show: palavra cantada “aventuras musicais”

Ontem teve show do Palavra Cantada aqui em Curitiba, e eu fui com o Francisco. Lindo domingão de sol, saímos de um churrasco com a turma da escola, super divertido, para ir ao espetáculo. Confesso uma preguiça danada na hora de partir para o teatro, mas valeu a pena. Não tinha como faltar mesmo –  primeiro, pelo preço do ingresso, que eu já tinha comprado. Caro, caro demais: 96 reais o adulto, 48 o infantil. O espetáculo foi no Teatro Positivo, e a verdade é que lá nenhum concerto é em conta. Uma pena. No final das contas, a plateia estava quase pela metade – talvez um pouco mais que isso, mas longe de estar completa. O preço, lógico. Quem pode pagar tudo isso por um espetáculo infantil, gente? Nem me entra na cabeça.

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Já que estou no modo reclamação aqui, mais uma: o atraso. Lá estava, 16 horas. Nós chegamos 15 minutos antes, e 16 horas estávamos sentadinhos bonitinhos. Eu sou meio caxias quando se trata de espetáculos e afins: compro os ingressos com antecedência e sempre chego no horário. É sinal de respeito com os artistas e toda a produção e poxa, não custa. Mas adivinha? Nada de começar no horário. Quem tem criança pequena sabe como é difícil ir a um evento desses: exige planejamento, paciência e disposição. É duro manter uma criança quieta dentro de um teatro com as cortinas fechadas, à espera que um espetáculo que não começa.

Não quero ser chata não, longe disso – mas acho que espetáculos infantis deveriam mais que quaisquer outros começar na hora. Só quem é mãe ou pai sabe como é difícil a espera, e olha, já perdi a conta das vezes em que fui a espetáculos para crianças que demoraram até 40 minutos para começar. Mas o povo também não ajuda: tinha gente entrando até perto do show terminar. Pessoal é cara de pau mesmo – 16:15, 16:20 e mais gente de pé do que sentada. É, o problema é esse, acredito eu, um círculo vicioso: o público atrasa, então os artistas atrasam também. Uma grande falta de respeito de ambos os lados – dos artistas e do público.

Mas ufa, reclamação feita, agora vamos à parte boa: o show. Começou atrasado, fato, mas foi sensacional – como a criançada ama Palavra Cantada, é uma loucura. E os adultos também, não é por nada não – que show divertido! O show é colorido, animado, tem dança, festa, a música é boa e conhecida – a maior parte dos clássicos da dupla foram tocados. Por exemplo, O Rato, Bolacha de Água e Sal e a preferida das crianças (deu pra ver pela bagunça na platéia na hora da música), A Sopa. Além disso, a dupla também cantou músicas diferentes, adaptadas com um jeitinho de criança, como Leãozinho, do Caetano Veloso, e O Vira, dos Secos e Molhados. Não teve pai, mãe ou criança na platéia que não tenha cantado junto. O show durou cerca de uma hora – teve muita música boa e até uma paradinha especial da banda toda virada para cada canto da plateia pra “tirar uma foto e colocar no instagram ou no face”. E dá-lhe celular, câmera, flash pra registrar a pose.

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essa foto não é minha não, viu? roubei da internet.

O show Aventuras Musicais é do último dvd da dupla Paulo Tatit e Sandra Peres, Pauleco e Sandreca. Pra quem não conhece (coisa que duvido), Palavra Cantada é um dos grupos brasileiros mais bacanas de música infantil, de longe. Existe desde 1994 (20 anos já, gente!) e tem mais de 20 discos e dvds lançados. Dá uma olhadinha no canal do youtube deles pra ver quanta coisa divertida tem. De música de ninar à música pra balançar mesmo, como as do show, que foi demais. Aliás, as palavras do Francisco na hora de ir embora: “show legal, né mãe?”. 🙂

música: b-fachada “é pra meninos”

Já falei diversas vezes por aqui o quanto eu amo – e o Francisco também – literatura infantil portuguesa. Agora o que eu não conhecia era música infantil portuguesa – e adivinha? Conheci esse disco, mostrei para o Francisco e pronto, estamos os dois ouvindo sem parar. É a nova trilha sonora dos trajetos de carro (tem que ter música no trajeto casa-escola-vida-afora, que ninguém aguenta), aquele que a gente não tira por nada.

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Na verdade, não é bem um disco infantil – é, quer dizer, porque é um disco com temática infantil, com jeitinho de criança. O disco chama-se “É Pra Meninos”, e é para crianças e também adultos. B-Fachada é o nome do cantor – na verdade, Bernado Fachada. Cara sensacional, já vos digo. Conheci esse e outro disco dele, que se chama apenas B Fachada, e logo me encantei. Agora o que me encantou mesmo foi esse aqui. Escolhi com muito custo duas músicas do disco pra dividir com vocês.

A primeira é também a primeira do disco, uma das nossas preferidas. Chama-se Tó-Zé, e é basicamente uma ode à desobediência. Se liga:

Tó-Zé tu tem cuidado
Não sejas pau mandado
Antes louco e mal criado
Que pensar só de emprestado
Toda a vida te vão dar
O mundo já bem mastigado
Tu começa a praticar 
Pra não ficares moralizado

 

Pois é, já cheguei causando com essa. Pra quem está habituado às músicas politicamente corretas do mundo infantil não é fácil gostar de B-Fachada. Mas é só ouvir com outros ouvidos para entender o quão divertidas são as letras desaforentas dele. Nossa próxima chama-se Conselhos de Avô – e entre os conselhos estão ‘largar a sopa e ir brincar no jardim’:

Larga a sopa, meu amor, vai p’ro o jardim,
Brincar na relva antes que a relva chegue ao fim
Quando voltares, vais ver, salvei a sopa de cozer,
Mas dou-te meia saladinha, não te quero ver sofrer

Vais crescer,
E é sopa que vais querer a toda a hora.
É uma vida a triturar, vê lá, não queiras começar já já

 

Todas as músicas são assim – incentivos à brincadeira, indagações sobre a moral, o papai noel, o futuro, como se uma criança as cantasse. E o sotaque português? Outra delícia à parte.

Não tenho o disco físico nem os mp3 – até tentei achar online, parece que o próprio B Fachada disponibilizou o download gratuito. Mas não achei, todos os links estavam quebrados. Então escutamos o nosso através do Rdio (que custa bem-investidos 15 dólares mensais, recomendo muito), onde dá pra ouvir offline também – aliás, tem todos do B Fachada lá, felicidade geral. Também dá pra ouvir o disco todo do youtube, pra quem preferir, aqui. Vai, corre lá ouvir Questões de Moral e Dia de Natal – duas outras que eu queria ter compartilhado aqui. Coisa linda!

Eu

Janaina Tokitaka é artista plástica, mas desde 2005 ilustra e também escreve livros infantis. Já foi colaboradora da Folhinha, suplemento infantil da Folha de São Paulo, já ilustrou livros de terceiros e já criou seus próprios: “Eu”, esse que divido hoje com vocês, é o quarto publicado pela editora Brinque-Book.

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Livrinho muito bacana esse: com ilustrações com carinha de aquarela, ele fala sobre o mundo de faz-de-conta de uma criança. Através de objetos simples – com os óculos do vovô, uma chuteira ou até mesmo um cobertor – o narrador se vê como os mais diversos personagens. Tudo com rima e uma linguagem simples, deliciosa:

“Coloco os óculos do vovô e vejo o mundo inteirinho: a montanha mais imensa e o menor dos passarinhos.”

 

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“Leio os livros do papai e aprendo um pouco de tudo: sobre tratores, leões e planetas, magos barbudos e barrigudos”

 

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Na hora de dormir o pequeno termina:

“Visto meu pijama quando chega o fim do dia. É muito bom ser tudo isso, mas ser eu mesmo é uma alegria!”

 

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O livro faz parte do selo Brinque Book na Mochila: seu tamanho é um pouco reduzido e ele é mais resistente, cartonado. Pra levar junto mesmo e dividir a história com os colegas. Francisco vai fazer isso hoje, nossa cópia já está na mochila da escola. Pra saber mais sobre o livro e a autora, só clicar aqui.

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Esse Papo Pá-Pum de 2012 do Garatujas Fantásticas com Janaína também é divertido demais! São suas ilustrações e versos sobre artista, por ela mesma. Corre ver que vale a pena! 🙂