Fonchito e a lua

Fico feliz da vida quando descubro que grandes escritores têm livros infantis publicados: Julio Cortázar, Guimarães Rosa, até mesmo James Joyce (entre muitos outros). Esse do Mario Vargas Llosa descobri por acaso, em uma visita à Fnac.

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Mario Vargas Llosa é um dos grandes nomes da literatura latino-americana. Nascido no Peru, recebeu em  2010 o prêmio Nobel de literatura – tem diversas obras publicadas, mas entre as mais conhecidas estão A Casa Verde e Travessuras da Menina Má. Particularmente, gosto demais do livro Pantaleão e as Visitadoras – não sei se é dos mais famosos, mas é o meu preferido.

Esse aqui, Fonchito e a Lua, é o primeiro livro infantil do autor. Segundo o próprio Llosa (para o site da Editora Objetiva), ele até então não havia escrito um livro para crianças por não ter encontrado uma história em que realmente acreditasse:

“É muito mais difícil escrever para crianças do que para adultos. E eu acredito numa necessidade urgente de projetos que fomentem a literatura para os pequenos, uma vez que, possivelmente, é essa a única saída para evitar o empobrecimento das próximas gerações”. 

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A história é assim: Fonchito sonha em dar um beijinho no rosto de Nereida, a menina mais bonita da turma. Mas ela só permite o tal beijinho se um dia ele trouxer a lua para ela. Assim, Fonchito começa a observar a lua no céu nublado de Lima até ter uma ideia: levar a lua até Nereida refletida em uma bacia com água.

“Fonchito se perguntava se o coração de Nereida estaria batendo tão forte no peito dela quanto o seu batia no próprio peito. Soube que sim quando Nereida, ainda sem olhar para ele, deu-lhe o rosto para beijar.”

 

As ilustrações, tão lindas quanto a história, são da espanhola Marta Chicote Juiz.

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Comprei a nossa edição na Fnac por 36 reais. Mas olha a dica: no site do supermercado Extra o livro está em promoção por 23 reais.

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Fonchito e a Lua

Texto: Mario Vargas Llosa

Ilustrações: Marta Chicote Juiz

Editora: Objetiva

livro: Coelhinho e a Cenoura Mágica

O presente de Páscoa do Francisco esse ano foi um livro. Quer dizer, teve chocolate e pão de mel na cesta também, que ninguém é de ferro, mas o principal presente foi esse: o livro Coelhinho e a Cenoura Mágica. Queria comprar um livro com algum coelho simpático justamente para ficar no clima de Páscoa – e achei esse tão bonitinho!

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A história é assim: Coelhinho e Claudinho (que também é um coelho, no caso) plantam sementes de cenoura para participar de uma competição pela maior hortaliça. Eles plantam com vários outros amigos (todos coelhos): abóboras, rabanetes, alho poró, abobrinhas. Todo mundo plantando, todo mundo muito feliz, muito saudável.

Pra que todas as hortaliças cresçam, eles fazem de tudo: dançam, cantam, cuidam, até adormecem na plantação. No dia da competição, todos os coelhos têm suas hortaliças grandes: para identificar o ganhador eles pensam em pesá-las, mas sem sucesso – todas são pesadas demais, impossível. Tirar medidas também não funciona, pois elas têm formas diferentes. O jeito então, para descobrir a vencedora, é experimentar cada uma e ver qual está mais saborosa.

No final, gostam tanto das tais hortaliças, que resolvem fazer uma torta gigante com todas elas, para comê-la juntos. Pronto, todo mundo feliz.

É um livro bem legal para crianças de 2, 3 anos, bem a idade do Francisco. Tem a linguagem bem simples, com bastante repetição e diálogos dos bichinhos. Também têm figuras divertidas e os nomes de vários legumes, coisa que dá aquela ajudinha na hora de comer: ‘filho, corre aqui, vem comer a abobrinha igual àquela que o coelhinho plantou, olha só’ (quem nunca?). 😉

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Livro: Coelhinho e a Cenoura Mágica

Texto: Gunter Segers e Heidi D’hamers

Ilustração: Heidi D’hamers

Editora: Zastras

De Caras

Um dia, passeando com o Francisco perto da Praça da Espanha, aqui em Curitiba, entramos para conhecer uma livraria infantil que tinha recém-aberto (e que agora já está completando um ano, vejam só!): Navegadores. A coisa foi meio por acaso, e tivemos uma bela surpresa. O espaço é sensacional, perfeito para as crianças, com almofadões, poltronas, mesinhas, e claro, muitos livros, um mais legal que o outro – desses, muitos portugueses.

Acabamos virando cliente fiéis – volta e meia vamos lá em busca de novos títulos. Mas o primeirão que compramos lá, hoje um dos nossos preferidos, foi esse, o De Caras:

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É um livro bem diferente, formado por tiras que formam personagens distintos conforme são viradas. Cada página é dividida em três dessas tiras, com olhos, narizes e bocas completamente diferentes: são 4096 possibilidades de rostos, no total. Há os carecas, cabeludos, crespos, lisos, tristes, alegres, monocelhas, narigudos, com barba, sem barba, de camisa ou regata.

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Cada olho/nariz/boca traz um e uma pequena biografia, todas muito divertidas.

Com muito, mais muito esforço escolhi minhas três preferidas (o Francisco ajudou):

ANATÓLIO

Nasceu com uma estranha alergia. Sempre que come arroz, fica com os olhos rasgados como os dos orientais. Se come massa, começa a falar italiano. Se não come nada, começa a chorar em português.

 

CONSTANTINO

Um dia encontrou num livro uma personagem com um nome igual ao seu e pensou que só podia ser mesmo ele. Assim, transformou-se em personagem, com outros modos e outras falas. E acreditou na mudança.

 

ZEFERINO

Começou como nadador-salvador* numa praia de muito movimento nos meses de Verão. Um dia, em vez de um turista salvou uma alforreca**. Mesmo assim, foi muito aplaudido pela família das alforrecas.

 

(*adoro essas diferenças do português de Portugal e do nosso: nadador-salvador é salva-vidas, lógico – mas sabe o que são alforrecas? Águas-vivas!)

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Acho sensacionais os textinhos, bem em estilo português – e o Francisco, o Francisco se diverte mesmo é montando as caras, escolhendo com quem elas se parecem e repetindo os nomes divertidos.

A Pato Lógico Edições, editora portuguesa, tem outros livros bem legais. Vale olhar no site, dá vontade de ter todos. Consegui, lá mesmo na Navegadores, o Estrambólicos (que é no mesmo estilo desse De Caras) e o Se eu fosse um livro – logo conto deles pra vocês.

Não são baratos: o De Caras custa 50 reais. Acredito que dê pra comprar online também, diretamente de Portugal, via Wook. Mas o livro sai 14,50 euros + frete, ou seja, acaba saindo a mesma coisa.

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Livro: De Caras

Autor: José Jorge Letria

Ilustrador: André Letria

Editora: Pato Lógico