O Barulho Fantasma

Francisco andou resgatando esses dias outro livro da minha infância: O Barulho Fantasma. Desde pequena sempre gostei de histórias de mistério: os suspenses infantis da Stella Carr, Ganymedes José, a famosa série vaga-lume, todos esses faziam parte da minha pequena biblioteca (e hoje fazem parte da biblioteca do Francisco, pra ele ler quando for maior). Era só ter terror, um fantasma, um esqueleto e pronto, eu estava lendo. Acho que esse aqui deve ter sido um dos meus primeiros livros de mistério.

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(fotinho saiu meio fosca, mas o estado do livro também não ajuda)

É um livro pequeno, bem curtinho e até meio sem graça – mas como eu gostava dele! E agora o Francisco também – pra gente ver que nem sempre aqueles livros enormes, lindos e elaborados são os preferidos. Esse aqui, O Barulho Fantasma, tem uma historinha simples: um menino ouve um barulho e se assusta. Corre, se esconde, e o barulho se aproxima. Lá pelas tantas uma mão feita de osso (isso mesmo) toca seu pescoço – e lá corre ele, mais ainda, pedindo por ajuda. No final, tá tudo bem: era só um esqueleto-robô. Bobinha a história, eu sei, eu sei. Mas gente, eu me lembro TÃO bem do frio na barriga que eu sentia lendo e imaginando os barulhos, imaginando a tal mão feita de osso. E me lembro que toda vez que eu lia, eu me perguntava por que o menino estava sozinho. “Mãe, mas a mãe dele não tava em casa?”, eu perguntava. O Francisco faz a mesma coisa: “mas não tinha ninguém com ele, mãe?”.

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As ilustrações são bem simples, do Martin (assim mesmo, um só nome). Acho que gosto delas especialmente por fazerem muito parte da minha memória, mas são divertidas. O livro faz parte da coleção Estrelinha, da Editora Ática, que tem como objetivo acompanhar a alfabetização da criança. Esse aqui já é Estrelinha III, para quando a criança já é alfabetizada. Mas dá para ler com crianças mais novas, a partir dos três anos mesmo – e é até um jeito bacana de iniciar uma conversa sobre medo. Inclusive no Portal do Professor do MEC tem dicas para professores de como trabalhar o assunto e o livro em sala de aula.

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O livro é baratinho e fácil de achar, inclusive em sebos. Na Estante Virtual dá pra achar a partir de 5 reais!

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Livro: O Barulho Fantasma

Texto: Sônia Junqueira

Ilustração: Martin

Editora: Ática

A gigantesca pequena coisa

Tá vendo por que eu não posso entrar na Navegadores? Porque eu não consigo sair de lá sem pelo menos um livro embaixo do braço. Se eu for com o Francisco, então, pior ainda. Ontem aproveitei que ele estava na escola (ai, a felicidade da volta às aulas!) e fui dar uma volta por lá, levar alguns marcadores de texto que fiz do blog. Foi só entrar na livraria e dez minutos depois estava eu sentada com uma pilha de livros infantis para conhecer (e babar).

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Saí só com um, mas saí com um escolhido a dedo. Folheei vários quando estava lá, mas esse me chamou a atenção logo de cara. Grande, formato A2, com capa dura, ilustrações lindas e adivinha, português. Não adianta, eu tenho mesmo uma loucura pelos livros infantis portugueses, já falei de diversos aqui no blog. Gosto da forma como são editados, da qualidade impecável, das ilustrações, das histórias – absolutamente tudo.

Esse aqui é uma verdadeira obra de arte, sem brincadeira. Coisa linda. Chama-se ‘A Gigantesca Pequena Coisa’ (é originalmente em francês, La Gigantesque Petite Chose), e tanto o texto quanto as ilustrações são da artista italiana Beatrice Alemagna. O livro fala sobre a existência dessa tal gigantesca pequena coisa de um jeito muito delicado, bem poético. Um mistério até o final. Selecionei três dos meus trechos/desenhos preferidos pra mostrar pra vocês:

“A senhora do crocodilo ficou à porta, a esperar por ela, durante longos meses. Nunca viu chegar nada. Há pessoas que não sabem reconhecê-la.”

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“Um dia, como por brincadeira, ela escondeu-se numa lágrima e encheu um homem de nostalgia.”

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“As pessoas encontram-na nos cheiros, nos olhares. Nos braços dos outros.”

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No final, trata-se da felicidade. A coisa toda de ela estar quase sempre à nossa frente (muitas vezes sem a percebermos), a tal busca constante. Tão bonito! É lógico que é um livro para crianças um pouco maiores (e para adultos, por que não?). Permite mil diálogos e reflexões.

Mas ainda assim, li nessas duas últimas noites com o Francisco – do nosso jeito, mostrando e conversando sobre os detalhes das ilustrações, perguntando o que seria a tal gigantesca pequena coisa. No início, ele não deu muita bola para o livro – quando tirei da sacola nem quis folhear. Mas foi só eu começar a ler a história que ele se aconchegou do meu lado e ouviu atento. Ontem pediu que eu lesse novamente, e hoje de manhã também – surgiu na sala meio desastrado, carregando o livro grandão pro meu colo. Já entrou pra lista dos preferidos!

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Livro: A Gigantesca Pequena Coisa

Texto e ilustração: Beatrice Alemagna

Editora: Bag of Books (Portugal)

 

O Balé da Chuva

Finalmente voltamos de viagem. Saímos de uma Madison ensolarada, que beirava os 35 graus, e chegamos em uma Curitiba chuvosa e muito fria – semana passada até nevou. A boa coisa é que fez frio na nossa última semana de férias – hoje, que o Francisco voltou às aulas (aleluia senhor), fez um dia lindo de morrer.

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Semana passada a gente aproveitou pra colocar os livros em ordem, reler e redescobrir alguns – esse aqui foi um deles. Comprei O Balé da Chuva na livraria Poetria, aqui em Curitiba. Lá é um lugar bacana, livraria pequenininha  e aconchegante, com cafés e delícias e uma bela seleção de livros infantis. Lá também tem muita coisa local (de autores aqui do Paraná), e volta e meia acontece eventos bacanas, como papo literário, contação e outras atividades. Foi numa dessas que comprei nossa cópia do Balé da Chuva.

É o primeiro livro infantil de Marilza Conceição, professora e coordenadora da regional do Paraná da AEILIJ (Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil), e é uma delícia de ler. É em primeira pessoa em primeira pessoa, e começa descrevendo uma paisagem muito conhecida para quem mora aqui por esses lados: uma casa de madeira, parede branca e janelas azuis, um grande pinheiro araucária aos fundos (que o Francisco toda vez que vê na ilustração, aliás, diz: ó mãe, o pinheiro do pinhão!).

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Numa noite muito chuvosa a mãe observa a janela. A filha caçula aparece dizendo que está com medo daquela chuva toda – e ali começa uma conversa sobre ela, a chuva. Mãe e filha observam pela porta – e a mãe narra a chuva como se ela fosse um balé, guiado por uma orquestra de ventos e trovões:

“Abraço-a enquanto olhamos os pingos barulhando na calçada. 

Um clarão piscante de luz aparece no céu por instantes, feito lâmpada fluorescente gigante. Aconchego-a junto a mim:

Agora vem o trovão, o instrumento musical mais vigoroso.”

 

No final, a garotinha perdeu o medo, e mãe e filha dançam nos degraus da entrada da casa, acompanhando o ritmo da chuva. É daqueles livros pra ler aconchegado com o filhote (ou filhota), melhor ainda se ouvindo a chuva lá fora, por que não? As ilustrações são de Alessandra Tozi, também curitibana.

O livro está à venda por aqui na Poetria e na Navegadores – fora do estado, vale encomendar pela editora Insight.

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Livro: O Balé da Chuva

Texto: Marilza Conceição

Ilustração: Alessandra Tozi

Editora: Insight