o que é o amor?

Coisa mais bonitinha é ver o Francisco me pedindo: “mãe, vamos ler aquele livro do amoR? aquele do amoR!” (ele fala assim, puxando o R com gosto). E vai, nos seus 3 anos e meio de idade ele não sabe exatamente o que é esse tal amor, mas ele ama, é amado e tem até livro a respeito. Esse aqui foi um dos primeiros livros que eu comprei na Navegadores, aqui em Curitiba, há algum tempo. Comprei porque me apaixonei por ele – achei tão delicada a ideia de falar com crianças sobre amor, que não resisti.

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A história é essa: Emma, uma garotinha, curiosa para saber o que é o amor, sai em busca de respostas. Primeiro, pergunta à mamãe – depois ao papai, à vovó, ao vovô. Cada um responde com as coisas que ama: a mamãe se refere às flores, o pai ao futebol, a vovó aos bolos que assa e o vovô à sua coleção de futebol. Aliás, antes de qualquer elogio à história, uma crítica: logo de cara me chamou a atenção as duas mulheres estarem fazendo trabalhos de casa e os homens, curtindo seus hobbies. Poxa, logo hoje em dia, com o assunto de igualdade de gêneros tão presente, fazer uma dessas é de lascar, vai. Chatice minha, mas é verdade: fosse um livro antigo, era justificável – mas nada, é super atual, de 2011.

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Mas voltemos à história: Emma então se confunde, se angustia com o assunto, pergunta mais um pouco e finalmente tira suas conclusões com tudo o que ouviu. Minha parte preferida:

Estar apaixonado é uma complicação – diz Emma. – Obriga a pensar em imensas coisas: oferecer flores, ir a jogos de futebol e comprar sanduíches, comer apenas metade da fatia do próprio bolo e passear de carro pelo campo.

Não, não é preciso fazer tudo isso ao mesmo tempo! – explica a mamã. – o amor simplesmente aparece.”

 

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O final é de uma delicadeza só – e eu não vou contar não, rá. Aliás, o livro todo é delicado, desde a história até as ilustrações, de Anna Laura Cantone. Tudo muito romântico (nhó!), com vermelho, marrom, recortes, tecidos, linhas pontilhadas, borboletas coloridas e corações. O texto é de Davide Cali, e é originalmente francês. A nossa cópia é a tradução de Portugal, editada pela Gato na Lua, jovem editora portuguesa de livros infantis. Aliás – esse é um problema: pra achar o livro, pelo que pesquisei, só lá em Portugal mesmo – nem na Navegadores aqui há mais. Por lá sai na faixa de 14 euros a cópia.

Bloquinhos de Perguntas e Respostas: ‘Brain Quest’ e ‘Os Pequenos Sabe Tudo’

Volta e meia quando eu leio com o Francisco, a gente para para conversar sobre as páginas do livro, uma a uma. Às vezes, se vocês querem saber, ele nem me deixa ler –  a gente fica nessa de parar e fazer perguntas a respostas sobre cada página, viajando na ilustração: ‘quantas árvores têm aqui? que menino está usando uma camiseta vermelha?’. E assim vai indo.

Foi nessa que eu descobri esses bloquinhos. Eles são exatamente para isso: brincar de perguntar e responder, observar, sinalizar. Primeiro foi o Brain Quest – trouxe dos Estados Unidos. Sem brincadeira, uma das coisas mais divertidas que eu trouxe de lá para o Francisco – ele adora, demais.  A ideia é simples: são bloquinhos de perguntas e respostas para crianças de todas as idades – já tem a partir de 2 anos, e vai longe, para crianças bem mais velhas, até 13 anos de idade.

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No bloquinho de idades de 2 a 3 anos, o personagem principal é Max, o macaco. Algumas perguntas giram em torno dele,  outras não: são formas, cores e palavras, tudo muito colorido, com as respostas na mesma página. No bloco de 3-4 anos (esse da foto) a personagem é a ratinha Molly e as perguntas vão mais além: envolvem comparações, letras, números e palavras mais difíceis. As respostas estão sempre na próxima página – então a brincadeira é ainda mais divertida, quase uma supresa. Conforme a criança vai crescendo, os bloquinhos vão acompanhando a idade escolar e a dificuldade vai aumentando.

Tudo em inglês, lógico – o que é bacana, porque dá pra aprender várias palavras (eu junto com o Francisco, diga-se de passagem). Mas deixa eu contar: também há a versão em português. Encontrei esses dias, na Livraria da Vila. É outro bloquinho, de nome e editora diferente, mas a ideia, o jeitão e as perguntas são bem parecidos. Os bloquinhos brasileiros chamam-se Os Pequenos Sabe Tudo, e são da editora Sextante. São a tradução dos Les Incollables, bloquinhos franceses.

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Aqui em casa a gente gosta dos dois – o Francisco se diverte especialmente com a forma de manusear os bloquinhos. Eles abrem como um leque, e são bem práticos. É só colocar na bolsa e pronto, tá ali à mão. No carro, no restaurante, em viagens, em casa mesmo. O preço: os  Brain Quest custam cerca de 10 dólares a caixinha –  e nela vem dois ou três bloquinhos, com geralmente 300 perguntas e respostas. Dá pra comprar via Amazon. Os Pequenos Sabe-Tudo custam cerca de 25 reais um só bloquinho, com 150 perguntas e respostas. Mas se liga: estão em promoção na Livraria da Folha por 16 reais.

livro: o leão e o camundongo

Sabe o que são fábulas de Esopo? Espera, primeiro: o que são fábulas. Fábulas são histórias em que os personagens são animais que exibem características humanas, e que geralmente terminam com uma lição de moral. As de Esopo são chamadas assim porque são creditadas a Esopo, um escravo e contador de histórias que viveu no século V a.c. As fábulas que mais conhecemos são as atribuídas a ele: A Cigarra e a Formiga, A Raposa e as Uvas, A Tartaruga e a Lebre, entre outras.

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Esse livro, O Leão e o Camundongo, conta uma dessas fábulas – mas de um jeito especial: sem palavra alguma, só ilustração. E ilustrações absolutamente lindas. A história é a seguinte: um camundongo vai parar garras de um leão, que por alguma razão o deixa fugir livre. Um dia então, no meio da selva, o leão cai em uma armadilha humana – e é o pequeno camundongo que o vem resgatar, roendo a corda para que o felino fuja livre. Moral da história: nenhum ato de solidariedade é desperdiçado.

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É uma releitura da fábula, ilustrada por Jerry Pinkney, um dos maiores ilustradores norte-americanos de literatura infantil. As ilustrações são mesmo de tirar o fôlego – tudo enorme, completando as páginas inteiras, cheias de detalhes. Um desses detalhes, aliás, é o cenário no qual escolheu que a história se passasse: o Parque Nacional Serengeti, da Tanzânia e do Quênia. Ele fala sobre isso no final do livro: “pareceu-me apropriado situar a fábula no Parque Serengeti, com seu horizonte amplo e sua vida selvagem abundante, tão impressionante embora tão frágil tal como os dois lados de cada um dos heróis protagonistas desta fábula grandiosa e eterna”. 

Pinkney carrega diversos prêmios de ilustração, inclusive uma medalha Caldecott, que ganhou em 2010 por esse livro. E olha que história bacana: quando era pequeno, Pinkney foi diagnosticado com dislexia, e sofreu um bocado por isso. Foi o desenho que o fez superar seus problemas e recuperar a auto-estima. Começou a desenhar pequenino – hoje, aos 75 anos, tem um bocado de livros publicados, um mais bonito que o outro. Vale dar uma olhada aqui para ver todos. O Leão e o Camundongo é publicado no Brasil pela WMF Martins Fontes.

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