Os Incomodados que se Mudem

“Um elefante incomoda muita gen-te, dois elefantes incomodam, incomodam muito mais” – pronto, aposto que você ficou com a música na cabeça, rá. É como eu estou há dias, socorro – e o Francisco também, diga-se de passagem. Esse livro muito bonitinho é a releitura da cantiga que não adianta, todo mundo conhece e sabe de cor. Só o final é diferente: aqui os elefantes é que se sentem incomodados com uma invasão de ratinhos e terminam fugindo.

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Queria ter filmado o Francisco cantando o livro ontem à noite – é, ele CANTA o livro. Essa é a parte mais legal – como o livro é a música, dá pra contar ou cantar. Aí o Francisco jura que está lendo de fato, e sai cantando e virando as páginas, todo bonitinho. Tá aí uma fórmula que a criançada não resiste: repetição e bichos, muitos bichos. Especialmente os bem pequeninos.

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Gosto demais das ilustrações, dos elefantes com carinha de carvão e os ratos mil, as cores vermelho e preto. É o segundo livro para crianças que Anita Prades ilustra – o primeiro, Cadê o Pintinho?, também foi em parceria com Márcia Leite, a autora, veterana no mundo da literatura infantil. É Márcia Leite, aliás, uma das fundadoras da editora Pulo do Gato, especializada em literatura infanto-juvenil.

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O livro sai 33 reais, sempre esse preço, em diversas livrarias – dá pra encontrar facilmente online, só ver aqui. 🙂

A Bruxinha Trapalhada e Traquinagens e Estripulias

Sempre curti bruxinhas, desde pequena. Tinha a Bruxa Onilda, que eu amava. E tinham as bruxas da Eva Furnari também. Esses dias fui atrás da Bruxinha Atrapalhada para o Francisco – achei esse e o Traquinagens e Estripulias, outro de Eva Furnari, também lá do meu tempo. Os dois têm sido nossa leitura dos últimos dias.

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Ambos são livros sem palavras – apenas o título e quadrinhos. Aí tem a minha leitura, tem a leitura do Francisco, tem a nossa leitura junto – cada vez de um jeito diferente. É o que os livros só de imagens permitem – ler e reler de diversas formas. Livros sem palavras não são só livros para as crianças que ainda não lêem não – longe disso, são formas de incentivar e estimular a imaginação. Esses livros são a marca registrada de Eva Furnari – foi ela quem começou o estilo no Brasil, há mais de 30 anos. Hoje tem dezenas de livros publicados, muitos inclusive com palavras – mas as tirinhas só com desenhos são seu marco.

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No primeiro livro é A Bruxinha Atrapalhada a estrela. Desastrada e muito engraçada, a bruxinha vive aprontando algumas – do tipo fazer um sapo virar patins pulantes ou dar vida a abóboras. Algumas das suas estripulias são historinhas curtas, outras mais longas. Mas todas sempre cheias de bagunça  e aventura. O livro é um clássico da literatura infantil brasiliera – já tem mais de 30 anos e está na sua vigésima quarta edição. Em 1982 foi considerado o melhor livro sem texto pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

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No segundo livro são as aventuras de uma família – gosto especialmente da forma como Eva Furnari usa as cores nesse livro. Quer dizer, a cor: aqui nesse livro é o vermelho, na Bruxinha Atrapalhada, o azul. Tudo preto e branco e pá, uma cor diferente fazendo toda a diferença. No Traquinagens e Estripulias o vermelho está num cobertor, num lençol que vira cortina de teatro, numa lata de tinta que termina espalhada em cima de todos. E nesse livro também: é muita bagunça em todas as histórias, muita imaginação. Dá pra criar e recriar sem parar.

Os dois livros são fáceis de encontrar, e o preço varia bastante – mas a dica é comprar em sebo: na Estante Virtual cada um sai na faixa de 10 reais.  🙂

show: Concerto Para Crianças – Orquestra Sinfônica do Paraná

Já que semana passada contei da nossa programação do final de semana, o show do Palavra Cantada, essa vou contar do nosso passeio de ontem: Concerto para Crianças da Orquestra Sinfônica do Paraná. Ontem fomos ao primeiro concerto do ano, que caiu bem no dia das mães. Coisa mais linda.

Francisco tem verdadeira loucura por instrumentos – as cordas, as madeiras, os metais. Ele aponta um por um e diz qual é, é a coisa mais bonitinha de ver. E isso começou assim, indo aos espetáculos da orquestra, desde que ele era pequenininho. Levei ele ao primeiro quando tinha 2 anos, em 2012. No ano passado foram 4 os concertos da orquestra para o público infantil no Guairão – levei o pequeno em todos.

dia das mães com orquestra sinfônica <3

selfie mãe-e-filho à espera do espetáculo 🙂

Os concertos infantis são assim: têm programação diferenciada e são muito mais descontraídos. Geralmente têm duração de no máximo uma hora, pra criançada aguentar firme – mas nem sempre aguenta, e isso não é problema. Justamente por ser para os pequenos, é tudo mais flexível. Dá pra levantar sem medo e algumas crianças até passeiam pelo teatro. Lógico que algum respeito aos músicos é sempre bem-vindo, e às vezes acho que alguns pais abusam – choro e barulho atrapalham mesmo, e não custa sair com a criança do teatro.

Mas geralmente a criançada fica atenta – o concerto é dividido em peças curtas (chamam peças, será? eu não sei!) que são apresentadas separadamente por um palhaço e pelo próprio maestro. No ano passado o palhaço era o Sarrafo, personalidade curitibana. O cara é engraçado demais, a criançada ama. No espetáculo de ontem foi outro palhaço, também muito engraçado: Alípio. Ele apresentou as peças, os músicos, o maestro, fez diversas brincadeiras e entreteve o público todo enquanto o concerto não começava (e às vezes atrasa mesmo). 

o instrumento preferido do francisco é a harpa -  é sempre uma felicidade enorme quando conseguimos sentar perto dela.

o instrumento preferido do francisco é a harpa – é sempre uma felicidade enorme quando conseguimos sentar perto dela.

O próprio maestro também conversa com o público, explicando as obras e fazendo brincadeiras.  Acho isso bacana demais – desmistifica um pouco aquela figura tão nobre e torna o concerto mais acessível. Tanto para as crianças como para os adultos também, lógico – cada concerto é uma verdadeira aula. Os nossos preferidos do ano passado foram com o maestro Osvaldo Ferreira – ele é português, diretor musical e regente titular da Orquestra Sinfônica do Paraná. É um cara divertido. Todos os concertos infantis regidos por ele que levei o Francisco foram animados e bem didáticos – até pedir para mostrar os instrumentos ele já pediu aos músicos. Ontem foi o maestro Tiago Flores quem regeu a orquestra – e também foi muito divertido. A certa hora ele saiu do palco e voltou vestido de Harry Potter para reger o tema do filme, que foi lindamente tocado. A criançada enlouqueceu.

francisco e seu ukulele - ah sim, as crianças podem levar um instrumento e tocar junto no final.

francisco e seu ukulele, em um concerto do ano passado, junto com o amigo joão luca.

Mas a parte mais bonitinha de ontem foi quando um menino e uma menina da plateia foram escolhidos para subir no palco e brincar de reger a orquestra – o menino, Rafael, de 3 anos, fez um show. Foi a coisa mais bonitinha. Na plateia, todas as crianças acompanhavam com instrumentos trazidos de casa – aliás, pode e deve levar um. No final, o maestro orienta que todos toquem junto, é divertido.

Em todos os concertos são distribuídos o programa e também um mapa dos instrumentos, bem didático. É legal demais. Eles acontecem cerca de uma vez por trimestre, e custam 20 reais para os adultos e 10 para as crianças. Ainda não há na programação do Guaíra o próximo quando será, mas vale ficar de olho no site. Eu aviso no facebook do blog também, pode deixar. 🙂