O Homem-Lua (“Moon Man”), de Tomi Ungerer

"O Homem-Lua", de Tomi Ungerer

“O Homem-Lua”, de Tomi Ungerer

Ungerer na Lua

Sou altamente apaixonada por toda obra de Tomi Ungerer – aliás, o Francisco também se diverte demais com seus livros: Os Três Ladrões, Zloty, Críctor são imperdíveis! O “Moon Man”, no Brasil  “O Homem-Lua”, foi o primeiro livro que conheci dele – tem uma história fantástica e sensível, é lindo de morrer: conta que lá em cima, na lua, vive esse homem, o Homem-Lua. Problema é que sua vida é um tanto entediante, e ele morre de inveja dos humanos que podem dançar. “Se ao menos pudesse me divertir como eles uma só vez!”, pensa ele.

Carona no Cometa.

Um dia então, pega carona em um cometa e vem parar aqui na Terra. Cai deixando um grande buraco, causando uma confusão danada – ninguém sabe do que se trata aquele ser pálido, tão diferente! Acaba indo preso, coitado. Mas como a lua, ele também tem fases…e vai diminuindo, diminuindo, até que quando vira um quarto minguante, consegue escapar pelas grades da prisão. Foge, e em liberdade, vai parar em uma festa à fantasia, onde incógnito, dança feliz como nunca! E depois, satisfeito, ainda encontra um jeito fantástico de voltar ao seu lugar…

Quarto Minguante.

Parece brincadeira, mas o Homem-Lua é um tanto autobiográfico. É que Ungerer migrou boa parte da vida: da Alsácia (França) para os Estados Unidos, depois para o Canadá, depois para a Irlanda (onde vive até hoje). Em cada um desses lugares levou um novo susto, teve uma nova adaptação: “de certa forma, o Homem-Lua sou eu; ele chega em seu novo país com uma ilusão de como ele será”. Até a fuga da polícia do nosso personagem tem inspiração na vida do autor: em 1950, em plena Guerra Fria, ele andou 20km até a fronteira russa, mas sem passaporte, foi abordado. Disse que ia ao banheiro e…fugiu! Um desenho de 1951 é a prova de sua inspiração:

A inspiração, de 1951, e a obra 🙂

Mas nem tudo são flores: a gente tinha a versão em inglês, Moon Man, edição da Phaidon, coisa linda: grande, capa dura e dupla, páginas foscas! Mas logo descobri que o livro tinha tradução no Brasil,  e resolvi comprar para presentear – comprei online, na Amazon mesmo. Mas foi o livro chegar em casa que…FUÉN! Que decepção!

Edição americana e nacional.

A história segue sensacional, tá certo, mas MUITO da obra de Ungerer está nas suas ilustrações (como em boa parte dos livros infantis, vamos combinar!), e muito, mas muito se perde numa edição que cabe quase na palma da mão. E olha, não foi barata não, 30 reais! Sem contar ainda o papel brilhante, de baixa qualidade, brochura, enfim: aprendi que além do preço, frete e tempo de entrega, vale verificar também o tamanho e qualidade (na medida do possível) das edições antes de comprar online. Ah, a edição brasileira é da Martins Fontes.

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