Estrambólicos

Semana passada eu falei de um dos livros mais legais que eu e o Francisco já vimos por aí: o De Caras. Esse aqui, Estrambólicos, segue o mesmo estilo. Também é da PatoLógico, editora portuguesa, e da mesma dupla de autor e ilustrador (pai e filho!), José Jorge Letria e André Letria.

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Cada página do livro é dividida em três, que juntas, formam monstros diferentes. Do lado direito, o monstro – do lado esquerdo, um poeminha com a historinha dele. Dá pra montar diversas variações: exatamente 4.096 possibilidades.

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(Francisco curtindo um monstro-mosca)

A gente escolheu junto, eu e o Francisco, o nosso monsto preferido ora mostrar pra vocês. Foi esse:

MOSTÓNIO

Com olhos

assim tão salientes

ninguém repara

nos seus dentes.

Tem estranhos braços

de abraçar a Lua

e gosta muito de andar

aos saltinhos pela rua.

Este estranho estrambólico

não vem nos manuais

de zoologia,

mas talvez lá apareça

qualquer dia.

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(Mostónio)

Outro pelo qual eu tenho um certo carinho é esse aqui, o Viscôsio. Olha a historinha dele:

VISCÔSIO

Nasceu assim,

escorradio,

nas ervas da margem

de um grande rio.

O seu sonho era ter

asas para poder voar

por cima dos lagos

ao luar.

Tem o hábito raro

e esquisito

de querer namorar

com o infinito.

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(Viscôsio – acho tão bonitinho ele querer namorar com o infinito!)

Dá pra passar horas facinho montando os montros e descobrindo suas biografias. Tem monstro que parece peixe, que parece sapo, mosca, o monstro do Michelin, monstro que parece árvore. Monstro estrambólico pra tudo que é gosto.

Uma coisa: apesar de ser pra brincar, o livro é bem delicado e as ‘frações’ de página de descolam fácil do espiral. Vale ter um cuidado especial na hora de montar os bichos, pra que nenhum pé, tronco ou cabeça se perca por aí.

Ah sim: o livro é de Portugal – pelas bandas de lá, dá pra encontrar na faixa de 15 euros. O nosso eu comprei na Navegadores, aqui em Curitiba. Custou 50 reais.

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Livro: Estrambólicos

Texto: José Jorge Letria

Ilustrações: André Letria

Editora: PatoLógico

 

Fonchito e a lua

Fico feliz da vida quando descubro que grandes escritores têm livros infantis publicados: Julio Cortázar, Guimarães Rosa, até mesmo James Joyce (entre muitos outros). Esse do Mario Vargas Llosa descobri por acaso, em uma visita à Fnac.

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Mario Vargas Llosa é um dos grandes nomes da literatura latino-americana. Nascido no Peru, recebeu em  2010 o prêmio Nobel de literatura – tem diversas obras publicadas, mas entre as mais conhecidas estão A Casa Verde e Travessuras da Menina Má. Particularmente, gosto demais do livro Pantaleão e as Visitadoras – não sei se é dos mais famosos, mas é o meu preferido.

Esse aqui, Fonchito e a Lua, é o primeiro livro infantil do autor. Segundo o próprio Llosa (para o site da Editora Objetiva), ele até então não havia escrito um livro para crianças por não ter encontrado uma história em que realmente acreditasse:

“É muito mais difícil escrever para crianças do que para adultos. E eu acredito numa necessidade urgente de projetos que fomentem a literatura para os pequenos, uma vez que, possivelmente, é essa a única saída para evitar o empobrecimento das próximas gerações”. 

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A história é assim: Fonchito sonha em dar um beijinho no rosto de Nereida, a menina mais bonita da turma. Mas ela só permite o tal beijinho se um dia ele trouxer a lua para ela. Assim, Fonchito começa a observar a lua no céu nublado de Lima até ter uma ideia: levar a lua até Nereida refletida em uma bacia com água.

“Fonchito se perguntava se o coração de Nereida estaria batendo tão forte no peito dela quanto o seu batia no próprio peito. Soube que sim quando Nereida, ainda sem olhar para ele, deu-lhe o rosto para beijar.”

 

As ilustrações, tão lindas quanto a história, são da espanhola Marta Chicote Juiz.

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Comprei a nossa edição na Fnac por 36 reais. Mas olha a dica: no site do supermercado Extra o livro está em promoção por 23 reais.

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Fonchito e a Lua

Texto: Mario Vargas Llosa

Ilustrações: Marta Chicote Juiz

Editora: Objetiva

livro: Coelhinho e a Cenoura Mágica

O presente de Páscoa do Francisco esse ano foi um livro. Quer dizer, teve chocolate e pão de mel na cesta também, que ninguém é de ferro, mas o principal presente foi esse: o livro Coelhinho e a Cenoura Mágica. Queria comprar um livro com algum coelho simpático justamente para ficar no clima de Páscoa – e achei esse tão bonitinho!

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A história é assim: Coelhinho e Claudinho (que também é um coelho, no caso) plantam sementes de cenoura para participar de uma competição pela maior hortaliça. Eles plantam com vários outros amigos (todos coelhos): abóboras, rabanetes, alho poró, abobrinhas. Todo mundo plantando, todo mundo muito feliz, muito saudável.

Pra que todas as hortaliças cresçam, eles fazem de tudo: dançam, cantam, cuidam, até adormecem na plantação. No dia da competição, todos os coelhos têm suas hortaliças grandes: para identificar o ganhador eles pensam em pesá-las, mas sem sucesso – todas são pesadas demais, impossível. Tirar medidas também não funciona, pois elas têm formas diferentes. O jeito então, para descobrir a vencedora, é experimentar cada uma e ver qual está mais saborosa.

No final, gostam tanto das tais hortaliças, que resolvem fazer uma torta gigante com todas elas, para comê-la juntos. Pronto, todo mundo feliz.

É um livro bem legal para crianças de 2, 3 anos, bem a idade do Francisco. Tem a linguagem bem simples, com bastante repetição e diálogos dos bichinhos. Também têm figuras divertidas e os nomes de vários legumes, coisa que dá aquela ajudinha na hora de comer: ‘filho, corre aqui, vem comer a abobrinha igual àquela que o coelhinho plantou, olha só’ (quem nunca?). 😉

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Livro: Coelhinho e a Cenoura Mágica

Texto: Gunter Segers e Heidi D’hamers

Ilustração: Heidi D’hamers

Editora: Zastras