saudade, podemos ter febre, mas a saudade não é a febre.”

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A verdade é que Fernando sabe bem a resposta, mas quer que o rei descubra por si só. Então o rei pede ajuda à sua esposa – que mais uma vez vai atrás do poeta em busca da resposta, é a única saída:

“A Rainha saiu do Palácio à procura do tal homenzinho. Se ele sabia a resposta para a pergunta que ele mesmo fizera, tinha de ajudá-la.

Foi encontrá-lo num café, escrevendo enquanto falava sozinho: ‘todas as cartas de amor são ridículas’. A Rainha observava-o de longe e surpreendeu-se quando Fernando se levantou e respondeu a si mesmo, sentado noutra cadeira: ‘tenho em mim todos os sonhos do mundo!’.

 

Ah, sem spoilers dessa vez. Não vou contar o final exatamente – mas saibam que Fernando dá o caminho para que o Rei descubra o que é a saudade, e o nobre finalmente conhece a resposta.

O mais legal é que a história toda é contada em sete partes, cada uma para um dia da semana. Dá pra ler assim, separadinho – ou de uma vez só mesmo (que eu duvide que alguém aguente esperar). O próprio autor, Claudio Hochman, conta no verso do livro que quando seu filho foi acampar pela primeira vez, ele escreveu esse conto e colocou dentro da mochila do garoto. Mas colocou cada capítulo em um envelope, para que seu filho lesse um a cada dia da semana. A brincadeira deu nesse livro lindo. Lindo mesmo, não só na história como em todo o resto: as ilustrações de João Vaz de Carvalho também são demais (vale ver o site dele, aliás).

Tá aí – é um livro bacana demais para crianças (a indicação etária da editora é de 6 a 9 anos) e também para adultos, oras. Já pensei em dar de presente pra algumas pessoas, e agora que tem a edição brasileira ficou mais fácil. Ah, o lançamento sai por 33 reais no site da editora (e 23 reais no site da Fnac – não adianta, sempre vale pesquisar). Imperdível.


26 set 2013

The Giving Tree

Escrito por
Livros

Acho muito legal receber sugestões de livros infantis – aliás, essa é uma das razões do blog: trocar dicas de literatura infantil. Tem dado certo –  volta e meia e recebo emails com dicas bacanas, corro atrás do livro e fico feliz da vida. Esse aqui foi um deles, dica do Thales Correa:

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The Giving Tree, em português A Árvore Generosa, é um clássico da literatura infantil americana. Escrito por Shel Silverstein (só não vale se assustar com a cara de mau que o autor tinha), foi lançado nos Estados Unidos pela primeira vez em 1946. O livro é triste – triste de verdade. Tão triste que, na época, Silverstein não conseguiu que fosse publicado imediatamente – o livro foi primeiro recusado pela Harpers & Row. Segundo os editores, era ‘triste demais para as crianças e simples demais para adultos’. Só foi impresso de fato alguns anos depois – mas também, desde então, já foi traduzido para diversas línguas e vendeu milhões de cópias no mundo inteiro.

O livro conta a história de uma árvore que amava um garoto – e de um garoto que amava uma árvore. Todos os dias eles brincavam, ele a escalava, se pendurava em seus galhos. O tempo passa e a relação deles permanece – até que o garoto chega à adolescência, se apaixona por uma garota, e a árvore fica abandona por um bom tempo. Um dia ele volta, precisa de dinheiro – a árvore generosa então sugere que ele venda suas maçãs. Ele faz como ela manda – depois usa seus galhos para construir uma casa, depois seu tronco para navegar – e a árvore, ou melhor, o toco da árvore continua ali, sentindo saudade do garoto. Termina (ó o spoiler) com o garoto já velho, vindo sentar no toco que resta. E a árvore, coitadinha, se sente feliz novamente. É como uma fábula.

Falei, é triste – mas é pra refletir. Há dezenas de interpretações para a relação árvore-garoto: amizade, relação mãe e filho, humano e natureza. E olha, também há diversas pessoas que detestam o livro – que o garoto é egoísta, que a mensagem é ruim. Besteira, justamente por isso é legal – dá para cada um ‘conversar’ com o livro como lhe convém. Gosto bastante também das ilustrações – são do próprio autor, simples, em preto-e-branco. Até nem interessa muito a criançada no início – Francisco chegou pela primeira vez e ficou todo curioso pela capa, bem verde. Mas foi só abrir e perguntar: ‘é pra pintar, mãe?’.

Nossa edição comprei nos EUA; custa cerca de 13 dólares via amazon. Aqui no Brasil, a edição é da Cosac Naify, traduzida pelo escritor Fernando Sabino. Daqueles livros que vale muito a pena ter na biblioteca de casa!


16 set 2013

Como ser babá do vovô

Escrito por
Livros

Esse mês está rolando uma atividade na escola do Francisco sobre os avós. As crianças levaram fotos, histórias e brincadeiras do tempos deles – e também levaram os próprios. Coisa mais bonitinha: o combinado é que o vovô ou a vovó mostre um talento. Vale desenhar, tocar, ler uma história ou fazer uma salada de frutas pra criançada – o importante era estar lá.

O vovô do Francisco, meu pai, foi na semana passada e modéstia à parte, diz que foi um show. Ele primeiro tocou violão: sapo cururu e marcha soldado, e a criançada cantou e dançou junto. Depois fez alguns desenhos – aliás, estão lá pendurados na parede da sala de aula um elefante, uma cobra, uma ovelha, tudo desenho do (muito talentoso) vovô Napoleão. Nem preciso contar o orgulho do Francisco nessa brincadeira toda. 

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Outra atividade que fizeram na escola foi ler um livro sobre os avós – essa foi a introdução do projeto, na verdade. A Amanda, professora da turma, me pediu indicação de algum livro que tratasse do assunto. Na mesma hora me lembrei desse aqui, Como ser babá do vovô – tinha comprado por indicação do site Kids Indoors. Foi escolhido logo de cara, tão bonitinho que é, e emprestamos o livro pra ser trabalhado na escola. A criançada curtiu.

A ideia do livro é bem bacana: o vovô vai cuidar do netinho enquanto os pais saem para trabalhar – só que a história é contada pelo garoto, que jura que na verdade é ele quem está cuidando do vovô. Então ele fica de babá e ainda passa as dicas: lanches que o vovô gosta, brincadeiras, ideias de desenhos. Tudo na voz da criança:

“Depois do lanche, é hora de levar o vovô pra passear.

Se estiver frio, agasalhe bem o vovô.

Se estiver fazendo calor, não se esqueça de passar protetor solar nele, principalmente na careca.

Lembre-se de dar a mão para ele quando for atravessar a rua, ensine a ele a sempre olhar para os dois lados.”

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Um livro fofo, fofo mesmo! Ele é da americana Jean Reagan, e nos Estados Unidos fez bastante sucesso – tanto que em março de 2014 a autora lança o How to babysit a grandma, a versão de como cuidar da vovó. No Brasil a edição é da Cia. das Letrinhas – e se liga na dica: está em promoção na fnac, de 29 por 20 reais.

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Livro: Como ser babá do vovô

Texto: Jean Reagan

Ilustração: Lee Wildish

Editora: Companhia das Letrinhas