“Endrigo, O Escavador de Umbigo”

Olhando Fundo Para o Umbigo

Olhar para o próprio umbigo nunca foi tão divertido – e hilário – como nesse livro. Para Endrigo é também coisa tão séria que virou até trabalho de escola, acreditam?

“Meu umbigo tem onze anos. Passou por dois papas, dois presidentes da República, uma operação de verrugas na barriga e incontáveis banhos de esguicho”, começa ele.

E com a a ajuda de sua colega-assistente Amanda e as ferramentas certas (cotonetes, água e sabão, palitos de dentes, lanternas, uma pinça e – porque não – um chinelo para o caso de insetos rastejantes que saiam de lá) inicia uma profunda escavação umbilical.

De lá, minha gente, sai de tudo. Fiapos de roupa, migalhas, muco, tá certo – mas também um mosquito fossilizado, um besouro gigante e destroços de antiga civilização, como o que restou da velha chupeta de Endrigo, por exemplo.

Das camadas umbilicais ainda mais primitivas saem também artefatos de seus primeiros anos de vida (uma crosta seca de papinha de maçã, no caso), um trabalho de ciências (estava ali o tempo todo, rá!) e outros tantos objetos absolutamente inusitados – e engraçadíssimos!

Ilustrado por Andrés Sandoval, essa história (riquíssima, o texto é incrível!) de Vanessa Barbara é de arrancar gargalhadas da criançada – especialmente aquela que curtem uma aventura com melecas e afins. E que criança não curte, me diz?

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Sobre a #caixapostaldacigarra e parcerias

 

um francisco, um vinícius, muitos livros

Esse ano termina com a #caixapostaldacigarra cheia de material bacana: livros independentes, livros de pequenas e grandes editoras. Isso me deixa muito feliz – em quase 5 anos de blog, fico alegre por ter conquistado reconhecimento e carinho.

Apesar de não conseguir compartilhar tudo que gostaria, leio e exploro cada um dos livros que recebo. Aos poucos (em 2017 foi bem aos poucos mesmo, o ano foi especialmente atrapalhado) vou dividindo aquilo que mais mexe comigo, aquilo que o Fran e o Vini mais curtem.

Decidi que em 2018 não vou me inscrever em parcerias com editoras. É bacana, foi assim que comecei a receber boa parte dos livros que temos (muita gente me pergunta isso!). Mas há uma cobrança (não com todas editoras, vale dizer) que não dou conta (na foto, lá em cima, as duas principais razões disso), que não concordo. Trabalhar em troca de livro não funciona.

Cada livro merece atenção especial, cada um toma tempo – e se não for pra fazer com capricho, melhor nem fazer, né? A #caixapostaldacigarra vai seguir aberta para receber livros de autores, ilustradores, de editoras, como sempre esteve. É uma honra poder descobrir tanta coisa legal em primeira mão. Eu vou seguir compartilhando sobre os livros que recebo, os livros que compro, que descubro e que me encantam – é o que mais amo fazer. Com tempo e carinho. ❤️

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Caixa Postal da Cigarra

cx postal 11515

cep 80430-981

curitiba-pr

Direitos do Pequeno Leitor, de Patricia Auerbach e Odilon Moraes

pelos direitos das crianças leitoras

Pelo direito de ler e não ler

Lá nos anos 90 o escritor francês Daniel Pennac listou em seu livro “Como Um Romance” (que só fui conhecer – e me apaixonar! – agora) os “Direitos Imprescritíveis do Leitor”. Com humor, ele autoriza o leitor a pular páginas, a não terminar um livro, a ler em qualquer lugar – e termina: “porque se quisermos que um filho, filha, que os jovens leiam, é urgente lhes conceder os direitos que proporcionamos a nós mesmos”.

velhos amigos dos livros infantis

Foi inspirado nesse manifesto que surgiu o precioso “Direitos do Pequeno Leitor” – a ideia da escritora Patricia Auerbach foi justamente criar também os direitos da criança leitora. E foi em conjunto com o ilustrador Odilon Moraes, mudando texto, alterando desenhos, que nasceu essa obra tão bonita – e também tão importante. Aqui, imagem e texto se complementam e se ampliam, como num (bom) livro ilustrado. É divertido observar como as palavras inspiram as ilustrações, as crianças que brincam, lêem e viajam, escolhendo ser herói, escolhendo o personagem principal, escolhendo quando e como querem ler. Uma leitura deliciosa, cheia de ritmo, referências lindas nas ilustrações (tão gostoso reconhecer velhos amigos!) e altamente inspiradora – para pequenos e grandes leitores. Da Companhia das Letrinhas.

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