Forever Young

Ainda no clima musical da semana passada (ao invés de livro, eu indiquei um disco do Francisco, vocês viram?), hoje vou falar de um livro inspirado em uma música: Forever Young. O clássico dos anos 70 do ídolo Bod Dylan (quem não ama?), virou esse lindo livro aí, obra do artista Paul Rogers.

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O livro nada mais é que a letra da música inteirinha, toda ilustrada, estrofe por estrofe. Nessa nossa edição, brasileira, da Martins Fontes, a letra vem nas duas línguas, inglês e português.

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Todas as ilustrações são lindas e coloridas, nesse estilo anos 60, e detalhe: cheias de referências de todas as obras do compositor. Por exemplo, na ilustração aí em cima, repara comigo: na porta do quarto, o cartaz do disco Bob Dylan Greatest Hits (1967), a parede com fotos de músicos, o disco do Beatles ao lado da vitrola. E cada uma das ilustrações, em cada página, vem cheia de novas surpresas.

O próprio ilustrador, no final do livro, mostra página a página algumas coisas que possivelmente passariam imperceptível para o leitor, e avisa: algumas são um mistério, e cabe a gente descobri-las. E sugere: “pegue alguns álbuns de Dylan, sente-se, ouça a canção, folheie o livro e veja o que consegue encontrar”.

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É facinho de ler, um minutinho e pronto – por isso gosto de brincar de achar coisas com o Francisco em cada uma das páginas. Faço assim: nessa ilustração aqui em cima, um violão, onde tem? Um cachorrinho? Um menino se escondendo? Ele adora, faz o mesmo comigo. Justamente pelo livro não ter uma historinha em si, a gente inventou esse jeito de ler e de fazer do livro uma brincadeira. É divertido. Ainda não ouvi a música lendo com o Francisco, que eu acho que pode ser bem legal também – vou fazer isso logo. Vamos ver se ele curte.

Aliás, segue aqui a música, com uma animação do próprio livro:

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Pequeno Cidadão 2

Faz tempo que eu quero falar de música aqui – quer dizer, além dos livros, quero falar também de filme infantil, gibi, quadrinho, enfim, de tudo isso que eu e o Francisco curtimos juntos. Música é uma das coisas que a gente mais gosta – desde que o Francisco era pequenininho. A gente ouve de tudo, de tudo mesmo. E esse disco aqui já faz um tempo que não sai do rádio do carro, do rádio da casa, do computador.

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A gente conheceu o Pequeno Cidadão 2 através do show – já tínhamos o Pequeno Cidadão 1, e amávamos. Então em maio desse ano rolou show da banda por aqui e a gente foi – eu, o Francisco e mais uma turma. O show tava cheio, coisa linda. Foi divertido, criançada enlouquecida pulando na frente do palco. Todo mundo curtiu, pulou, dançou e cantou – e olha que a gente nem conhecia as músicas. As tocadas, a maioria delas, já eram desse cd aqui, do Pequeno Cidadão 2 – só tocaram uma (ou duas) do primeiro disco. Mas ainda assim foi animado – compramos o disco lá mesmo, na saída do show. Final das contas fizemos o caminho inverso: primeiro o show, depois o disco.

Vou deixar pra falar do primeiro disco da banda em outra ocasião – hoje indico esse aqui, o segundo. O espírito dos dois é o mesmo: o projeto é fazer música, rock mesmo, pra criançada. No Pequeno Cidadão 2 permanecem os músicos Edgard Scandurra (do Ira! e do Ultraje a Rigor, quem não lembra?), Taciana Barros e Antonio Pinto – só sai o Arnaldo Antunes, que participa em apenas uma das músicas. E a criançada, claro, filhos dos próprios músicos, que cantam, tocam e fazem o maior barulho (inclusive escrevem algumas das músicas). É essa a parte que eu acho mais bacana desse disco, as músicas cantadas pelas próprias crianças. No show é a mesma coisa: a criançada no palco faz bonito.

Desde o dia do show, o Francisco enlouquece toda vez que escuta o disco. A música que ele mais gosta é a primeira, “mamãe tamo chegando” – ele gosta tanto dela que a escolheu como música preferida para um projeto da escola, e diz que foi uma festa. Não adianta, é só ele escutar o comecinho dela que fica todo animado. Canta inteira, do início ao fim. Aqui tem o clipe:

E claro, tem as minhas preferidas (também tenho, oras). A “fim de semana”, que eu a-do-ro e já me peguei ouvindo sozinha no carro algumas vezes (pois é) e essa aqui, “oi hello”:

Aí tem a música dos móveis da casa, a da língua do p, da galáxia, até do primeiro amor. Tudo coisa presente no mundo infantil – é difícil escolher as mais legais. O cd custa na faixa de 25 reais por aí – mas ó a boa notícia: tem inteirinho pra escutar na Rádio Uol.

O Barulho Fantasma

Francisco andou resgatando esses dias outro livro da minha infância: O Barulho Fantasma. Desde pequena sempre gostei de histórias de mistério: os suspenses infantis da Stella Carr, Ganymedes José, a famosa série vaga-lume, todos esses faziam parte da minha pequena biblioteca (e hoje fazem parte da biblioteca do Francisco, pra ele ler quando for maior). Era só ter terror, um fantasma, um esqueleto e pronto, eu estava lendo. Acho que esse aqui deve ter sido um dos meus primeiros livros de mistério.

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(fotinho saiu meio fosca, mas o estado do livro também não ajuda)

É um livro pequeno, bem curtinho e até meio sem graça – mas como eu gostava dele! E agora o Francisco também – pra gente ver que nem sempre aqueles livros enormes, lindos e elaborados são os preferidos. Esse aqui, O Barulho Fantasma, tem uma historinha simples: um menino ouve um barulho e se assusta. Corre, se esconde, e o barulho se aproxima. Lá pelas tantas uma mão feita de osso (isso mesmo) toca seu pescoço – e lá corre ele, mais ainda, pedindo por ajuda. No final, tá tudo bem: era só um esqueleto-robô. Bobinha a história, eu sei, eu sei. Mas gente, eu me lembro TÃO bem do frio na barriga que eu sentia lendo e imaginando os barulhos, imaginando a tal mão feita de osso. E me lembro que toda vez que eu lia, eu me perguntava por que o menino estava sozinho. “Mãe, mas a mãe dele não tava em casa?”, eu perguntava. O Francisco faz a mesma coisa: “mas não tinha ninguém com ele, mãe?”.

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As ilustrações são bem simples, do Martin (assim mesmo, um só nome). Acho que gosto delas especialmente por fazerem muito parte da minha memória, mas são divertidas. O livro faz parte da coleção Estrelinha, da Editora Ática, que tem como objetivo acompanhar a alfabetização da criança. Esse aqui já é Estrelinha III, para quando a criança já é alfabetizada. Mas dá para ler com crianças mais novas, a partir dos três anos mesmo – e é até um jeito bacana de iniciar uma conversa sobre medo. Inclusive no Portal do Professor do MEC tem dicas para professores de como trabalhar o assunto e o livro em sala de aula.

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O livro é baratinho e fácil de achar, inclusive em sebos. Na Estante Virtual dá pra achar a partir de 5 reais!

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Livro: O Barulho Fantasma

Texto: Sônia Junqueira

Ilustração: Martin

Editora: Ática