oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 6 anos, e vinícius, ainda bebê. seja bem-vindo! Leia mais



15 dez 2014

blog novo – de novo!

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E mais!

Ufa, agora sim, venho aqui justificar minha longa ausência: o blog mudou. Os Livros de Francisco agora é A Cigarra e A Formiga, minha gente. Sejam bem-vindos!

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Explico: eu fiz Os Livros de Francisco para falar sobre os livros que eu lia com ele, basicamente. Mas aí a coisa foi crescendo. Comecei a falar sobre outras coisas do universo infantil, de atividades, brinquedos, discos, viagens e além – e pretendo continuar falando sobre tudo isso. Achei que convinha mudar o nome – além do mais, cá entre nós: não aguentava mais confundirem os livros com os filhos de Francisco, aquele do Zezé di Camargo e Luciano. Pois é.

Então escolhi A Cigarra e A Formiga por ser uma das minhas fábulas preferidas. E ficou essa lindeza toda, irresistível. Tá mais fácil de pesquisar pelos livros e também por tudo mais, tá mais interativo e mais divertido. Aliás, pode navegar por aí e me contar o que achou. E boa leitura!

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Eu até tentei mudar o nome da antiga página no Facebook, mas não deu. Fiz uma página nova então: corre lá curtir A Cigarra e A Formiga no Facebook pra ficar por dentro das atualizações. O instagram deu certo, consegui mudar – se você já seguia o @oslivrosdefrancisco, agora virou @acigarraeaformiga. Se não, aproveita pra seguir já! 🙂


3 dez 2014

para ler, pintar e bordar: o livro com um buraco

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Livros

Semana passada chegou nosso livro do Clube de Leitores d’A Taba – quer dizer, chegou o livro do Francisco, porque o correio vem em nome dele, coisa mais bonitinha. Foi uma surpresa assim que o livro saiu da embalagem – um buraco? “O livro tem um buraco!” – pois não só tem, como o nome  dele é esse: “O Livro com Um Buraco”.

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Não é um livro de enredo, história, nada do tipo – é quase um caderno de atividades. Mas um caderno de atividades completamente diferente e inusitado (e lindamente editado). O buraco, que na capa é “meio-buraco”, faz parte de um universo diferente a cada página virada. De cara, me lembrou os livros de passatempo da minha infância – eu adorava brincar com eles, desenhar e pintar aquele monte de página cheia de atividades. Geralmente eram da Turma da Mônica ou algo parecido – eram os almanaques de férias, e saíam bem nessa época. Rendiam boa diversão.

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já viram uma flor com cara mais peralta? pois então.

 

Aqui as brincadeiras vão além do papel e caneta – o livro vira moldura para o rosto (dá pra virar uma flor, um rei, o protagonista da televisão), cesta de basquete para acertar bolinhas de papel ou uma boca gigante na qual nossos dedos viram os dentes. Outras páginas sugerem brincadeiras do tipo encher um prato de comida que está vazio (aqui a gente brincou com massinha) ou construir prédios com papel ou bloquinhos no buraco. Como é todo em preto-e-branco, dá pra colorir também, sem medo de ser feliz. É um livro pra brincar e bagunçar.

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O livro, lançado em agosto aqui no Brasil, é editado pela Cosac-Naify. É obra do artista francês Hervé Tullet – cara de jeitão divertido, todos seus trabalhos seguem esse estilo cheio de humor e interatividade. No Brasil tem outros dois livros lançados por editoras diferentes: o Sem Título, que brinca com os bastidores da elaboração de um livro infantil, e o Aperte Aqui, também interativo e bacana para crianças pequenas (já fucei em uma livraria uma vez – é bem diferente!).

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depois de montado o prédio mais alto, a gente pintou a cidade toda 🙂

A gente gostou demais do Livro com Um Buraco por aqui – tem bem jeitão de férias, pra levar na viagem e ler e brincar em turma. Uma ideia legal de presente de Natal, aliás. Bem diferente e divertido!


28 nov 2014

para conversar sobre a morte: três livros (um digital) para ler com as crianças

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Livros Digitais e Aplicativos, Para Conversar Sobre a Morte, Para Refletir

Olha aqui eu de volta, depois de semanas ausente – mas pera, explico: o blog vai mudar, e em breve. Vai mudar de nome, de cara, vai mudar bastante – então posso dizer que estamos trabalhando para melhor atendê-lo. Lógico que o principal não vai mudar: vou seguir compartilhando minhas leituras e experiências com o Francisco. Aliás, é muito legal o quanto algumas leituras, alguns posts que publico aqui, geram conversas e longas trocas de email.

Na próxima sexta vai fazer um mês da morte do meu pai. Na minha última passagem aqui pelo blog fiz um post grandão sobre O Menino Maluquinho e sobre o quanto o livro e o filme vem nos ajudando, a mim e ao Francisco, a superar essa recente e dolorosa perda. O que eu não esperava era o retorno tão bacana que teria com o post – gente que comentou aqui, no facebook, que escreveu para mim com coisas bonitas e dicas de livros para falar justamente sobre o assunto: a morte.

É um tabu, não adianta – ninguém gosta de conversar com as crianças sobre assuntos difíceis. Mas é necessário, não tem jeito – e quanto maior o diálogo, mais fácil fica depois. Eu percebo isso bem claramente aqui em casa. Como a gente já acompanhava a doença do meu pai há alguns meses, houve a chance de “se preparar” para a morte. Entre aspas porque ninguém se prepara de verdade para ela, não adianta – é sempre triste, doloroso, vazio. Mas uma boa aliada é a literatura, como sempre. Existem bons livros infantis que tratam do assunto – alguns de forma mais lúdica, outros mais diretamente. O importante é que abrem caminho para essa difícil conversa – e acabam tornando as coisas mais fáceis.

Separei três livros que por aqui têm nos dado bastante amparo nesse momento. Três livros infantis que tratam lindamente sobre a morte:

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1. PEDRO E LUA

Desse livro eu já falei por aqui algum tempo atrás – mas é tão bonito que eu me permito falar de volta, não me aguento. Na história do menino Pedro, rapazinho apaixonado pela lua, a morte surge com bastante sutileza. Não é dita assim, como conhecemos – mas está lá. Aqui, quem parte é a Lua, a zmiga tartaruga de Pedro. É bonito demais todo o processo no qual ele a encontra, se apega a ela e um dia a vê partir.

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Lá no post antigo que eu fiz sobre o livro eu não quis contar o final – porque é justamente esse, um dia ele volta pra casa e encontra só o casco da tartaruga. O final é inesperado e bastante triste – mas de uma delicadeza só:

“Deu dor no coração ver Pedro com saudade da amiga.

De noite, foi levar o casco de Lua para junto das pedras.

Lá, descobriu que tartaruga também tem saudades.

Lua tinha mudado de casa. Voltou para a sua.”

Acho especialmente bonito o ritual que o menino elabora: leva o casco da tartaruga para junto das pedras, acreditando que ela segue seu caminho. Sua amiga no fundo permanece, mas invisível. Fica a saudade e a lembrança. Tanto o texto quanto as ilustrações são de Odilon Moraes, e a edição é da Cosac-Naify. O texto é enxuto e curto, mas tem jeito de poesia; as ilustrações são em preto e branco, com ar de esboço, rabiscos a giz e sombra. Mais um detalhe: a capa, repleta de estrelas, brilha no escuro – um livro da cabeceira, pra admirar, ler e reler.

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2. O PATO, A MORTE E A TULIPA

Diferente do livro anterior, aqui a morte está clara – ela está no título e tem aquele jeitão de morte que a gente teme, com corpo comprido e cabeça de caveira. Mas essa não dá medo não – é engraçado dizer isso, mas é quase reconfortante como a morte aqui é tratada.

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Um dia, o pato para e pergunta para aquela senhora-caveira o que ela faz andando atrás dele. Já há algum tempo que ele não vinha se sentindo bem. Ela explica quem é, deixa o pato intrigado. Mas dali surge uma espécie de amor e de amizade. É como se a morte, cheia de paciência, fosse acostumando o pato com a ideia de que ele está partindo, toda carinhosa. Eles passeiam, têm longas conversas, dormem abraçados. Gosto especialmente de quando o pato sobe com ela em uma árvore e observa o lago:

“Lá de cima dava para ver o lago. 

Tão tranquilo – e tão solitário.

‘Vai ser assim quando eu estiver morto’, pensou o pato. 

‘O lago, sozinho, sem mim.’

Às vezes, a morte podia ler pensamentos. 

– Quando você estiver morto, o lago também não vai mais estar lá – pelo menos não para você.”

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Depois de passeios, conversas (a morte se vê respondendo diversas perguntas) e abraços, o pato morre. Aí é de apertar o coração com tanta beleza: a morte o carrega até o lago, ajeita suas penas. Deita-o sobre a água e coloca uma tulipa sobre seu corpo. Sente quase uma tristeza ao vê-lo partir – mas então pensa: “é a vida”.

Foi essa a história que mais incentivou perguntas e conversas sobre a morte aqui em casa. O Francisco, logo na primeira vez em que lemos o livro, me perguntou: “mãe, me diz uma coisa: você é a morte?”. Eu disse que não, “por que você achou isso?”. A resposta dele: “porque você me disse que ia enterrar o vovô”. Expliquei que era o corpo que enterrávamos – e que dali esse corpo viraria árvore, rio, estrela.

Alguns dias depois o Francisco volta da aula me dizendo: “eu vi o vovô hoje, lá na escola”. Perguntei onde. A resposta dele: “em um passarinho”. Acho que entendeu bem, do seu jeitinho, o ciclo da vida. Vovô segue, mas em outra forma, de outro jeito. É a vida, como diz ali a própria morte. O livro é ilustrado e escrito pelo alemão Wolf Erlbruch, e no Brasil a edição é também da Cosac-Naify.

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3. ES ASÍ

Esse aqui foi uma surpresa. Baixei o aplicativo porque fiquei curiosa com as ilustrações  – não esperava que fosse descobrir ali um livro tão bonito! Es Así trata da morte de um jeito simples, sem firula alguma. Trata mesmo é do ciclo da vida – todos nascemos e morremos. É direto, como o título: afinal, “é assim”.

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Mas a delicadeza está em toda parte: o livro é delicado nos traços, nas cores, nas expressões dos personagens, nos mínimos detalhes. Na história, é pura simplicidade. Começa logo assim (em uma tradução livre minha):

“Alguns já partiram.

O gato do vizinho, a tia Margarida, o peixe da sopa de ontem.

Outros chegarão.”

E segue. Minha parte preferida é uma na qual os que vão se cruzam no ar com os que estão chegando – se desejam felicidade e seguem seu caminho. Me emociono com ela. O texto é pouco, mas basta – ficam nas ilustrações o monte de detalhes e segredos. Essa é outra coisa bacana: o livro permite bastante interatividade. A sopa que se termina, o cumprimento dos que se encontram, dá para tocar e brincar. O Francisco se diverte – cada página tem que ser amplamente explorada, nenhum canto sai despercebido.

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Uma coisa: só em espanhol e em inglês. São as únicas opções – uma pena não ter também português. Aqui em casa a gente ouve em espanhol – é bem fácil de entender e a narração é bonita demais para os ouvidos. Tanto o texto quanto as ilustrações são da chilena Paloma Valdivia. O livro digital, disponível para Ipad, custa cerca de 5 dólares na loja da Apple.

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