5 livros divertidos para dar risada

O papo do último vídeo foi um tanto quanto sério – então agora é vez de descontrair mesmo, sem medo de ser feliz. Aproveitando as férias de inverno que já chegaram pra muitas crianças, escolhi cinco livros super divertidos para fazer todo mundo dar risada – a seleção tá bacana, ó só:

1. DEIXEI O PUM ESCAPAR

O cachorro Pum já apareceu algumas vezes aqui no blog – é que ele é engraçado demais e o Francisco adora suas histórias e bagunças sem fim. Desde o primeiro livro, o “Quem Soltou o Pum?”, a gente adquiriu todos os livros impressos (são três) e o digital. Leu e releu infinitas vezes – e não adianta, todas as vezes o Fran ri alto. É que o trocadilho do cachorrinho Pum é uma das sacadas mais engraçadas e divertidas da literatura infantil, sem brincadeira – eu desafio a criançada a ler esse livro sem esboçar pelo menos um sorrisinho. Aqui, nesse livro, o Pum vai passear no parque. A idéia é soltar o Pum lá, porque ao ar-livre ninguém reclama, né? Mas o Pum escapa – e foge para longe. Aí é só desespero, tia Clotilde e família buscando como podem o cãozinho. Mas no final dá tudo certo – ele volta, e ainda traz companhia. Da Companhia das Letrinhas.

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2. ATÉ AS PRINCESAS SOLTAM PUM

No ano passado eu fiz uma lista de 10 livros bem legais pra presentear a criançada no Natal, lá no Vida Materna – esse era um deles! É um livro que eu adoro dar de presente pra meninada que curte princesas e afins – tem todas as princesas que as crianças piram, mas com um diferencial bem engraçado: aqui elas também soltam pum. A menina Laura vem perguntar para seu pai se é verdade esse papo: as princesas também soltam pum, pai? Então lá vai o pai atrás de um volumoso livro cheio de respostas inesperadas. E não é que sim, as princesas também soltam pum, como a gente? E não apenas isso; aqui a gente descobre que as badaladas do sino da meia-noite ajudaram Cinderela a disfarçar um acidente daqueles, por exemplo. E a Branca de Neve desmaiou foi com um pum tóxico, e não com a maçã, como dizem os contos de fadas por aí. Pra rir mesmo! Escrito por Ilan Brenman, publicado pela Brinque-Book.

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3. MAX, O CORAJOSO

A história do gatinho Max fez o Francisco rir um bocado – é que o Max é esse gatinho fofo e bonitinho que não quer mais ser visto assim. Ele quer ser visto com um muito corajoso caçador de ratos – coisa que tá bem difícil, porque olha, nem saber o que é um rato ele sabe. Então o Max sai em busca do tal rato – pergunta pra peixe, passarinho, coelho, elefante: você é um rato? Quando de fato ele se depara com um rato, esse, muito esperto, diz que é na verdade um monstro – e aponta ali para o que segundo ele é um rato. Só que ele aponta para o montro, e aí o Max se dá um bocado mal, claro. O livro é engraçado e hiper-colorido – cada página é de uma cor diferente, e a leitura é colorida e muito divertida. Escrito e ilustrado por Ed Vere, publicado aqui no Brasil pela Companhia das Letrinhas.

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4. O GATO, O CACHORRO, CHAPEUZINHO, OS OVOS EXPLOSIVOS, O LOBO E O GUARDA-ROUPAS DA VOVÓ

O título é longo, mas não vale se intimidar com ele não – o livro é divertido e muito diferente! O gato, sentadinho muito confortável, tenta ler a história da Chapeuzinho Vermelho. Mas quem disse que consegue? O cachorro interrompe querendo saber coisas do tipo: qual o poder dessa chapuzinho? Cadê ovos explosivos, cadê raio de bondade – ele quer é uma história cheia de aventura e ação. E também quer entender porque, por exemplo, o lobo-mau já não come mesmo a chapeuzinho, porque tem que ir atééé a vovozinha – e faz mil perguntas. É divertido o jeito como a conversa acontece, as ilustrações misturadas ao texto, lembra quadrinho. Daqueles livros que exigem altas vozes, barulhos e emoção na hora da leitura, divertido demais! Da editora WMF Martins Fontes.

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5. PRESOS

Já falei desse livro por aqui quando indiquei livros infantis em inglês que a gente curte. A boa notícia é que tem edição do livro por aqui, e olha, esse é um dos livros mais divertidos que já nos passou pelas mãos, sem brincadeira. Um garotinho prende a pipa em uma árvore, enquanto brinca. Pra tirar a pipa de lá, ele joga seu sapato favorito…que fica preso também. Aí o outro pé do sapato pra tirar o primeiro, o gato pra tirar o segundo, uma escada para tirar o gato, um balde de tinta pra tirar a escada – e bem, aí dá pra imaginar a bagunça que a árvore vira. É engraçado porque ele joga as coisas mais absurdas, como um navio, um orangotango e até um caminhão de bombeiros – mas no final dá tudo certo, pelo menos pra pipa. Ela é resgatada, mas fica tudo lá, preso – é muito engraçado! As ilustrações do Oliver Jeffers são divertidas demais, o livro é uma delícia de ler. Imperdível, de verdade!

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7 livros para conversar sobre a morte e outros assuntos difíceis

Uma das coisas que descobri desde que me apaixonei junto com o Francisco pela boa literatura infantil é que ela tem um poder especial: consegue deixar mais leve os assuntos mais difíceis. A morte é um deles – já falei algumas vezes sobre livros que muito ajudaram a abordar e procurar entender esse assunto por aqui. Aqui, sete livros mais do que especiais, que aqui em casa renderam leituras e conversas:

1. HARVEY – COMO ME TORNEI INVISÍVEL 

Já fiz um textão longo sobre o Harvey aqui, na primeira vez que li o livro – foi uma supresa enorme, não imaginava o que me esperava ali dentro. Esse é um livro pra crianças mais velhas, acima de 9 anos, pela indicação da editora – mas é um livro pra emocionar muito adulto também. Na história, o menino Harvey e o irmão Cantin perdem o pai. Chegam em casa depois de brincar e deparam-se com a ambulância levando o corpo, a mãe as prantos – e então Harvey (o livro é na voz dele) tem que lidar com a ausência do pai. Entrar em casa, encarar o ambiente vazio (Harvey, entre outras coisas, não entende como o carro do pai ainda está na garagem se ele não está lá), a solidão da primeira noite. Harvey vai se sentindo pequeno sem o pai, se tornando invisível. As ilustrações acompanham a história lindamente – e ao folhear o pequeno livro, a sensação é de estar acompanhando um filme. Emocionante, triste, bonito demais. Da editora Pulo do Gato.

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2. A PRECIOSA PERGUNTA DA PATA

Esse livro me foi indicado quando falei aqui pela primeira vez sobre o assunto, a morte – e foi um dos mais bacanas que li com o Francisco. É um livro bacana de ler com os mais pequenos (no site da editora a indicação é a partir de 1 ano) – na primeira vez que lemos, o Francisco acompanhou atento, fez várias perguntas e terminou com um sorriso. Lemos algumas noites seguidas, a pedido dele, e conversamos sobre o que será que acontece quando morremos (o Francisco jura que o vovô virou passarinho, e que já cruzou com ele na escola). É essa a tal pergunta da pata: ela acaba de perder um filhotinho, e comparece a uma reunião onde os bichos debatem assuntos difíceis querendo saber isso, para onde vamos quando não estamos mais aqui. Cada um dá sua resposta, conforme o que imagina – o rio vai virar mar, o sol não vai sentir mais tanto calor, o rato voltará enorme como um elefante. Apesar do assunto difícil, o livro é leve, fácil de ler. Escrito pela belga Leen van den Berg. Nossa cópia emprestamos da Biblioteca Pública – devolvi o livro com um aperto no coração, admito! Da Brinque-Book.

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3. O PATO, A MORTE E A TULIPA

Outro livro que já passou por aqui antes – e esse faço questão de trazer de volta, porque foi um dos livros mais importantes que já passaram pelas nossas mãos. Também, assim como o livro aqui em cima, fez a gente conversar um bocado. Um dia o pato percebe que há uma senhora caveira andando junto dele  – já fazia tempo que ele não se sentia muito bem, e ele resolve perguntar o que ela faz por ali. Ela então responde que é a morte – e diz que anda por perto, na verdade, desde que ele nasceu, mas que agora é hora de levá-lo. O pato fica inconformado, não quer ir embora – e a morte, com muita calma e paciência, vai o acompanhando e respondendo suas perguntas. Os dois se tornam amigos próximos – chegam a dormir abraçados, o pato aconchegado à morte. Até que ele não acorda – e aí, o final, me emociona sempre: a morte deita o pato sobre o rio e dá um leve empurrãozinho. Por pouco não fica triste – mas pensa: assim é a vida. Escrito e ilustrado por Wolf Erlbruch, publicado no Brasil pela Cosac-Naify.

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4. A GRANDE QUESTÃO

Esse é outro livro de Wolf Erlbruch, o autor e ilustrador do livro aí em cima, O Pato, A Morte e a Tulipa – e vou contar, é muito difícil não não se encantar pelas obras do alemão! Aqui, a grande questão é a pergunta: afinal, por que estou aqui? A cada página dupla, um personagem diferente responde. O gato tem sua resposta, o soldado, o coelho – e também o pato e a morte, ali, do livro anterior. Algumas são cômicas, outras emocionam, todas são criativas demais e acompanham uma ilustração divertida. O comilão diz: “você está aqui para comer bem, aí está o porquê.”; a pedra: “você está aqui para confiar”; a morte: “você está aqui para amar a vida”. Tão bonito! Também da Cosac-Naify.

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5. FICO À ESPERA

Foi o pessoal da Biblioteca Pública quem me indicou esse livro, e emprestamos também ele de lá – eu conhecia o Davide Cali do livro “O que é o Amor?” e do “Um Dia um Guarda-Chuva”, ambos portugueses. Que livro diferente! Primeiro, o formato: tem a forma de um envelope, retangular – deixa logo a gente curioso. Dentro dele ilustrações delicadas e um fio de lã vermelho, que percorre o livro todo e acompanha a vida de um garoto: sua infância, adolescência, fase adulta e velhice. Cada momento, uma espera: ele está à espera e crescer, do beijinho de dormir, da partida do trem, da guerra, do nascimento do filho. Uma leitura deliciosa. Ilustrado pro Serge Bloch, publicado pela Cosac-Naify.

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6. EU ME PERGUNTO…

Se o livro “A Grande Questão” traz as respostas mais divertidas, O “Eu me pergunto…” traz perguntas, e as mais difíceis perguntas – e cabe a nós conversar e procurar as respostas. O que é o tempo? Tudo que já aconteceu desaparece para sempre? Foi Deus quem criou os seres humanos? Ou fomos nós que criamos esse Deus em nossas cabeças? – essas são algumas delas. Um convite a à filosofia, para ler com crianças mais velhas. Escrito pelo norueguês Jostein Gaarder, o mesmo autor de um livro que muita gente curte demais: O Mundo de Sofia. Publicado pela Companhia das Letrinhas.

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7. O ANJO-DA-GUARDA DO VOVÔ

Arrisco dizer que esse é preferido do Francisco, aqui dessa lista – especialmente porque ele se reconheceu na história do garotinho do livro, que ouve atento histórias do vovô, deitado na cama do hospital. As ilustrações e o texto se complementam, e está nos desenhos um detalhe precioso: o avô vai contando do que já fez durante a vida, das coisas que aprontou, do que passou. Mas em cada situação de perigo pela qual ele passa, um anjo o acompanha, zelando pela sua vida: segura um ônibus que quase o atropela, ajuda ele a carregar peso, afasta nuvens chuvosas, até faz papel de cupido. No final, o vovô fecha os olhos – e seu anjo agora segue acompanhando o netinho, sem que ele perceba. É de encher os olhos de lágrimas a cada leitura, encher o coração de saudade, mas também de conforto. Mais um livro lindo e tocante da alemã Jutta Bauer, a mesma autora e ilustradora do Mamãe Zangada. Publicado pela Cosac-Naify

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10 livros-imagem essenciais – Parte 2

Oba! Continuando a lista de 10 livros-imagem lindos de morrer, seguem os 5 que faltavam – ah, pra saber o que são esses livros e quais os cinco primeiros, só ver o post anterior (o vídeo já deixei aí embaixo pra facilitar a vida). Bora? Só coisa linda!

6. BÁRBARO

Era do Renato Moriconi o primeiro livro da lista, e é dele o sexto também. Os livros dele têm esse jeitão divertido, super criativo – esse aqui, Bárbaro, é inacreditavelmente legal. Um guerreiro sobe em seu cavalo e começa uma enorme aventura: em uma página enfrenta pássaros agressivos; na outra, uma lagosta-leão (é o Francisco quem diz que é uma lagosta-leão – eu juro que é um escorpião); na próxima, plantas carnívoras. Só que no final, ele cai aos prantos – surge uma mão gigantesca pegando ele e aí a gente descobre: é tudo uma brincadeira, a imaginação dela voando longe enquanto brinca em um carrossel. Ele vai embora chorando, junto com o pai – o Francisco AMA (assim, em caixa alta mesmo) essa história, e é sempre ele quem lê para mim. Eu ouço atenta a cada leitura, sempre diferente, sempre mais criativa, sempre cheia de perguntas. Posso dizer que é um livro indispensável? Da Companhia das Letrinhas.

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7. TEM LUGAR PARA TODOS

Outro livro que reserva uma supresa no final, outro livro divertido. Uma fila de animais segue – começa com os insetos, minhocas, um gafanhoto – ao folhear as páginas, a gente vai acompanhando todos eles. Alguns inclusive surgem metade no final de uma folha, outra metade no início da outra – o que faz o livro parecer um desenho animado, um filme ao decorrer da leitura. E seguem: coruja, chacal, javali, elefante – para no fim entrarem todos na arca de Noé. A última imagem é muito engraçada, todos os bichos apertados, preenchendo todo e qualquer espaço da arca. As ilustrações do italiano Massimo Caccia têm linhas grossas e definidas, os bichos carinhas divertidas – bem legal de ler com os pequeninos! Publicado pela Pequena Zahar.

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8. O LIVRO DO CONTRA

Pensa num livro nonsense – pronto, tá aqui. Nunca vi livro parecido – nem tão nonsense, nem tão divertido! Eu adoro esse jeitão retrô dele: aquete rato meio Mickey Mouse dos anos 30, a chapeuzinho vermelho toda clássica, as linhas grossas. Mas nada aqui está como se espera: cada página esconde mil surpresas, mil coisas acontecendo ao contrário. Em um museu, os dinossauros visitam o esqueleto de um ser humano; na página seguinte, é um homem quem nada trazendo um pedaço de pau ao cachorro. No circo as coisas também estão ao contrário, na neve há bichos da savana, na fonte da juventude entram bebês e saem velhinhos. Pra passar horas reparando em cada detalhe, delícia de ler junto! Do artista alemão Atak, editado por aqui pela Companhia das Letrinhas.

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9. UM DIA, UM CÃO

Na primeira vez em que li esse livro com o Francisco, meu coração ficou apertado. É triste, mas é muito bonito. A história é aquela à qual infelizmente a gente vê todo dia – um cachorrinho é jogado de um carro, abandonado na estrada. Ele até tenta correr atrás dos antigos donos – mas não adianta, fica sozinho, e se depara com mil dificuldades. No final encontra um protetor – essa é a parte boa, ele termina com um amigo. Mas é interessante demais ver o desenrolar da história toda e impossível não se impressionar com as ilustrações de Gabrielle Vincent. É muito movimento com apenas grafite em papel branco – assim como não há palavras no livro, também não há cor. É lindo, super comovente – para ler, reler e (por que não?) aproveitar o gancho: conversar sobre o quanto é importante proteger e amar os bichinhos. Da editora 34.

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10. MR. WUFFLES

Agora é a vez dos gatos: de um gato só na verdade, o Mr. Wuffles. Aqui em casa a gente curte histórias malucas, e essa é uma verdadeira viagem: o gato Mr. Wuffles não dá muita bola para seus brinquedos, mas um chama sua atenção. É uma navezinha espacial, no caso, de verdade – dentro dela, alienígenas verdes bolam desesperados um plano de volta. Quer dizer, é o que a gente acha, já que como um bom livro-imagem, não tem texto algum – só umas conversas dos próprios alienígenas, em códigos. É divertido tentar decifrar o que os coitados tanto planejam (ainda bem que alguns insetos ajudam, numa amizade um tanto quanto inesperada). O livro tem aquele jeito de quadrinho que eu já contei tantas vezes que o Francisco adora: cada quadradinho, um acontecimento. Livro repleto de ação e aventura, pra agradar crianças e adultos divertidos, com ilustrações lindas demais –  o livro já recebeu diversos prêmios por elas. Criado por David Wiesner, o livro é editado nos Estados Unidos pela Clarion Books. Não tem edição no Brasil – o nosso a gente comprou pela The Book Depository.

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