Os Ibejis e O Carnaval

Tem gente que torce o nariz pro carnaval. Acha que é festa, bagunça, folia –– e é tudo isso, mas é muito mais. Muito mesmo. O carnaval brasileiro também é resistência. A festa em si foi trazida pelos europeus, alguns séculos atrás. Mas se tornou uma das manifestações culturais mais fortes e bonitas do nosso país.

No século XIX, o governo até tentou acabar com o festejo, tentando deixar ele mais parecido com a festa européia. Mas quem disse que o povo deixou? Bailes de máscaras, grupos fantasiados, blocos, ranchos e cordões e o carnaval se tornou é muito brasileiro, do jeitinho que o povo queria. Por isso é tão importante conhecê-lo e reconhecê-lo como instrumento de resistência, especialmente em um momento como esse em que vivemos, de descarte e abandono da nossa arte e nossa cultura (por parte, vejam só, do próprio governo –– ô história que se repete).

Tá, não há como negar a apropriação comercial da data, o cansativo apelo publicitário dela; mas olhar o outro lado, conhecer sua história, reconhecer o papel do povo negro na celebração é muito importante (e lindo!). Em “Os Ibejis e o Carnaval”, da editora Pallas, uma avó (a própria autora, Helena Theodoro) conta aos netos gêmeos, Neinho e Lalá, histórias do carnaval. Um amplo glossário, ao final, traz mais curiosidades sobre essa “festa do povo, quando as escolas de samba contam suas histórias e mostram o valor da nossa gente”.

Embarcado no segundo tema do #DesafiodaCigarra2020, o livro traz o povo negro como protagonista do conto e do carnaval, convidando a gente a refletir a importância da data e a amá-la também. <3