O Carteiro Chegou + O Natal do Carteiro: bisbilhotando as cartas dos outros

No último domingo teve uma reportagem bacana no Fantástico sobre literatura infantil – parte da série “O Mundo Secreto dos Bebês”, que semanalmente mostra diferentes etapas do desenvolvimento das crianças, o assunto desse capítulo era a importância de contar histórias para os pequenos. Na reportagem, um dado legal: se na hora de dormir, os pais contarem uma história aos filhos pelo menos duas vezes por semana, a criança vai conhecer mais de 500 contos até os 5 anos. A matéria completa, pra quem não viu, está disponível aqui no G1 – vale assistir!

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deu no fantástico: “o carteiro chegou”

Um dos livros que aparece diversas vezes na reportagem é um que a gente curte bastante, e que hoje eu mostro aqui pra vocês: O Carteiro Chegou é daqueles livros bem diferentes, interativos e muito divertidos. Na história, um carteiro percorre a cidade entregando cartas de remetentes muito especiais para destinatários tão especiais quanto: é a família dos ursos recebendo carta de desculpas da Cachinhos Dourados, o Lobo Mau recebendo carta de despejo do advogado da Chapeuzinho Vermelho (essa é a minha preferida), o Gigante recebendo cartão postal do Joãozinho.

A parte mais divertida desse livro é que as cartas vêm todas dentro dele – a cada página, um envelope carrega uma carta, dobradinha (atenção pra não perder nenhuma!), pronta para ser lida e bisbilhotada. Algumas são escritas à mão, outras datilografadas – mas cada uma no seu jeito, ao estilo do remetente. Tem até catálogo de produtos para “a bruxa moderna” – parte preferida do Francisco, o catálogo rende boas gargalhadas: tem sapo em pó, jogo de caldeirões, botina feiticeira, abajures de luz sinistra. O livro é todo em rima, delicioso de ler – o carteiro vai passeando, tomando um chá em cada casa (recusando alguns, como o da bruxa ou o do lobo mau), e nós aqui só acompanhando, lendo a correspondência alheia.

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cartão postal de joãozinho para o gigante

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carta de despejo para o lobo: fora da casa da vovó já!

O livro tem uma espécie de continuação, que se passa no Natal – esse o Francisco curte ainda mais (foi ele quem me disse, ontem à noite, quando eu separava os livros para fotografar). Em O Natal do Carteiro, ele corre para entregar cartas e desejos de Feliz Natal – o livro aqui é um pouco menor, mas as cartas e os presentes não. Dentro de cada envelope-página, como no primeiro, uma supresa diferente: Chapeuzinho recebe um mini-jogo de tabuleiro do Lobo Mau (que agora, diz ele, é Lobo Bom); Humpty Dumpty recebe um quebra-cabeça (tudo dá pra brincar de verdade); o Homem-Biscoito recebe um pequeno livro. Até o carteiro, dessa vez, ganha presente: um bonitinho cartão sanfonado.

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a versão natalina do livro

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a última carta é para o carteiro 🙂

Ambos os livros são obra do casal britânico Janet e Allan Ahlberg. O Carteiro Chegou (no original, The Jolly Postman) foi lançado pela primeira vez na Inglaterra no ano de 1986 – depois disso, em 91 saiu O Natal do Carteiro (The Jolly Christmas Postman). Janet faleceu em 94, mas Allan segue escrevendo livros infantis. No Brasil, os dois livros foram publicados pela Companhia das Letrinhas. Por serem livros diferentes e cheios de detalhes, costumam ser mais caros – na faixa de 4o reais cada um. Mas peraí que tem boa notícia: O Carteiro Chegou está em promoção na loja online da Fnac por quase metade do preço. O mesmo com O Natal do Carteiro: está saindo por 23 reais por lá. Em lojas como Casas Bahia e Ponto Frio também dá para encontrar o livro por um preço camarada: 22 reais.

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O Carteiro Chegou 

Texto: Allan Alhberg

Ilustração: Janet Ahlberg

Editora: Companhia das Letrinhas, 2012 (4a reimpressão)

O Natal do Carteiro

Texto: Allan Alhberg

Ilustração: Janet Ahlberg

Editora: Companhia das Letrinhas, 2012 

Cantiga, de Blexbolex

 

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Blexbolex é um artista francês – nome esquisito e divertido de pronunciar (Francisco, fala com a mãe: BLEX-BO-LEX – e ele dá risada!), é na verdade o pseudômino de Bernard Granger. Artista, ilustrador e quadrinista, tem diversas obras infantis publicadas mundo afora – Cantiga é seu último trabalho, primeiro publicado no Brasil.

Livrinho pequeno no tamanho (quando comparado aos infantis que estamos habituados), de lombada gorducha e divertida, é de uma riqueza de cores sem tamanho. Foi o que primeiro me chamou a atenção quando me deparei com o livro – as cores, o laranjado fluorescente, a tipografia delicada. Tudo muito diferente, original – do formato, ilustrações, tipografia à própria história: são diferentes versões de uma só, sempre envolvendo personagens tradicionais do universo infantil. Tem a bruxa, o caçador, a escola o caminho – mas também tem o engarrafamento, a indiferença, a fuga.

Em alguns momentos, as palavras seguem tranquilas, página a página, embaixo das ilustrações – já em outros, surgem inesperadas: invertidas, embaralhadas, pontilhadas ou até ausentes. São essas ausências as partes preferidas do Francisco – cada leitura, uma invenção. Ele se diverte. Eu também – sou bem suspeita pra falar, porque é um dos livros da estante do pequeno que eu mais gosto. Delícia de ler em voz alta, em ritmos diferentes.

Onde achar: é fácil, é novidade e tem em diversas livrarias. Mas tá aí um livro que varia demais de preço – o nosso, comprei na Fnac aqui de Curitiba, por quase 40 pila. Besteira, deveria ter pesquisado um pouquinho. Na loja virtual da editora está por cerca de de 30 e (atenção, atencão!) nas Lojas Americanas não sai por mais de 14 reais. Imperdível.

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Cantiga

Autor/Ilustrador: Blexbolex 

Editora Cosac-Naify, 2014

Livros infantis em inglês: 3 dos nossos preferidos

Tava fácil não as férias – correria danada, mas a gente por aqui se divertiu. Teve viagem pra São Paulo, pra Morretes, pra Pomerode (o zoológico de lá, gente, maior programa divertido), muito passeio, cinema e bagunça. E cansaço, lógico – então volta às aulas é sempre aquela alegria – minha e do Francisco também, felizmente.

Mas vamos aos livros, êba. Volta e meia vou mostrar aqui livros em inglês, como eu fazia lá n’Os Livros de Francisco – é que aqui em casa a gente curte mesmo. Herança dos primos do Francisco que moram fora, presentes de amigos ou livros que eu vou descobrindo em viagens ou lojas online, sempre me deparo com livros divertidos e diferentes em inglês (às vezes em outras línguas também). 

Por isso desde sempre a gente lê em inglês – e é engraçado, quando o Fran era menorzinho ele tinha mais paciência para essas leituras. Acho que porque prestava mais atenção à sonoridade do que à história em si, principalmente. Percebo isso porque hoje às vezes ele fica ansioso quando começo a ler em inglês – já pede pra ir logo traduzindo, quer que eu conte a história “na língua do nosso país”. Então procuro ir bem no ritmo do Francisco – leio um pouquinho, aponto na ilustração as palavras na outra língua, conto a história, paro para conversar. E abuso da leitura dramática! Nunca faço a tradução literal, página a página – aí sim ele se cansa rápido (e quem não?). 

Não é difícil encontrar livros em inglês infantis para comprar em grandes livrarias aqui no Brasil – mas uma coisa que percebo é que é difícil encontrar livro divertido. Repare: os livros infantis em inglês à venda, ou ao menos os expostos, são geralmente aqueles com letras, números, objetos – didáticos mesmo. E a verdade é que é muito mais fácil e divertido aprender e praticar inglês com boas histórias. O jeito é procurar em livrarias especializadas ou pela internet – pela internet costuma ser mais barato e é como eu geralmente compro. O site The Book Depository costuma ter bons preços (eles não cobram o envio) e um acervo de respeito – só tem que ter paciência: já esperei mais de dois meses por um livro (que claro, depois nem me lembrava que tinha comprado). Hoje escolhi três livros em inglês bem bonitos e que têm histórias divertidas – tudo coisa fina!

1. STUCK, de Oliver Jeffers

Um dos livros mais legais pelos quais já cruzei, sem brincadeira. Stuck é uma das muitas obras infantis do australiano Oliver Jeffers – o cara tem diversos prêmios pela maioria delas, e não à toa. Suas ilustrações e histórias são divertidas demais – aqui, em Stuck, um menino se depara com um enorme problema. Tudo começa quando Floyd prende sem querer sua pipa em uma árvore. Pra tirá-la de lá, ele joga seu sapato favorito…que fica preso também. Aí lá vai o outro pé do sapato pra tirar o primeiro – que não sai, lógico. Então ele tenta jogar o gato – e adivinha? A coisa fica muito engraçada quando ele surpreende o leitor com os objetos mais absurdos – e ainda termina de um jeito no mínimo inesperado. Imperdível.

Legal ler em inglês porquê: todos os objetos que ficam presos na árvore rendem um vocabulário e tanto!

ps: quem não quiser ler em inglês, esse é um que tem tradução em português (e a história é imperdível): aqui no Brasil chama-se “Presos” e saiu pela editora Salamandra

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2. CLOUDETTE, de Tom Lichtenheld

Presente de uma amiga para o Francisco, esse foi um dos livros em inglês que a gente mais leu e releu. Conta a história de Cloudette, uma nuvenzinha muito da pequenina. Cloudette acha bem divertido ser pequenina assim – recebe nomes fofos e sempre tem um cantinho confortável pra se encostar. Problema é quando ela quer fazer coisas grandes – fazer uma cachoeira encher, um jardim crescer, ajudar os bombeiros. É bonitinho demais porque no final Cloudette consegue sim fazer a diferença – faz chover em um pequeno córrego para a felicidade geral de um grupo de sapos. É uma divertida história de superação para as crianças, mas longe de cair naquele clichê de livros com lições e mensagens – a história é bonitinha demais e as ilustrações ainda mais fofas.

Legal ler em inglês porquê: pra estudar o passado dos verbos em inglês com uma história muito da bonitinha (vale pra gente grande que tá aprendendo inglês também!)

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3. KNUFFLE BUNNY, de Mo Willems

Essa dica é pros pequeninos – até 5 anos, mais ou menos. Aqui é a leitura dramática que faz a diferença (pera, já explico). No livro, Trixie acompanha o pai até a lavanderia: eles descem a quadra, atravessam o parque, passam a escola e chegam lá. Tarefa feita, voltam pra casa – mas na volta de lá que Trixie se dá conta de uma coisa e se desespera. Problema é que Trixie é um bebê, ainda não fala: só balbucia e emite os sons mais engraçados. Aí que vem a parte da leitura dramática: dá-lhe a gente lendo alto coisas do tipo BLAGGLE PLABBLE ou WUMBY FLAPPY e narrando (tem que ter intensidade!) a engraçada choradeira que ela faz, sem sucesso algum, para mostrar ao pai que o coelhinho de pelúcia ficou lavanderia. É a mãe quem nota a falta do bichinho e decifra o mistério – aí corre todo mundo resgatar o tal knuffle bunny (que aliás, rendeu um bichinho de verdade depois do livro). Já perdi a conta das vezes que tive que contar essa história abusando da emoção para fazer o Fran rir – e sempre dava certo. Até hoje dá, na verdade. Um dos nossos livros do coração.

Legal ler em inglês porquê: é mais fácil pagar o micão da leitura dramática em outra língua. juro que é!

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