a sick day for amos mcgee

O Francisco tem livro de todo tipo – livro engraçado, livro didático, livro imagem, livro clássico. A gente gosta de livros de todos os jeitos, não adianta. Mas tem uns que nos ganham pela delicadeza – seja nas ilustrações, seja na história. Às vezes em ambos, como esse livro aqui. A Sick Day for Amos McGee é um dos livros infantis  mais delicados que já me passaram pelas mãos, sem brincadeira.

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O livro conta a história de Amos McGee, um senhor que trabalha em um zoológico. Todos os dias ele acorda bem cedo, veste seu uniforme, come seu mingau de aveia, toma seu chá e parte para o zoológico, onde trabalha. Assim que chega lá, vai visitar seus amigos um a um: joga xadrez com seu amigo elefante, aposta corrida com a amiga tartaruga, lê histórias com a coruja. Mas um dia ele acorda doente: espirrando, com calafrios. É uma gripe, e ele não consegue ir ao trabalho. Os amigos no zoológico sentem falta dele e adivinha? Resolvem visitá-lo.

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E lá vão eles todos, tartaruga, coruja, elefante, pinguim e rinoceronte esperar o ônibus, fazer o longo percurso até a casa de Amos McGee passar o dia com ele. Amos fica feliz da vida quando vê os animais – e são eles que então cuidam do amigo doente. Acho a história de uma delicadeza só. As ilustrações são impressionantes, e Erin E. Stead, a ilustradora, levou vários prêmios por elas, inclusive a Medalha Caldecott de 2011. Ela fez o livro todo junto com seu marido, Philip C. Stead. Foi ele quem escreveu a história – juntos eles têm muitos projetos, inclusive um livro mais recente chamado Bear Has a Story to Tell.

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A nossa cópia do A Sick Day for Amos McGee é essa, em inglês. Comprei via Amazon – sai na faixa de 12 dólares. É bacana porque é na língua original e essa edição, da Roaring Brook Press, é de capa dura e tem uma textura que eu acho muito bonita. Eu não sei como é a edição em português, mas sei que existe,  e é da Editora Paz e Terra (do Grupo Ediatorial Record). Chama-se Um dia Na Vida de Amos McGee, e não parece muito fácil achar não, vale dar uma procurada – aliás, fiz isso pra contar pra vocês e tive uma surpresa: no site da Submarino ainda há algumas cópias por só 10 reais. É quase de graça, considerando o livro que é. Imperdível.

deixei o pum escapar

De todos os livros do Francisco, os do cachorrinho Pum são de longe os favoritos. Já faz algum tempo – desde o primeiro, o Quem Soltou o Pum?, do qual eu já falei por aqui. Depois teve o Soltei o Pum na Escola (desse eu ainda não falei) e até o aplicativo do Pum, sucesso total aqui em casa. O Pum é um personagem bem frequente na vida do Francisco, ele gosta demais dele – até já deu de presente o livro para amiguinhos (e foi ele mesmo quem escolheu). Gosta dos livros de verdade.

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Esses dias eu não resisti – em uma visita à Fnac aqui em Curitiba dei de cara com mais um livro do Pum: o Deixei o Pum Escapar. Tive que comprar para o Francisco – e foi uma felicidade só. Na hora que pegou o livro nas mãos já se ligou que era seu personagem preferido: “o Pum mãe, um livro diferente do Pum!”. A gente leu naquela noite mesmo, e temos lido bastante desde então: nesse volume, o terceiro da saga do cachorrinho de nome divertido, seu dono faz um passeio com ele ao parque – e é lá que ele o deixa escapar. Aí é aquele desespero. Todo mundo correndo pra todo lado atrás do Pum, mas nada: o Pum desaparece mesmo.

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“Depois de um certo tempo eu comecei a achar que minha infância tinha acabado! Nada mais de soltar o Pum na praça, nada de Pum debaixo do cobertor assistindo à TV ou de dormir sentindo o seu cheirinho do lado da minha cama. Agora eu teria que enfrentar a vida adulta sem o meu amigo do lado. Teria que encarar a vergonha de ter deixado o Pum escapar bem no meio do parque, na frente de centenas de pessoas, e nem ter percebido.”

 

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Mas calma, espera: o final é bem feliz. O Pum volta, e não volta sozinho: volta com família. Volta com a Flor, sua namoradinha, e muitos filhotes. Aí é só alegria e cor, mais cor à historinha do Pum. Ele é laranjão –  a Flor azul, coisa mais fofa, e todos os filhotinhos azul e laranja.

O livro é divertidíssimo, e fácil de encontrar em qualquer livraria. Mas o preço varia bastante: no momento, o melhor é o da Fnac online: tá saindo por R$ 17,50.

o que é o amor?

Coisa mais bonitinha é ver o Francisco me pedindo: “mãe, vamos ler aquele livro do amoR? aquele do amoR!” (ele fala assim, puxando o R com gosto). E vai, nos seus 3 anos e meio de idade ele não sabe exatamente o que é esse tal amor, mas ele ama, é amado e tem até livro a respeito. Esse aqui foi um dos primeiros livros que eu comprei na Navegadores, aqui em Curitiba, há algum tempo. Comprei porque me apaixonei por ele – achei tão delicada a ideia de falar com crianças sobre amor, que não resisti.

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A história é essa: Emma, uma garotinha, curiosa para saber o que é o amor, sai em busca de respostas. Primeiro, pergunta à mamãe – depois ao papai, à vovó, ao vovô. Cada um responde com as coisas que ama: a mamãe se refere às flores, o pai ao futebol, a vovó aos bolos que assa e o vovô à sua coleção de futebol. Aliás, antes de qualquer elogio à história, uma crítica: logo de cara me chamou a atenção as duas mulheres estarem fazendo trabalhos de casa e os homens, curtindo seus hobbies. Poxa, logo hoje em dia, com o assunto de igualdade de gêneros tão presente, fazer uma dessas é de lascar, vai. Chatice minha, mas é verdade: fosse um livro antigo, era justificável – mas nada, é super atual, de 2011.

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Mas voltemos à história: Emma então se confunde, se angustia com o assunto, pergunta mais um pouco e finalmente tira suas conclusões com tudo o que ouviu. Minha parte preferida:

Estar apaixonado é uma complicação – diz Emma. – Obriga a pensar em imensas coisas: oferecer flores, ir a jogos de futebol e comprar sanduíches, comer apenas metade da fatia do próprio bolo e passear de carro pelo campo.

Não, não é preciso fazer tudo isso ao mesmo tempo! – explica a mamã. – o amor simplesmente aparece.”

 

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O final é de uma delicadeza só – e eu não vou contar não, rá. Aliás, o livro todo é delicado, desde a história até as ilustrações, de Anna Laura Cantone. Tudo muito romântico (nhó!), com vermelho, marrom, recortes, tecidos, linhas pontilhadas, borboletas coloridas e corações. O texto é de Davide Cali, e é originalmente francês. A nossa cópia é a tradução de Portugal, editada pela Gato na Lua, jovem editora portuguesa de livros infantis. Aliás – esse é um problema: pra achar o livro, pelo que pesquisei, só lá em Portugal mesmo – nem na Navegadores aqui há mais. Por lá sai na faixa de 14 euros a cópia.