Especial PNLD 2018 – Dicas de Livros

PNLD Literário 2018

Ufa! Saiu a lista das obras aprovadas no PNLD 2018, o Programa Nacional do Livro Didático. Apesar dos pesares do programa, que não são poucos, é uma chance e tanto de bons livros entrarem nas escolas públicas – incluindo livros de editoras menores, menos conhecidas, mas que têm um trabalho grandioso com a literatura para a infância. 

São as próprias escolas, professores e professoras, que vão fazer as escolhas – o que não há de ser fácil: são mais de 700 obras aprovadas! Por isso tomei a liberdade de dividir com vocês alguns dos meus livros preferidos entre esses – é uma seleção pequenina, mas cuidadosa e cheia de carinho. Convido vocês a assistirem ao vídeo, lá no youtube. Logo abaixo dele, há os links para mais informações a respeito das obras – e ainda outras sugestões.

Boas escolhas! 🙂

Carta de Apoio a Ana Maria Machado e à Literatura

Se você é mãe, é possível que tenha recebido alguma mensagem a respeito do livro “O Menino Que Espiava Para Dentro” e uma suposta incitação ao suicídio – mas antes de esbravejar contra a autora, compartilhar a mensagem a torto e direito, peço cinco minutos para a leitura da carta abaixo. É preciso ler mais, é preciso refletir. 

CARTA DE APOIO À ANA MARIA MACHADO E À LITERATURA

Em virtude dos recentes posts e mensagens que alegam incitação ao suicídio no livro infantil “O menino que espiava pra dentro”, da consagrada autora Ana Maria Machado, e também por outros casos semelhantes que vêm acontecendo ultimamente, nós, incentivadoras digitais, amantes e estudiosas da Literatura Infantil e Juvenil, gostaríamos de falar um pouco sobre o assunto.

Em primeiro lugar, acreditamos que uma obra literária não pode ser lida ou interpretada a partir de um fragmento descontextualizado. É necessário compreender o texto por inteiro e com isso a mensagem completa do autor. Uma descontextualização dessas pode gerar ruídos que denunciam a formação de leitores deficitária deste país, mostrando como a literatura é mal interpretada, infelizmente.

O livro narra a história de um menino cheio de imaginação, que ama explorar seu mundo interior. Numa intertextualidade com contos de fadas clássicos, ele brinca de ser um “Belo adormecido” ou “Branco de neve”, querendo ficar um tempo mais longo no mundo da imaginação. Assim, usa o mesmo recurso da história da Branca de Neve contada pelos Irmãos Grimm originalmente: engasga com uma maçã e vai para o mundo da imaginação, para depois “desengasgar” e voltar ao mundo “real”.

Reparem que a autora refere-se à versão mais antiga e anterior à versão da Disney, em que a personagem engole uma maçã envenenada e é acordada por um príncipe.

É importante frisar dois pontos do final da história:

1)      No fim do livro, ele é acordado pela mãe. Fica claro que a aventura foi um sonho do menino e não um caminho real para chegar ao mundo da imaginação.

2)      Mesmo com as maravilhas do seu mundo interior, no fim, a aventura não dá certo, pois tudo fica escuro, já que ele não tinha mais o mundo exterior para alimentá-lo. Quando ele acorda do sonho, portanto, percebe o valor de viver a vida para além da imaginação. E isso fica claro no texto.

Contudo, se mesmo assim a família considerar o texto arriscado, não há problemas, basta não o incluir em seu acervo. Mas é necessário abrir-se para a possibilidade de outras pessoas interpretarem de maneira diferente. Outras famílias podem achar, por exemplo, que o livro fala sobre a beleza do mundo da imaginação que pode ser encontrada dentro de cada um, num equilíbrio imprescindível entre o mundo interior e o exterior.

Com esse ponto, ressaltamos a importância de o adulto acompanhar as leituras feitas pela criança e o grande valor da MEDIAÇÃO DE LEITURA e do DIÁLOGO. A literatura em sua essência não se propõe a ter finalidade educativa, obras literárias não devem ser compreendidas como obras didáticas. Em um livro de histórias (note bem: não nos referimos a didáticos ou paradidáticos), a narrativa impera e não há intenção de se ensinar qualquer coisa que seja. Bons livros nos levam a boas reflexões.

“O menino que espiava pra dentro” foi publicado em 1983 e não estamos cientes de qualquer relato de criança que tenha se inspirado na obra para cometer qualquer ato contra a própria vida.
E, mesmo que o livro abordasse um tema tão delicado (o que não acontece!), afirmar que ele faz uma  apologia ao suicídio é o mesmo que dizer que os contos das Mil e Uma Noites estimulam a violência ou que As Aventuras de Pinóquio incitariam à  mentira.

Trazemos a público neste momento, assim, nosso apoio à Ana Maria Machado e a tantos outros autores que têm suas obras mal interpretadas e nos posicionamos contra todo e qualquer tipo de movimento que possa afastar ainda mais a Literatura Infantil da sua vocação maior: a arte.

Daisy, Bella, Malu, Padmini, Paula e BrunaCarol, Maria Amélia, Gisele e CatheEunicia, Julia, Rosa, Anna, Nedjma, Emília, Alessandra e Nina – apoiadoras e estudiosas da literatura infantil. 

Lendo Com Bebês: Vida Real + Dicas

Tá aí uma coisa que todo mundo sabe que é importante, mas às vezes a gente nem sabe por onde começar. Como funciona, afinal, a leitura com bebês? Lá no canal tem vídeo com cenas e dicas reais sobre os desafios – e delícias! – de se ler com os bem pequenininhos!

  1. DIMINUA AS EXPECTATIVAS

Serião mesmo: apenas ZERE as expectativas. É delicioso, mas é desafiador ler com bebês. Por isso é bom começar tendo em mente que os bebês, especialmente aqueles que já estão engatinhando ou andando por aí, não vão parar quietos para ouvir histórias, como muita gente idealiza. É essa a forma de eles conhecerem e explorarem o mundo ao seu redor – inclusive os livros! – e se você esperar por um bebê quietinho e atento já aviso vai ser altamente frustrante.

Conforme a leitura se torna um hábito, o bebê, a criança vai entendendo que o momento do livro é um momento de escuta, e que se ele estiver concentrado nisso, a experiência é mais gostosa. Mas isso toma tempo! Até lá, acredite, você vai ler muito livro pela metade, vai conseguir ler apenas uma ou duas páginas, às vezes vai ter que ler a mesmíssima página toda santa vez por conta de alguma coisa que a criança encasqueta e curte ali…e ufa, é assim mesmo!

  1. AFETO E DEDICAÇÃO

Lembre-se que mais do que qualquer outra coisa nessa vida, ler é um ato de amor. No momento em que você está lendo com uma criança, seja ela um bebê ou uma criança maior, você está se entregando àquele momento, você tem que se entregar a ele. Não tem como ler com uma criança com um olho no celular, outro na televisão. Essa entrega é mais importante que qualquer livro que você tenha em mãos, é única. 

Falo isso de uma experiência muito pessoal minha, porque as minhas memórias leitoras, da minha infância, envolvem muito mais o carinho do momento, o aconchego da companhia dos meus pais, do que os livros em si. Procuro repetir o mesmo com meus filhos – é nossa pausa, é nosso momento. Por isso, entregue-se!

  1. LER TAMBÉM É BRINCAR

Uma das coisas mais maravilhosas que descobri quando o Fran era pequeno foi que ler era uma forma de brincar também! Nunca fui muito das brincadeiras, tenho umas amigas que são super criativas nas brincadeiras com os filhos, inventam altas coisas – eu não sou, não consigo. Por isso foi tão divertido perceber que os livros eram incríveis para brincar, para fazer caras e bocas, vozes, barulhos…e divertir as crias! Há livros que parecem que são mesmo um verdadeiro convite à brincadeira, como é o Tchim!, das Edições SM. O Livro Clap, da Companhia das Letrinhas, e o Shhh! Nós Temos Um Plano, da Rovelle, também são incríveis para ler e brincar muito!

  1. A HORA DE DORMIR

Assim como há livros para brincar, há livros para desligar da tomada – aliás, não há nada que permita mais isso do que um bom livro, ufa! Nessas horas curto apostar numa leitura mais musical, com mais poesia…às vezes até mesmo um poema! O “Tarde de Inverno”, Edições SM, é lindo de morrer, e parece que convida a gente ao aconchego, convida para um abraço. O “Quero Colo” (também Edições SM) também é assim, livrinho delicioso de se curtir junto das crias. E não, não é sempre que a gente tá disposto a ler na hora de dormir, nem mesmo as crianças. E tá tudo bem! Mas é sempre bom procurar criar o hábito, fazer disso rotina desde muito cedo. Aí quando falta leitura, parece que falta mesmo alguma coisa, é impressionante! 

  1. QUANTO ANTES, MELHOR

Nunca é tarde pra começar, mas quanto antes, sempre melhor! Ler para o recém-nascido, ler até mesmo pra barriga é uma ótima coisa a se fazer –  e as possibilidades são infinitas! Uma dica muito legal é investir logo numa edição bacana de contos de fadas clássicos. Não só porque são histórias fabulosas, mas porque é muito legal a gente conhecer cada uma dessas histórias para um dia poder recontar para nossos filhos – como faziam nossos pais, nossos avós.

Gosto muito da edição Contos de Fadas da Zahar – ela reúne contos de diversos escritores, como Perrault, Irmãos Grimm, Andersen, e diversas histórias: Chapeuzinho Vermelho, Bela Adormecida, A Pequena Sereia em suas versões mais antigas, além de curiosidades sobre cada uma delas. Esse é um livro que vai de fato crescer junto com a criança – vai ser lido, relido, ocasionalmente pesquisado. Quer presente melhor que esse?

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