oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 6 anos, e vinícius, ainda bebê. seja bem-vindo! Leia mais



28 out 2013

o meu vizinho é um cão

Escrito por
Livros

Já falei aqui da Planeta Tangerina, editora portuguesa que publica livros muito legais e diferentes. É a editora do Todos Fazemos Tudo, que o Francisco adora, e desse aqui, O Meu Vizinho é um Cão, outro livro do coração (a intenção não era a rima). Faz tempo que quero falar dele aqui – mas agora que foi lançado no Brasil pela (também muito legal) editora Cosac-Naify é mais uma razão pra indicá-lo.

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Sabe aqueles livros que você termina de ler e sente uma felicidade enorme? Então. O Meu Vizinho é um Cão é um desses – ele é bonito, gostoso de ler, muito criativo e traz uma mensagem importante: aceitar, sempre, as diferenças. A história é contada na voz de uma garotinha que mora num prédio muito pacato onde começam a chegar vizinhos diferentes. O primeiro que chega é um cão – e os pais da garota implicam com ele. Ela gosta do cachorro – curte vê-lo tocar saxofone na varanda, por exemplo. As mudanças para o prédio continuam – chegam um par de elefantes, um crocodilo – a menininha fazendo amizade com todos e seus pais sempre torcendo o nariz.

Segue um trecho (e atenção para o português caprichado de Portugal):

“No outro dia disse aos vizinhos:

‘Não acham esquisito que os meus pais vos achem esquisitos?’

Ao que eles responderam imediatamente:

‘Os teus pais é que são esquisitos!’.

‘Olham-nos de cima a baixo’, queixou-se o cão.

‘E sempre com um ar superior’, disseram os elefantes.”

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A menina então percebe  que ali só ela mesma entende as diferenças dos vizinhos e as respeita – e junto com seus pais, triste com a situação, muda-se de casa. Mas é aquela história: os incomodados que se mudem, oras – e ela vai embora prometendo um dia voltar. O livro termina assim:

‘Disseram-me que em nossa casa

mora agora uma família de três ursos.

E que o meu prédio está cada vez mais divertido…

Não é de admirar.

Qualquer dia, quando crescer, faço-lhes uma surpresa também.

Paro um enorme camião de mudanças em frente à porta…e mudo-me para lá!

Tenho a certeza que eles não vão me achar nada esquisita!”

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A historinha é de Isabel Minhós Martins e as ilustrações, bem diferentes, são de Madalena Matoso. Coisa linda, tudo com muito muito azul, cor-de-rosa e vermelho. Ah, o livro coleciona premiações (muitos pelas ilustrações, aliás) e é recomendado pela Amnistia Internacional. O exemplar nacional custa 39 reais na loja da editora – mas ó, vale pesquisar antes de comprar (como sempre!): está um tanto quanto mais barato (26 reais!) nas Lojas Americanas.


21 out 2013

o sapato que miava

Escrito por
Livros

Ai os livros da minha infância! Fico tão, mas tão feliz de reler com o Francisco – e ó, tenho que agradecer minha querida mamãe que se deu ao trabalho de guardar tudo bonitinho e me entregar assim, anos depois (ninguém precisa saber quanto). Esses dias tive uma bela surpresa: minha mãe me entregou uma caixinha com mais alguns dos meus preferidos, lá daquele tempo. Uma caixinha que apareceu na mudança.

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A primeira coisa que eu fiz quando recebi o presente foi buscar no meio da pilha por um livro específico: O Sapato que Miava. E atenção pra emoção, estava lá, minha gente. Fiquei tão feliz. Não sabia que esse estava guardado, e por coincidência andei procurando ele por aí recentemente, para comprar para reler com o Francisco. É um livro que volta e meia me volta à memória, é até engraçado. Mas nada, não achava – na verdade, há uma nova edição dele, com nova ilustração – mas eu queria aquele antigo, que eu me lembrava quase que exclusivamente pelos desenhos. Me lembrava da senhorinha negra, gorducha, óculos e saia xadrez, sentada em sua cadeira balanço, e do seu gato gordo e cor-de-rosa.

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O livro é de Sylvia Orthof, um dos grandes nomes da literatura infantil brasileira. Faleceu em 1997, mas deixou mais de 120 livros escritos – muitos ilustrados por Tato, seu marido – como essa minha edição antiguinha aí.

A historinha do gato Deodato que morava dentro do sapato é engraçada e até, vai, um pouquinho cruel. Fugindo do barulho da torneira que pinga sem parar, o gato entra dentro do sapato – sua dona não percebe e sai por aí, passeando com o sapato miando:

“Lá vai a Dona Velha,

calçando seu velho sapato,

com o chulé encolhido,

mancando por causa do gato…

que não saiu do sapato!

Lá vai a velha pra feira,

cada passo é um miado,

pois o gato Deodato,

no sapato apertado,

miava a cada passo:

– Miau! Miau! Miau! Miau!”

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Dona Velha anda pela cidade toda, vai à feira, passa por estrada, rio e ponte, e Deodato miando. Até que um cachorro, o Fedelho (juro que é esse o nome) ouve o miado e sai correndo atrás dele – levando com ele seu dono, um velhinho simpático. A história termina lindamente, com namoro e casamento: Dona Velha e o senhorzinho juntos, sentadinhos, e cachorro e gato nos respectivos sapatos.

Vai, mais um trechinho que eu não me aguento:

“Depois o velho casal

foi morar na casa velha.

O gato mia no sapato…

e cachorro Fedelho agora late um au, au,

quando o seu querido velho

calça o seu velho chinelo.

Pois o cachorro, encolhido,

aprendeu, foi com o gato:

O cachorro no chinelo.

O gato, lá no sapato.

Cada qual em sua cama.

Quando o velho vai e calça,

no velho pé, seu chinelo,

aperta dentro o Fedelho.

– Au, au! – late o pé do velho.

O cachorro no chinelo,

e o gato no sapato.

E a velha com seu velho,

eu juro, foi assim, de fato!”

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Tá aí, deve ter sido uma das minhas primeiras histórias de amor – e é a primeira do Francisco. Tão bonitinha! A edição mais fácil de achar hoje é essa aqui, com ilustrações de Ivan Zigg. Também parece bem bacana. Não parece disponível em muitas livrarias, mas vale dar uma pesquisada, especialmente em sebos por aí.


16 out 2013

A ball for Daisy

Escrito por
Livros

Tudo bem que o nome da cachorrinha do livro que eu indico hoje é o nome da mãe do Francisco, a pessoa que aqui vos fala, tudo bem. Daisy é mesmo nome de pato da Disney (alô Margarida!), perfume ou cachorro. Mas deixa eu contar: esse livrinho é uma delícia, e faz tempo que anda circulando aqui em casa. Comprei , admito, pelo nome – ué, fiquei curiosa. E acertei – é mesmo muito bonitinho.

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O nosso é esse aqui, em inglês, edição americana. Quer dizer, em inglês só o título, porque na verdade o o livro não tem texto algum: são apenas imagens, desenhos à base de aquarela do autor, o ilustrador Chris Raschka. As ilustrações são todas grandes, bonitonas: tudo com muito azul, amarelo e vermelho – aliás, vermelha é a tal bola da Daisy.

A historinha é bem simples: a cachorrinha curte sua bolinha, corre com ela por aí, até que um dia, brincando com um cachorro que conhece no parque, sua bola de estimação estoura. Ela fica triste da vida, lógico. Mas final feliz: a tutora do outro cãozinho dá uma nova de presente para a Daisy – dessa vez, uma bola azul.

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Toda criança já perdeu – ou quebrou, ou teve quebrado – algum brinquedo que gosta muito. O Francisco já – esses dias quebrei a perna de um lanterna verde dele (aham, eu mesma, fechei a porta do carro em cima do brinquedo, coitado), um brinquedo que carregava para cima e para baixo. Nem preciso contar o chororô que foi – e pior, o brinquedo tinha sido um brinde de algum lanche, não tinha como repor. Aí RÁ, lembrei da história da bola da Daisy – o consolo não foi instantâneo, mas funcionou.

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Outra coisa: gosto bastante de livros sem palavras – especialmente quando é assim, bonito de verdade. Quando as ilustrações se destacam e prendem mesmo a atenção da criança. É legal porque dá pra ler de diversos jeitos, mudar a história (por que não?), o vocabulário – dá pra ‘ler’ conforme o humor. E é mais fácil estimular que a própria criança conte a história, do jeito que ela vê ali.

A Ball for Daisy é tão bacana que já ganhou diversos prêmios nos EUA – inclusive a medalha Caldecott, no ano passado, um dos prêmios americanos mais prestigiados da literatura infantil. Parte chata: aqui no Brasil, só achei à venda na Livraria Cultura, por um precinho bem amargo: 52 reais. Já via Amazon, um novo sai por 13 dólares.