Uma Lagarta Muito Comilona, de Eric Carle

Clássico infantil daqueles tem-que-ter para curtir com bebês é o “Uma Lagarta Muito Comilona”, do Eric Carle. Esse já passou por aqui um tantão de vezes – li muito nos primeiros anos do Fran e agora venho relendo com o Vini. É tão divertido!

A história da lagarta que nasce faminta e sai comendo frutas, pirulitos, salames e folhas verdes até virar uma linda borboleta tem tudo que os pequenos amam: repetição, interação e muita cor. As ilustrações em forma de colagem e todo o design do livro são super diferentes e curiosas – a obra foi lançada em 1969, e desde então colecionou prêmios por sua originalidade.

Por onde a lagarta passa, ela deixa um furinho – um furinho do tamanho dos dedinhos dos bebês, vale dizer, o que torna a leitura uma bela brincadeira! Essa versão é a cartonada: pequenininha, super resistente, dá pra ser explorada, mordida e descoberta pelos mais pequeninos sem grandes estragos – por isso é minha preferida. Problema é que aparentemente anda esgotada, super difícil de achar tanto em livrarias físicas como online. Por isso, se você encontrar uma cópia por aí, vale garantir. Além dessa há também a versão capa dura, de formato maior, a versão pop-up e outra cartonada, bem miudinha, que traz os nomes das cores (não a história em si). Todas saíram no Brasil pela editora Callis.

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O Paradeiro do Padeiro, de Marco Miranda

Se tem uma coisa pela qual tenho loucura é pão. Sério mesmo: viveria facinho de pão, manhã, tarde e noite. Acho que por isso consigo entender perfeitamente o desespero geral quando seu Francisco, o responsável pelo pão mais crocante da cidade, simplesmente desapareceu.

As beatas se puseram a fazer orações, o detetive logo convocou cães de faro, até a a escola teve de dar dispensa. Qual a graça de viver sem as broas, roscas e pães do tão querido padeiro? Passaram-se dias e numa fria madrugada a cidade foi acordada pelo cheiro que todo mundo conhecia – e que ah, que falta fazia!

Era seu Francisco de volta, com seu pão fresquinho! Seu paradeiro? Conto não – é surpresa! Essa história deliciosa, cheia de rima, eu conheci através da Gi, lá do Kids Indoors. Tive uma sorte danada: achei o livro a preço de pão francês, usado, na Estante Virtual. Veio com a etiqueta da dona anterior, mas encapado, inteirinho – e fez o maior sucesso com meu Francisco especialmente pelas ilustrações! São todas feitas de biscuit, repletas de detalhes – originais e graciosas como toda a história!

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Quando Você Não Está Aqui, de María Hergueta

Na capa, duas crianças sentadas: uma rabiscada de vermelho, a outra ao lado, o lápis aos seus pés. “Ele não gosta dela, né?!“, me disse o Francisco assim que pegamos os livros nas mãos. E eis que nosso personagem começa logo dizendo: “Eu gosto quando você não está aqui”.

É que quando ela não está por perto, ele pode tudo: é o rei da casa, sobra muito mais espaço na grande cama, todas as coisas dela são dele. E assim segue…é tanta coisa boa quando ela não está! É um egoísmo inocente, quem nunca sentiu algo parecido? Mas a tão feliz solidão logo se transforma: afinal, sem ela ali, de quem ele vai se esconder? Em quem ele vai botar a culpa? Quem vai lhe contar histórias?

O livro é todo na voz do garoto, e é lindo como é ele próprio quem vai descobrindo que com a irmã é tudo mais divertido – o final é uma graça, puro sorriso! Francisco terminou o livro constatando: “ele tá é com saudades!”. 

Lindíssimas também são as ilustrações da espanhola María Hergueta, que escreve e ilustra a obra. São aconchegantes, bonitas, numa muito original paleta de cores – há texturas, estampas, escondem detalhes! Muito mais do que um livro sobre a (às vezes nada fácil) relação entre irmãos, um livro sobre a descoberta da individualidade, da solidão, da saudade e das delícias de se compartilhar a vida. Surpreendente! Da Editora Pulo do Gato.

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