oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 6 anos, e vinícius, ainda bebê. seja bem-vindo! Leia mais



18 jun 2014

um dia, um guarda-chuva…

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Livros

Tá aí, um dos muitos livros novos portugueses que eu trouxe – foi o Francisco quem escolheu qual eu deveria mostrar primeiro pra vocês. Eu achei a escolha ótima – sou especialmente apaixonada pelos livros dessa editora, a Planeta Tangerina. Já falei de alguns por aqui como Meu Vizinho é Um Cão, meu livro do coração (rimou). Esse aqui, Um dia Um Guarda-Chuva… conta a história de (obviamente) um guarda-chuva:  aquela história, quem nunca perdeu um guarda-chuva nessa vida?

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Quando li com o Francisco pela primeira vez, me lembrei do meu avô. Ele volta e meia contava uma história de um guarda chuva de estimação que ele tinha (pois é, ele tinha uns objetos esquisitos de estimação: guarda-chuvas, pijamas, tranqueiras do Fluminense). Era um guarda-chuva preto, comum – mas ele gostava tanto do dito cujo que amarrou uma fita colorida no topo dele, para nunca perder. Mas um dia perdeu, esqueceu no trabalho, na época o IAPI. Alguns dias depois, saindo de lá, caía uma chuva daquelas – um colega veio de guarda-chuva perguntar se ele queria carona. Ele aceitou, prontamente. Quando olhou para cima, lá estava a fitinha. Vô Walter, tímido como era, não teve coragem de exigir seu guarda-chuva de volta, coitado, mas ficou muito brabo.

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A história desse livro é outra porque o final é mais feliz, mas é a mesma: a história de um guarda-chuva perdido que troca de mãos. Começa assim: um senhor de cachimbo esquece do guarda-chuva dentro do ônibus. Em seguida, uma senhora o encontra e usa para afugentar um ladrão de carteiras; logo depois um jogador de golfe também faz uso do bendito acessório, depois um equilibrista, um soldado…o guarda chuva passa por diversas mãos e situações. O mais bacana é que em cada página a gente já consegue identificar os elementos da ação que está por vir – é só prestar um pouquinho de atenção. O ladrão que se esconde em um canto, os gatos que espreitam (e depois usam o guarda-chuva como barco).

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O final é mais feliz do que o do guarda-chuva do vô Walter, dando uma volta completa e muito inusitada até retornar ao seu dono inicial. O livro é escrito pelo suíço Davide Cali (foi ele quem também escreveu O que é o Amor, lembram?) e ilustrado por Valerio Vidali – aliás, vai por mim e dá uma olhada no site dele, as ilustrações são de tirar o fôlego. As do livro são assim também, sensacionais. Uma bem boa notícia pra terminar: o livro foi editado no Brasil também, pela Tordesilhas, e é bem fácil achar online. O preço varia de 15 a 28 reais, então vale dar aquela pesquisada. 😉


9 jun 2014

Discurso do Urso

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Livros

Eu fico boba de feliz quando descubro obras infantis de autores que eu amo, autores de gente grande mesmo – esses dias tive a felicidade de encontrar um livro de ninguém menos que Júlio Cortázar para o Francisco. O livro é na verdade um conto do livro Histórias de Cronópios e de Famas, ilustrado lindamente pelo italiano Emilio Urberuaga. Chama-se “Discurso do Urso”, e conta a história de um urso que vive nos canos dos prédios, passeando pelas tubulações.

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A história é sensacional: o urso vive pelos tubos de água quente, de calefação, do ar-condicionado. Seus pelos mantém a tubulação limpa, e o maior prazer dele é passear pelos canos e observar o cotidiano dos humanos que vivem nos prédios. Um grunhido dele e a a cozinheira Guilhermina reclama que o gás está vazando; um deslize até o porão e os casais se agitam nas camas, se queixando da tubulação. É nas noites de verão que o urso fica mais feliz – ele mergulha na caixa d’água repleta de estrelas, lava o rosto e depois, alegre, desliza novamente pelos canos até alguma bica que alguém tenha esquecido aberta.

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E é aí minha parte preferida:

“Procuro alguma bica

que sempre esquecem aberta em algum andar;

por ali meto o nariz,

e espio a escuridão dos quartos onde vivem esses seres que não podem

andar pelos canos, e sinto quase pena

ao vê-los tão grandes e desajeitados,

ouço como roncam e

sonham em voz alta,

e como são tão sós.”

 

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Chorou? Porque olha, eu confesso que rolou uma lagriminha na primeira vez que li para o Francisco. E as ilustrações! São lindas. Emilio Urberuaga, o ilustrador, é espanhol, e carrega diversos prêmios de ilustração. Tem diversos livros publicados, alguns apenas como ilustrador, outros também como autor. A edição brasileira é traduzida por Leo Cunha e editada pela Record, pelo selo Galerinha. É fácil encontrar por aí, em diversas livrarias, e sai na faixa de 30 reais.  Mas deixa eu contar, em lojas como Casas Bahia ou Ponto Frio sai por 21 reais. Vale muito!


4 jun 2014

Cabeçudos, a livraria portuguesa.

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E mais!

Estive ausente por um tempão aqui do blog, eu sei – mas a razão é boa: estive viajando por Portugal, de férias, sem Francisco e com muita saudade. Foi uma viagem deliciosa, e bem, lembram esses dias quando eu contei que desde que me apaixonei por literatura infantil comecei a querer visitar livrarias para os pequenos por onde eu andava? Pois então, fiz o mesmo em Portugal, e em Lisboa tive a chance de conhecer uma das mais bacanas de todas livrarias infantis que já conheci: a Cabeçudos.

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A livraria é demais – tem um espaço enorme para leituras (que acontecem todo final de semana) e outras atividades, e os livros, ah os livros! Pra quem tem verdadeira fascinação pela literatura infantil portuguesa como eu, a Cabeçudos parece mesmo um sonho. E foi muito legal mesmo – fui super bem atendida pela Raquel, proprietária da livraria, que não só me orientou na compra de livros como me sugeriu diversos escritores e ilustradores portugueses que eu ainda não conhecia.

Não tem coisa melhor do que ser atendida em uma livraria por quem conhece os livros que vende, por quem sabe o que indicar – e foi exatamente assim por lá. A Raquel conhece e aprecia todos os escritores, os ilustradores, as editoras com as quais trabalha, e isso é claro quando a gente ouve ela falar dos livros. No final das contas, saí de lá com quase 20 livros, que me encheram a mala de peso (afe!), mas fizeram a festa do Francisco quando cheguei em casa com eles. E é tanta coisa bonita, gente! Vou contando pra vocês sobre cada um deles e mostrando, porque é tanta coisa diferente e sensacional que não me aguento.

fotoOutra coisa que achei sensacional sobre a livraria: logo na frente dela, uma van estacionada, a Cabeçudos Itinerante. Dentro dela, um pouquinho de toda a livraria, toda organizadinha por idade (a separação é a seguinte: “conta-me historias”, “já leio um bocadinho”, “já sei ler” e “grande leitor”). Com essa van a Cabeçudos visita escolas pelo país, levando literatura a quem não tem acesso fácil a ela – coisa mais bacana:

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Saí de lá feliz da vida, só triste por não ter uma Cabeçudos aqui perto de casa. Mas a coisa boa é que a Raquel me prometeu que envia livros aqui para o Brasil também – então vamos mantendo contato e trocando dicas, já ficou combinado. Pra quem quiser conhecer mais sobre a Cabeçudos, vale entrar no site da loja e curtir no facebook também. 🙂