Menina Bonita é Racista?

Sobre a importância de ir além

Quando a gente pensa numa biblioteca antirracista (e devia pensar o tempo todo), a gente tem que pensar fora da caixinha, do óbvio, do clichê. Pensar fora dos estereótipos. Quando a Camilla Dias fala do “Menina Bonita Laço de Fita” no vídeo que publiquei ontem no youtube, ela faz uma coisa que a gente também devia fazer SEMPRE: ela questiona, problematiza.

Não, ninguém precisa se sentir envergonhado por nunca ter visto esteriótipos na história criada nos anos 90 por Ana Maria Machado. A gente tem que se sentir envergonhado é de não parar pra pensar, não saber conversar, não procurar ouvir (ou ler!) o que negros e negras têm a dizer sobre histórias muitas vezes criadas por brancos e brancas, algumas há décadas em circulação (vou nem entrar em Monteiro Lobato que esse é outro papo, muito diferente!).

A história por trás do Menina Bonita é uma história muito querida e familiar da autora, foi inspirada em sua filha. Já a ouvi contando aqui em Curitiba, na Biblioteca Pública do Paraná, já li no excelente “Ponto de Fuga”, em que ela fala (além de outras coisas) sobre o livro e suas polêmicas (e também sobre o quanto ele foi importante pra muitas pessoas!).

Mas isso não quer dizer que seja querida e familiar a todos e todas que a lêem. Há quem não goste, há quem se sinta desconfortável, há quem recuse, e essa é uma escolha a que todos os leitores e leitoras têm direito. Afinal, nas palavras da própria Ana Maria Machado, “um livro não é apenas aquilo que está escrito nele, mas também a leitura que se faz desse texto”.

Então não, ninguém é racista por amar esse clássico da nossa literatura ou por tê-lo na biblioteca, não mesmo! Mas também não é antirracista se tem APENAS ESSE como referência quando pensa em protagonismo negro na literatura infantil. Censurar nunca, jamais, longe de mim, cruz credo! É importante buscar ALÉM, é o que acredito.

Só no papo Biblioteca Antirracista a Camilla e a Lu sugeriram diversos outros livros que fazem exatamente o que a gente precisa buscar: que fogem do óbvio, do clichê, dos estereótipos. A gente não tem que ler menos, galera, tem que ler mais, conhecer mais! Sempre! <3

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