oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 6 anos, e vinícius, ainda bebê. seja bem-vindo! Leia mais



1 nov 2013

grande pequeno

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Livros

Essa semana fui conhecer uma nova livraria aqui em Curitiba, a Livraria da Vila – é dentro do tal Pátio Batel, shopping muito fino que abriu por aqui. Fui de cara conhecer a livraria, várias pessoas tinham me recomendado.  Ô lugar bonito! Valeu a visita.

A seção de literatura infantil é separada, espaçosa (tem até um cantinho para atividades, tomara que rolem coisas legais por lá) e cheia de livros bacanas. Também tem brinquedinhos, canetinhas e coisinhas à venda no mesmo espaço – coisa que eu acho muito chata, mas é comum. Tive alguma dificuldade em distrair o Francisco dos importados coloridos e caros pendurados na parede, mas conseguimos sair de lá com livros bem legais.

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Esse aqui foi o preferido, de longe. Chama-se ‘Grande Pequeno’. Fico feliz da vida quando vejo um livro que faz o Francisco rir alto – esse aqui fez, e faz toda vez que relemos. E olha que não relemos poucas vezes não – essa semana já devo ter lido algumas dezenas de vezes para o garoto, sem brincadeira. Mas problema nenhum, o livro é bem curtinho, fácil e delicioso de ler. Acabo rindo junto com o Francisco. Todo em rima, ele conta historinhas engraçadas de diversos personagens – tudo pra mostrar que não adianta, mas todo mundo que é grande foi pequeno um dia e, aposto, já aprontou por aí.

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O médico, o músico, a juíza, a modelo:

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O Francisco ri alto da juíza que hoje usa toga e que soltou pum na aula de ioga, do campeão de natação que pulou na piscina e perdeu o calção – e de todos os outros. São muito bonitinhos – e as ilustrações muito fofas. O livro é da dupla Blandina Franco, autora, e José Carlos Lollo, ilustrador – só depois fui ver que são eles os autores de outro livro que o Francisco ama, o “Quem Soltou o Pum?” (preciso falar desse pra vocês, urgente!). E nem os dois não escaparam da brincadeira grande-pequeno, ó só:

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Eu paguei 25 reais na Livraria da Vila, mesmo preço da editora. Se quiser comprar pela internet, dá para achar até por 17 reais – ou 20 na Fnac. Altamente recomendado!


28 out 2013

o meu vizinho é um cão

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Livros

Já falei aqui da Planeta Tangerina, editora portuguesa que publica livros muito legais e diferentes. É a editora do Todos Fazemos Tudo, que o Francisco adora, e desse aqui, O Meu Vizinho é um Cão, outro livro do coração (a intenção não era a rima). Faz tempo que quero falar dele aqui – mas agora que foi lançado no Brasil pela (também muito legal) editora Cosac-Naify é mais uma razão pra indicá-lo.

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Sabe aqueles livros que você termina de ler e sente uma felicidade enorme? Então. O Meu Vizinho é um Cão é um desses – ele é bonito, gostoso de ler, muito criativo e traz uma mensagem importante: aceitar, sempre, as diferenças. A história é contada na voz de uma garotinha que mora num prédio muito pacato onde começam a chegar vizinhos diferentes. O primeiro que chega é um cão – e os pais da garota implicam com ele. Ela gosta do cachorro – curte vê-lo tocar saxofone na varanda, por exemplo. As mudanças para o prédio continuam – chegam um par de elefantes, um crocodilo – a menininha fazendo amizade com todos e seus pais sempre torcendo o nariz.

Segue um trecho (e atenção para o português caprichado de Portugal):

“No outro dia disse aos vizinhos:

‘Não acham esquisito que os meus pais vos achem esquisitos?’

Ao que eles responderam imediatamente:

‘Os teus pais é que são esquisitos!’.

‘Olham-nos de cima a baixo’, queixou-se o cão.

‘E sempre com um ar superior’, disseram os elefantes.”

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A menina então percebe  que ali só ela mesma entende as diferenças dos vizinhos e as respeita – e junto com seus pais, triste com a situação, muda-se de casa. Mas é aquela história: os incomodados que se mudem, oras – e ela vai embora prometendo um dia voltar. O livro termina assim:

‘Disseram-me que em nossa casa

mora agora uma família de três ursos.

E que o meu prédio está cada vez mais divertido…

Não é de admirar.

Qualquer dia, quando crescer, faço-lhes uma surpresa também.

Paro um enorme camião de mudanças em frente à porta…e mudo-me para lá!

Tenho a certeza que eles não vão me achar nada esquisita!”

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A historinha é de Isabel Minhós Martins e as ilustrações, bem diferentes, são de Madalena Matoso. Coisa linda, tudo com muito muito azul, cor-de-rosa e vermelho. Ah, o livro coleciona premiações (muitos pelas ilustrações, aliás) e é recomendado pela Amnistia Internacional. O exemplar nacional custa 39 reais na loja da editora – mas ó, vale pesquisar antes de comprar (como sempre!): está um tanto quanto mais barato (26 reais!) nas Lojas Americanas.


21 out 2013

o sapato que miava

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Livros

Ai os livros da minha infância! Fico tão, mas tão feliz de reler com o Francisco – e ó, tenho que agradecer minha querida mamãe que se deu ao trabalho de guardar tudo bonitinho e me entregar assim, anos depois (ninguém precisa saber quanto). Esses dias tive uma bela surpresa: minha mãe me entregou uma caixinha com mais alguns dos meus preferidos, lá daquele tempo. Uma caixinha que apareceu na mudança.

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A primeira coisa que eu fiz quando recebi o presente foi buscar no meio da pilha por um livro específico: O Sapato que Miava. E atenção pra emoção, estava lá, minha gente. Fiquei tão feliz. Não sabia que esse estava guardado, e por coincidência andei procurando ele por aí recentemente, para comprar para reler com o Francisco. É um livro que volta e meia me volta à memória, é até engraçado. Mas nada, não achava – na verdade, há uma nova edição dele, com nova ilustração – mas eu queria aquele antigo, que eu me lembrava quase que exclusivamente pelos desenhos. Me lembrava da senhorinha negra, gorducha, óculos e saia xadrez, sentada em sua cadeira balanço, e do seu gato gordo e cor-de-rosa.

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O livro é de Sylvia Orthof, um dos grandes nomes da literatura infantil brasileira. Faleceu em 1997, mas deixou mais de 120 livros escritos – muitos ilustrados por Tato, seu marido – como essa minha edição antiguinha aí.

A historinha do gato Deodato que morava dentro do sapato é engraçada e até, vai, um pouquinho cruel. Fugindo do barulho da torneira que pinga sem parar, o gato entra dentro do sapato – sua dona não percebe e sai por aí, passeando com o sapato miando:

“Lá vai a Dona Velha,

calçando seu velho sapato,

com o chulé encolhido,

mancando por causa do gato…

que não saiu do sapato!

Lá vai a velha pra feira,

cada passo é um miado,

pois o gato Deodato,

no sapato apertado,

miava a cada passo:

– Miau! Miau! Miau! Miau!”

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Dona Velha anda pela cidade toda, vai à feira, passa por estrada, rio e ponte, e Deodato miando. Até que um cachorro, o Fedelho (juro que é esse o nome) ouve o miado e sai correndo atrás dele – levando com ele seu dono, um velhinho simpático. A história termina lindamente, com namoro e casamento: Dona Velha e o senhorzinho juntos, sentadinhos, e cachorro e gato nos respectivos sapatos.

Vai, mais um trechinho que eu não me aguento:

“Depois o velho casal

foi morar na casa velha.

O gato mia no sapato…

e cachorro Fedelho agora late um au, au,

quando o seu querido velho

calça o seu velho chinelo.

Pois o cachorro, encolhido,

aprendeu, foi com o gato:

O cachorro no chinelo.

O gato, lá no sapato.

Cada qual em sua cama.

Quando o velho vai e calça,

no velho pé, seu chinelo,

aperta dentro o Fedelho.

– Au, au! – late o pé do velho.

O cachorro no chinelo,

e o gato no sapato.

E a velha com seu velho,

eu juro, foi assim, de fato!”

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Tá aí, deve ter sido uma das minhas primeiras histórias de amor – e é a primeira do Francisco. Tão bonitinha! A edição mais fácil de achar hoje é essa aqui, com ilustrações de Ivan Zigg. Também parece bem bacana. Não parece disponível em muitas livrarias, mas vale dar uma pesquisada, especialmente em sebos por aí.