A Árvore Generosa, ou The Giving Tree

Acho muito legal receber sugestões de livros infantis – aliás, essa é uma das razões do blog: trocar dicas de literatura infantil. Tem dado certo –  volta e meia e recebo emails com dicas bacanas, corro atrás do livro e fico feliz da vida. Esse aqui foi um deles, dica do Thales Correa:

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The Giving Tree, em português A Árvore Generosa, é um clássico da literatura infantil americana. Escrito por Shel Silverstein, foi lançado nos Estados Unidos pela primeira vez em 1946. O livro é triste – triste de verdade. Tão triste que, na época, Silverstein não conseguiu que fosse publicado imediatamente – o livro foi primeiro recusado pela Harpers & Row. Segundo os editores, era ‘triste demais para as crianças e simples demais para adultos’. Só foi impresso de fato alguns anos depois – mas também, desde então, já foi traduzido para diversas línguas e vendeu milhões de cópias no mundo inteiro.

O livro conta a história de uma árvore que amava um garoto – e de um garoto que amava uma árvore. Todos os dias eles brincavam, ele a escalava, se pendurava em seus galhos. O tempo passa e a relação deles permanece – até que o garoto chega à adolescência, se apaixona por uma garota, e a árvore fica abandona por um bom tempo. Um dia ele volta, precisa de dinheiro – a árvore generosa então sugere que ele venda suas maçãs. Ele faz como ela manda – depois usa seus galhos para construir uma casa, depois seu tronco para navegar – e a árvore, ou melhor, o toco da árvore continua ali, sentindo saudade do garoto. Termina (ó o spoiler) com o garoto já velho, vindo sentar no toco que resta. E a árvore, coitadinha, se sente feliz novamente. É como uma fábula.

Falei, é triste – mas é pra refletir. Há dezenas de interpretações para a relação árvore-garoto: amizade, relação mãe e filho, humano e natureza. E olha, também há diversas pessoas que detestam o livro – que o garoto é egoísta, que a mensagem é ruim. Besteira, justamente por isso é tão incrível – dá para cada um ‘conversar’ com o livro como lhe convém. Gosto bastante também das ilustrações – são do próprio autor, muito simples, em preto-e-branco. Até nem interessa muito a criançada no início – Francisco chegou pela primeira vez e ficou todo curioso pela capa, bem verde. Mas foi só abrir e perguntar: ‘mas é pra pintar, mãe?’. Faz parte.

Aqui no Brasil, a edição é da Cosac Naify, traduzida pelo escritor Fernando Sabino. Daqueles livros que vale muito a pena ter na biblioteca de casa!

Como ser babá do vovô

Esse mês está rolando uma atividade na escola do Francisco sobre os avós. As crianças levaram fotos, histórias e brincadeiras do tempos deles – e também levaram os próprios. Coisa mais bonitinha: o combinado é que o vovô ou a vovó mostre um talento. Vale desenhar, tocar, ler uma história ou fazer uma salada de frutas pra criançada – o importante era estar lá.

O vovô do Francisco, meu pai, foi na semana passada e modéstia à parte, diz que foi um show. Ele primeiro tocou violão: sapo cururu e marcha soldado, e a criançada cantou e dançou junto. Depois fez alguns desenhos – aliás, estão lá pendurados na parede da sala de aula um elefante, uma cobra, uma ovelha, tudo desenho do (muito talentoso) vovô Napoleão. Nem preciso contar o orgulho do Francisco nessa brincadeira toda. 

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Outra atividade que fizeram na escola foi ler um livro sobre os avós – essa foi a introdução do projeto, na verdade. A Amanda, professora da turma, me pediu indicação de algum livro que tratasse do assunto. Na mesma hora me lembrei desse aqui, Como ser babá do vovô – tinha comprado por indicação do site Kids Indoors. Foi escolhido logo de cara, tão bonitinho que é, e emprestamos o livro pra ser trabalhado na escola. A criançada curtiu.

A ideia do livro é bem bacana: o vovô vai cuidar do netinho enquanto os pais saem para trabalhar – só que a história é contada pelo garoto, que jura que na verdade é ele quem está cuidando do vovô. Então ele fica de babá e ainda passa as dicas: lanches que o vovô gosta, brincadeiras, ideias de desenhos. Tudo na voz da criança:

“Depois do lanche, é hora de levar o vovô pra passear.

Se estiver frio, agasalhe bem o vovô.

Se estiver fazendo calor, não se esqueça de passar protetor solar nele, principalmente na careca.

Lembre-se de dar a mão para ele quando for atravessar a rua, ensine a ele a sempre olhar para os dois lados.”

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Um livro fofo, fofo mesmo! Ele é da americana Jean Reagan, e nos Estados Unidos fez bastante sucesso – tanto que em março de 2014 a autora lança o How to babysit a grandma, a versão de como cuidar da vovó. No Brasil a edição é da Cia. das Letrinhas – e se liga na dica: está em promoção na fnac, de 29 por 20 reais.

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Livro: Como ser babá do vovô

Texto: Jean Reagan

Ilustração: Lee Wildish

Editora: Companhia das Letrinhas

Sneaky Sam

Olha, admito que ainda não me acostumei mesmo com essa coisa de tablet. Acho sensacional, mas sei não, ainda me bato pra umas besteiras. Mas tenho achado muito aplicativo legal, especialmente coisas para crianças – e apesar de meio devagar, cada vez vou me habituando mais ao mundo dos tablets. O Francisco adora (com moderação, claro, minha gente) – desde os quebra-cabeças até claro, os livros digitais. E olha, tem um mais bacana que o outro. Esse aqui eu vi indicação na página do facebook da E-Stilingue (que faz o Dragoberto, livro digital do qual já falei por aqui):

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Sneaky Sam conta a história de um garotinho que gosta de aprontar. A tradução de sneaky é ‘sorrateiro’ – sabe, aquele garoto malandro? Então, o Sam é assim. Ele se esconde no armário, troca seu desenho na escola com o amigo Cooper, coloca uma aranha de brinquedo na lancheira na amiga Harriet (sacanagem), entre outras travessuras.

É em inglês – e aliás, um inglês lindo, britânico (adoro o sotaque!). As ilustrações são muito bonitas, da australiana Binny – com três cores principais: amarelo, vermelho e azul. E cheia de detalhes – essa é a parte mais legal, enquanto a gente vai lendo, dá para tocar em objetos na tela e ter algumas surpresas. A porta do armário que abre, a luz acende e apaga, as flores se mexem.

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E não é só isso: o aplicativo também traz três joguinhos, todos com as ilustrações do livro. Um de adesivos, que dá pra colar na tela e salvar, um de memória e o preferido do Francisco, que é o de procurar o Sam nos lugares mais escondidos. É divertido. No site do aplicativo dá pra baixar os adesivos e outras coisinhas divertidas, vale dar uma olhada. Ah, está disponível para iPad e iPhone, e custa U$ 2,99.

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