Você Conhece? #04 – Isabel Minhós Martins

Quem me acompanha por aqui há tempos já tá cansado de saber: a portuguesa Isabel Minhas Martins é uma das minhas escritoras preferidas na literatura infantil.

Agora, por que será? O que têm seus livros de tão especial? E afinal, quais os preferidos? Pois tá tudo nesse vídeo ca-pri-cha-do e cheio de amor. O novo “Você Conhece?” tá no ar, só clicar aqui! 🙂

Os Figos São Para Quem Passa

Lá na Flip (onde estive participando de uma mesa sobre curadoria e passando um nervoso sem precedentes, PELAMOR) tive a chance de conhecer muita gente de perto, como a Luísa, da Edições Chão da Feira . O encontro foi rápido, o abraço apertado – a editora tem um trabalho muito bonito! “Os Figos São Para Quem Passa” é sua primeira publicação para os pequenos.

esse título, gente! <3

No começo de tudo

Essa história (que já encanta pelo título) começa lá nos primórdios, quando o mundo era só um, ninguém pertencia a nada e nada pertencia a ninguém. Nessa época os animais circulavam sem destino, planos, agenda ou coisas para carregar. Almoço, então, nem pensar! Pelas estradas sempre aparecia um fruto maduro, pronto para alimentar quem por ali passasse. Ou verde para alimentar quem passasse nos dias seguintes – o que, aliás, fazia com que nunca amadurecessem todos ao mesmo tempo, tão sábia a natureza!

Um dia algo mudou: um urso encontrou uma árvore com figos – todos verdes, não fosse um quase maduro. Resolveu esperar. Não demoraria mais que um dia para que o fruto ficasse a ponto de pingar mel, exatamente como ele gostava! Mas uma raposa, um par de pássaros e uma pequena lagarta transformam a espera do urso – fazem ele passar alguns apuros e também o fazem pensar. E fazem o mesmo com o leitor!

Mudanças e Adaptações

Ilustrado por Bernardo P. Carvalho e escrito por João Gomes de Abreu (do maravilhoso “A Ilha”, aliás!), o livro foi publicado em Portugal pela Planeta Tangerina, em edição que voou para cá recentemente comigo. Não vou dizer que não faz falta a capa dura, a textura e cor do papel, a diagramação e até mesmo a fonte da original – mas entendo os custos e dificuldades para se produzir um livro assim.

O que me intrigou foi a “adaptação” do texto, como uma simplificação. Nada que mude o sentido da história, mas que (na minha modesta opinião) tira um bocado da poesia, da beleza da narrativa. Tem uma foto abaixo, de apenas um trechinho, para vocês também compararem – e pra gente poder discutir isso melhor, que juro, hoje me deixou com a pulga atrás da orelha. Era mesmo necessário, será? Ainda assim: é um livro lindo, divertidíssimo, muito atual. Feliz por tê-lo finalmente ao nosso alcance! 😉

à esquerda a publicação da planeta tangerina; à direita, da chão de feira

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Como e Por Que Ler Os Clássicos Universais Desde Cedo

De Um Livro Para Todos Os Outros

Ana Maria Machado é especialmente conhecida (e admirada!) por seus livros infantis e juvenis – mas já publicou também muita literatura adulta e teórica. “Ponto de Fuga”, por exemplo, traz uma coletânea de ensaios da autora sobre leitura e literatura. Instigante e imperdível, é um livro que risquei e rabisquei durante toda a leitura, tantos os trechos e referências que mereceram destaque.

Mesmíssima coisa aconteceu com esse aqui: “Como e Por Que Ler Os Clássicos Universais Desde Cedo” é um livro provocante. Provoca vontade LOUCA de ler, basicamente. De correr imediatamente atrás dos clássicos, de apresentar desde muito cedo às nossas crianças o que de mais bonito a humanidade já produziu.

A forma como a autora conduz suas sugestões é deliciosa – ela compartilha suas impressões, memórias, justificativas e de fato orienta como ler boa parte desses livros já com os pequenos. Sugere adaptações, traduções, e acima de tudo: reforça a importância de ler criticamente e de forma contextualizada cada uma dessas obras.

Sinceramente, é um livro que queria ter lido antes e que sugiro a todos os adultos, sem exceção: pai, mãe, professor – para ler com lápis, caneta e marcador em mãos! 😉

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