Eis que no final de novembro de 2019 acontece a entrega de um dos prêmios literários mais importantes do país, o Jabuti. Nesse ano, são cinco os finalistas da categoria literatura infantil – cinco livros diferentes e muito maravilhosos que eu faço questão de dividir com vocês (vídeo aqui!).

Polêmicas e História

O Jabuti existe há 61 anos, e é o prêmio literário mais tradicional do nosso país, concedido pela CBL, a Câmara Brasileira do Livro. Nessas décadas de existência já sofreu diversas transformações e mudanças, inclusive algumas polêmicas. No ano passado por exemplo, o prêmio foi super reduzido e as categorias juvenil e infantil viraram uma só, uma mudança que só desvaloriza e desqualifica gêneros que por si só já são tidos como gêneros menores.

Maior polêmica, bafafá, cartas abertas e nesse ano a CBL voltou atrás junto com entidades da literatura infantil e juvenil e temos de volta as categorias separadas: infantil e juvenil, ambas dentro do eixo literatura. Esse ano os jurados da categoria infantil foram três profissionais que muito admiro: Denise Guilherme, idealizadora da Taba, a jornalista Gabriela Romeu e o músico Paulo Tatit.

Finalistas 2019

Aí que entre mais de 150 livros infantis inscritos no prêmio só esse ano, temos 5 lindos finalistas – o grande vencedor sai no dia 28 de novembro de 2019. Até lá, valem as apostas: qual o seu preferido?

A Avó Amarela

Esse livro entrou pra lista do melhores de 2018 e é um livro que me emocionou muito! Ele fala de uma avó, a avó Amarela, e sua grande família. A gente passa um domingo junto dela, dessa  família, acompanhando a avó que vai à feira, que compra o galo vivo, que para no cemitério deixar flores pra um filho que já morreu e que volta pra casa preparar esse grande almoço, nessa festa de filhos, noras e netos. O texto de Julia Medeiros é especialmente poético e bonito, absolutamente encantador! Da editora Ozé.

Casa de Passarinho 

Tá aí um livro que tem uma história muito legal já por trás dele. A autora do texto, Ana Rosa, em um curso sobre escrita para livro ilustrado, entregou esse texto ao professor, Odilon Moraes. E não deu outra: dessa união nasceu esse livro lindo, um livro ilustrado na sua melhor definição, onde texto e imagem só funcionam juntos, juntinhos! Nele, duas crianças observam um ninho de passarinho e constroem uma história do que se passa ali dentro, imaginando como é a vida daquele casal de pássaros que ali vive. As ilustrações vão misturando realidade e fantasia conforme os meninos conversam – o texto é curto, ágil, e as ilustrações do Odilon são especiais. Dos meus favoritos, admito. Publicado pela Positivo.

Donana e Titonho

Só conheci Donana e Titonho recentemente, depois da indicação ao Jabuti, mas fui correndo atrás dele – e ô coisa linda! As ilustrações do artista André Neves são inconfundíveis, e a obra traz a história de Nana e Tonho, dois catadores de lixo que se conhecem entre os escombros de uma casa abandonada. Os dois se juntam, têm diversos filhos, que brincam de faz de conta entre pregos, madeiras e latas. A gente acompanha um pouco dessa família que vive entre os restos dos outros, uma realidade tão brasileira, tão próxima da gente, e ao mesmo tempo tão invisível pra tantos. Da Paulinas.

Enreduana

 

Enreduana é um livro que já impressiona de cara – pelo projeto gráfico, pelas cores, tão diferentes do que a gente está habituado por aí. Ele traz um pouco da história de Enreduana, uma mulher que de fato existiu, 2.300 anos antes de Cristo, na Mesopotâmia, e que é considerada a primeira escritora do mundo.  Pois é, lógico que o patriarcado nunca deixou a gente saber disso, até porque Enreduana também era uma mulher envolvida com política e apaixonada por outra mulher. Mas a sorte é que Roger Mello e Mariana Massarani trouxeram essa história pra perto de nós, tanto adultos como crianças, através de um livro de ficção inspirado em fatos absolutamente reais. Da Companhia das Letrinhas.

Olavo

 

O último livro finalista traz a história de Olavo, um menino triste –– simples assim. A gente tem certa dificuldade de falar sobre tristeza com as crianças, de ligar a melancolia com a infância, mas todo mundo que já foi criança sabe que quando a gente é pequeno, a gente não é sempre feliz. Não mesmo! Por isso acho tão bonita (e importante!) a abordagem que o Odilon Moraes (que sim, concorre duplamente!) faz da tristeza, de ser criança, das expectativas e frustrações. Além do mais, Olavo é um livro que assim como Enreduana, tem um projeto gráfico bem especial que se utiliza das cores pra enriquecer a narrativa e ir entregando pistas ao leitor: o sépia, o azul, tudo aqui tem uma razão de ser, de estar nessa história. Publicado pela Jujuba.

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