oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 6 anos, e vinícius, ainda bebê. seja bem-vindo! Leia mais



31 mar 2015

Para conversar um pouco mais sobre a morte: Harvey – Como me tornei invisível

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Destaques, Livros, Novidades e Lançamentos, Para Conversar Sobre a Morte, Para Refletir

Há exatos 5 meses eu e o Francisco sofremos uma grande perda: meu pai,  avô e figura paterna do Francisco, faleceu. Na época eu contei por aquiindiquei três livros que muito nos auxiliaram a conversar sobre esse assunto tão difícil, a morte. Foram livros que lemos e relemos muitas vezes, o que continuamos a fazer – e que sempre trazem novas perguntas do Francisco, conversas, dúvidas e às vezes até conforto.

Na semana passada tive a oportunidade de conhecer Harvey – Como me tornei invisível. Escrito pelo canadense Hervé Bouchard, é outro lindo livro infantil que trata do assunto. Nem preciso dizer o quanto me surpreendeu e emocionou – o assunto por aqui é muito recente, e ainda dolorido. Eu não sabia do que se tratava a história de Harvey – li sem nem antes ler a contra-capa, e de repente me vi mergulhando numa história emocionante, triste e bonita demais.

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O livro é todo na voz de Harvey – ele começa se apresentando, e apresenta também sua família: papai Bouillon, mamãe Bouillon, seu irmão mais novo Cantin. Ali, nessa apresentação, a gente já vai logo sentindo a solidão e angústia do menino e tomando fôlego para o que vem por ali. Harvey conta sobre o início da primavera e as impressões que sua família tem dela – para ele, é a estação em que suas botas ficam pesadas, seus cadarços frouxos, as mangas de seu casaco de couro se esticam. É a época em que ele fica invisível.

O ritmo é meio de quadrinho, meio de cinema, cena a cena: acompanhamos o dia em que Harvey, Cantin e seus amigos disputam uma ‘corrida de palitos’. Para o pequeno Harvey, é uma enorme disputa, “grande  final internacional dos quinhentos metros de daqui-até-ali”, e seu palito tem até nome: Scott Carré. É nesse dia que muita coisa acontece: Scott não vence a corrida, fica por último. Atrapalha-se em meio a um pedaço de gelo, resquício da neve, e acaba sendo o último palito a escorregar bueiro abaixo. É apenas Cantin, o irmão, quem espera o final da corrida junto a Harvey – e voltam os dois para casa, caminhando.

É aí que o coração aperta fundo: quando chegam em casa, encontram uma ambulância e muitos curiosos em frente à casa. As expressões nos rostos dos curiosos assustam – e então os garotos compreendem: papai Bouillon morreu. Harvey chega a ver o corpo, coberto por um lençol, entrando na ambulância – mas não consegue reconhecer seu pai. Então entram na casa, os três – os irmãos e a mãe, um a um. A angústia de adentrar a casa vazia fica clara nas ilustrações impressionantes de Janice Nadeau. Os detalhes das expressões individuais; a mãe pequenina diante de uma parede sem fim; a planta baixa da casa com cada um em seu canto, sozinho.

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Harvey, deitado em sua cama esperando um sono que não vem, recorda então a história de Scott Carré – o seu palitinho, o homem que encolheu. Scott é o personagem de um filme que de fato existe – um clássico da ficção científica, de 1957, chamado O Incrível Homem que Encolheu. Vítima de uma misteriosa nuvem que envolve seu barco, Scott vem a sofrer de um mal misterioso: começa a encolher, encolher, até um dia não ser visto por mais ninguém. É como Harvey se sente agora, sem seu pai: sozinho, minúsculo. 

Foi a parte do enterro que mais me tocou e me arrancou algumas lágrimas, admito. As impressões que os outros têm do cadáver, os comentários quanto à sua aparência, confundem e intrigam os irmãos. São imagens dispersas de um homem que não existe mais. Seu irmão corre ver o pai pela última vez no momento em que o caixão é fechado – mas Harvey prefere não fazê-lo (ele não alcança o caixão, essa é uma das razões). Termina no colo do seu tio, tornando-se, aos poucos, invisível:

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A leitura foi muito mais minha do que do Francisco – eu até li com ele, mas fomos até onde seu interesse permitiu. Então vimos as ilustrações uma a uma, observamos os detalhes, conversamos sobre o que era aquilo tudo (a parte da corrida dos palitos foi o que mais deixou o pequeno interessado) e o livro voltou para a minha mesa de cabeceira – mas é uma obra que quero certamente reler com o Francisco quando ele ficar mais velho. A indicação da editora é a partir dos 9 anos – mas tenho certeza que o livro vai emocionar muita gente grande também. Da editora Pulo do Gato.

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Era para eu ter participado ontem à noite da primeira roda de leitura do site A Taba, discutindo esse livro tão especial – esse é um daqueles livros que a gente termina e quer logo conversar sobre, e eu estava ansiosa para participar do bate-papo. Mas a vida é mesmo estranha: no domingo, foi meu tio quem veio a falecer. Tive que ir até Florianópolis para seu velório, e acabei não conseguindo voltar a tempo. Mas o bate-papo rolou, e foi lindo – já assisti hoje mesmo pela manhã, não resisti. Está disponível no youtube – imperdível pra quem quer se sentir conversando sobre o livro. Eu juro que me senti! 🙂


13 mar 2015

Madeline, de Ludwig Bemelmans

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Livros

No domingo fizemos umaa revolução na biblioteca do Francisco – era dia 8 de março, dia internacional da mulher, e eu propus uma brincadeira: separar, entre todos os seus livros, aqueles com protagonistas mulheres. Selecionamos vários livros bacanas – inclusive alguns que ainda não tínhamos dado a devida atenção. Um deles foi esse aqui, escondido no alto da estante – Madeline, do escritor Ludwig Bemelmans.

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Madeline é um grande clássico da literatura infantil universal – conta a história de uma pequena menina órfã que habita Paris. Valente e muito divertida, não devia ter ficado fora da minha lista de protagonistas garotas fortes. É a personagem de maior sucesso de Bemelmans – foram 7 os livros que ele escreveu e ilustrou dando continuidade à história da pequena. O primeiro foi escrito em 1939, e é esse que temos aqui, em inglês – nele, conhecemos o orfanato no qual vive Madeline e outras 11 meninas, todas cuidadas por Miss Clavel.

As 12 meninas vivem juntas, em duas filas: juntas comem, escovam os dentes, dormem, passeiam pela cidade de Paris. Madeline é a menor de todas, mas também a mais corajosa. Um dia tem que passar por uma cirurgia de apêndice – fica afastada do orfanato algum tempo, recebe visitas, morre de saudade. Mas fica tudo bem, ufa – o texto é fácil, gostoso de ler, repleto de rimas. São as ilustrações que mais encantam – em algumas páginas, só dá amarelo; em outras, muita, mas muita cor. A gente vai se surpreendendo página a página, reparando nos detalhes mais delicados – no final da nossa edição, aliás, há uma lista de lugares de Paris para se procurar nas ilustrações. A torre Eiffel está lá, a Opera, o Hotel des Invalides – é só olhar com atenção.

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O livro infelizmente não tem tradução no Brasil – a edição americana, de capa dura, é da Penguin Books. Uma dica que eu volta e meia dou por qui é comprar através do Book Depository – a livraria entrega no mundo todo sem cobrar taxa de envio. Só precisa ter paciência: às vezes os livros demoram meses para chegar!

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Texto e Ilustração: Ludwig Bemelmans

Editora: Viking Children Books – Peguin Books, 2012

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Esses livros bonitões e inspiradores que eu vou descobrindo por aí também vão aparecer lá na sessão Inspire-se, do Muralzinho de Ideias. 🙂


11 mar 2015

5 livros infantis com protagonistas garotas fortes (e muito divertidas)

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Destaques, Divertidos, Listas de Livros, Livros

Domingão foi o dia internacional da mulher. Dia repleto de homenagens, textos bonitos compartilhados no facebook e mensagens carinhosas – e aqui em casa, uma brincadeira: procurar, entre todos os livros do Francisco, aqueles com protagonistas mulheres. Fiquei orgulhosa: eram mais do que eu me lembrava, 13 no total! Pilha de livros devidamente colocadas do lado da cama, a missão então era reler todos no decorrer da semana – é o que temos feito. Já escolhi cinco deles, entre os preferidos, para dividir com vocês:

1. A PRINCESINHA MEDROSA

Para começar a lista, uma princesa: mas uma princesa bem diferente daquelas às quais estamos habituados. Nossa princesa aqui tem medo, muito medo: o primeiro deles, do escuro. Então ordena que todas as luzes do palácio e da cidade fiquem sempre acesas – e também o sol, que ele nunca parasse de brilhar. Mas seus medos não paravam por aí – ela também tinha medo da solidão, da pobreza. Ordenava então que tudo fosse ajeitado para que ela não sofresse – mas seus medos só aumentavam, mudavam de forma. Até o dia em que a pequena princesa se perde em um passeio e se depara com um menino que descansava depois de sua jornada de trabalho. Ela fica intrigada e resolve acompanhá-lo – e dessa amizade, aprende uma coisa valiosa: que seu único medo é do próprio medo. Aprende, enfim, a enfrentá-lo bravamente. O livro é pequenino, delicado como a história, escrito e ilustrado pelo sensível Odilon Moraes (é dele também o Pedro e Lua, que amamos). Da editora Cosac-Naify.

Não pode deixar de ler porquê: A princesinha se bate para entender que todas suas ordens e poderes não são suficientes para fazê-la feliz. Um amigo e um céu repleto de estrelas às vezes basta! É uma linda lição, e a edição é bonita demais.

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2. OBAX

Emprestamos esse livro da Biblioteca Pública do Paraná, na semana passada – foi uma surpresa linda, e não pude deixar de colocá-lo na lista de protagonistas fortes. A pequena Obax vive nas savanas africanas, e se tem algo que ela não sente é medo – ao contrário, aventura-se nas histórias mais mirabolantes. Ninguém da aldeia acredita em suas aventuras e ela se sente um tanto quanto sozinha, é verdade. Um dia, tropeça em uma pequena pedra que lhe parece um elefante – dali surge um amigo, Nafisa, elefante solitário que a acompanha por estradas sem fim, montanhas, rios e mares. O livro exalta o lúdico, o imaginário infantil, e a fantasia se mistura à realidade. As ilustrações são lindas, quentes, coloridas – remetem ao continente africano, à força do povos de lá. Escrito e ilustrado pelo pernambucano André Neves, publicado pela editora Brinque-Book.

Não pode deixar de ler porquê: As ilustrações são lindas demais, a história tocante. E o André Neves tem um livro mais bonito com o outro, só fui descobrir depois do Obax – impossível não se apaixonar por seus desenhos.

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3. MORANGO SARDENTO E O VALENTÃO DA ESCOLA

Em 2013 falei desse livro por aqui e contei de um belo trauma da minha infância: as aulas de educação física. Tudo porque eu morria de medo de jogar queimada (a gente chamava de ‘caçador’) – era o mesmo medo da nossa protagonista aqui, Morango Sardento. A ruivinha simpática não gosta de queimada porque é um jogo muito rápido e muito forte (e não é?) – e morre de medo das boladas de Pedro Bomba, o tal valentão da escola. Morango Sardento então tem uma ideia – cria um monstro imaginário, e se protege através dele. Até chega a levar uma bolada – mas nem sente! No final, acaba tornando-se amiga do (inicialmente) vilão. Um livro leve, divertido, que fala mais uma vez da importância do imaginário infantil e também sobre bullying. O livro é autobiográfico – a atriz Julianne Moore escreveu esse e outros livros para dividir com outras crianças algumas experiências de sua infância. No Brasil saiu pela Cosac-Naify.

Não pode deixar de ler porquê: É um jeito divertido de falar de medos, insegurança, bullying. Porque a Julianne Moore é uma atriz sensacional (ok, isso não conta). Porque a Morango Sardento é muito da bonitinha. Porque tem um monstro roxo divertido. Porque a criançada de 4, 5 anos adora!

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4. UM OUTRO PAÍS PARA AZZI

De um livro que rende boas risadas a gente pula pra um que faz pensar muito – e nos permite conhecer uma protagonista forte demais, a pequena Azzi. Com 10 anos de idade, Azzi foge, com parte de sua família, de um país em guerra. O trajeto difícil em um barco empilhado de outros fugitivos e a adaptação da nova vida em um país diferente é retratada nesse quadrinho – para Azzi, é tudo muito novo e assustador. Azzi de depara com uma nova língua completamente distinta da sua, com novos costumes, um pequeno apartamento e uma escola completamente nova. Mas o bacana é que a história vai tomando um rumo cheio de esperança até o final – é bonito de ver! O livro já passou por aqui antes, gosto demais dele. Escrito e ilustrado pela britânica Sarah Garland, foi publicado no Brasil pela editora Pulo do Gato.

Não deixe de ler porquê:  É importante, emocionante, atual. Para ler e conversar com as crianças e também adolescentes – gurizada já curte quadrinho normalmente, e esse aqui é bem especial.

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5. ATÉ AS PRINCESAS SOLTAM PUM

Rá, mas de jeito nenhum que eu faria uma lista de garotas fortes e divertidas sem colocar a Laura por aqui – é que a Laura é essa menina curiosa demais, protagonista de um dos livros mais divertidos que já nos passaram pelas mãos. Um dia ela faz uma pergunta para o pai: afinal, “as princesas soltam pum?”. Ele então vai até sua biblioteca buscar O Livro Secreto das Princesas e lá descobre: a Branca de Neve desmaiou foi intoxicada por seu próprio pum (culpa dos torresmo, repolho refogado e afins que os anões estavam habituados a comer), e a Pequena Sereia, adivinha? Aquelas bolhinhas na água? Tudo pum! O livro faz tanto sucesso entre a meninada que já virou até peça de teatro. Escrito por Ilan Brenman e ilustrado por Ionit Zilberman, da editora Brinque-Book.

Não deixe de ler porquê: Não existem princesas no mundo tão humanas e divertidas como essas do livro. Pra rir alto com as crianças!

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E você, tem algum livro preferido com protagonista mulher? Conta já! 🙂