oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 6 anos, e vinícius, ainda bebê. seja bem-vindo! Leia mais



5 jan 2015

retrospectiva 2014: o que a gente mais curtiu no ano que passou

Escrito por
Apps e livros digitais, Livros

Tá, era pra essa lista ter saído por aqui no final do ano passado. Mas explico: internet na praia, pelo menos na praia onde estou passando as férias com o Francisco, Barra Velha, é puro luxo. Difícil de encontrar, difícil de funcionar, demorada e disputadíssima. Então a lista foi se enrolando, se enrolando, e tá aqui, hoje, finalmente publicada.

Fiz com carinho e não podia deixar de dividi-la: nosso ‘top 10’, o que mais marcou nosso ano que passou. Ano que pra mim e para o Francisco foi bem, mas bem intendo. Tem revista, música, filme e lógico – livros. Seuis livros (um digital), escolhidos a dedo. O melhor de 2014!

1. revista: Yoyo

Encomendei a primeira Yoyo assim que foi lançada, no início do ano, e foi engraçado: eu curti mais que o Francisco. Achei que talvez fosse mais divertido pra crianças mais velhas – porque a ideia é absolutamente genial. Uma revista para crianças, com atividades, histórias, quadrinhos, até receitas divertidas. Mas foi só encomendar a segunda e a terceira e pronto, Francisco gamou. A última, especial sobre o frio, foi a que ele mais curtiu – acho que foi a que mais se aproximou de fato do universo dele, com muitas curiosidades e ilustrações coloridas. A revista é de um capricho e uma qualidade incrível, com fotos lindas e atividades criativas. Disponível na Japonique.

yoyo: atividades malucas e criativas

yoyo: atividades malucas e criativas

2. filme: O menino e o mundo

Quando a gente foi ao cinema ver esse filme, em janeiro do ano passado, Francisco saiu de lá dizendo: “gostei, posso ver de novo amanhã?”. De uma simplicidade maravilhosa, o filme é um festival de cores e muita música (a trilha é do Emicida, coisa fina). É a história de um menino que sai em busca do pai. Junto com um amigo catador de lixo, ele conhece cidades, lugares absurdos, seres imaginários (ou não). Sob o ponto de vista do menino, as máquinas que cortam árvores são monstros, os guindastes são dinossauros, o trilho do trem é uma psicodélica montanha russa. Muita cor, muito barulho, muita música boa e muita reflexão pra se fazer. Não à toa, o filme tem recebido diversos prêmios desde que foi lançado. Absolutamente imperdível!

3. disco de vinil para criança (tem sim senhor!): Pequeno Cidadão

Coisa mais bacana ano passado foi comprar o primeiro disco de vinil do Francisco. Compramos num show da banda que rolou em Curitiba, e que aliás foi um dos eventos mais divertidas do ano. O disco de vinil é do primeiro (eles têm dois discos), no qual Arnaldo Antunes ainda participa um bocado. Além dele, Edgard Scandurra, Ticiane Barros e os filhos do casal, todo mundo produzindo música para criança de altíssima qualidade. Pra quem não conhece, recomendo fortemente: tem uma música mais legal que a outra. Tem música pra se despedir da chupeta,  sobre fazer bagunça, música de amor (o sol se apaixona pela lua, coisa linda), sobre futebol, sobre bichos (uirapuru, sapo-boi, lagartixa), até música com participação especial do Ziraldo. Do samba ao rock, ideal pra animar as manhãs de sábado. Num disco de vinil azul e lindo, então, aí sim!

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…e assim começa a coleção de discos do Francisco

4. música: B-Fachada “É para meninos”

Se tem um disco que a gente ouviu loucamente no ano passado, foi esse. Do português B-Fachada, foi uma das descobertas da vida (sem exageros). O disco diverte e emociona, fácil – não é bem um disco para crianças, mas sim um disco cuja temática é toda infantil. Fugindo completamente das lições de moral que vão e voltam nas músicas dirigidas para crianças, B-Fachada incentiva a brincadeira, questiona a moral, o papai noel, o futuro – e diverte demais. Tudo naquele sotaque português que eu acho bem lindo. Difícil é achar o disco – o nosso a gente ouve pelo Rdio, porque nunca consegui achar para baixar ou comprar por aqui. Na falta de tudo isso, tem sempre o Youtube – lá tem o disco completo. Uma das nossas músicas preferidas do disco, com direito a um trechinho da letra e tudo:

Larga a sopa, meu amor, vai p’ro o jardim,
Brincar na relva antes que a relva chegue ao fim
Quando voltares, vais ver, salvei a sopa de cozer,
Mas dou-te meia saladinha, não te quero ver sofrer

Vais crescer,
E é sopa que vais querer a toda a hora.
É uma vida a triturar, vê lá, não queiras começar já já

 5. livro em inglês: A sick day for Amos McGee

Amos trabalha em um zoológico – senhor de idade, ele todas as manhãs acorda cedo, veste seu uniforme, come seu mingau de aveia, toma seu chá e parte cuidar dos seus amigos. Diariamente joga xadrez com elefante, aposta corrida com a tartaruga, lê histórias com a coruja. Até um dia em que ele acorda doente e faz a maior falta no zoo – então são seus amigos vão até ele. Lá vai rinoceronte, elefante, pinguim e tartaruga esperar o ônibus e fazer o trajeto contrário de Amos cuidar do amigo. Arrisco dizer que foi a história mais delicada de 2014, com ilustrações tão delicadas e lindas quanto. Boa notícia: o livro tem versão em português, editado pela Record, e chama-se Um dia na vida de Amos McGee. Já a versão em inglês dá para comprar via The Book Depository – demora um bocado para chegar (mais de um mês, geralmente), mas não é cobrado o frete.

o livro mais delicado de 2014

o livro mais delicado de 2014

6. quadrinho: A bruxinha atrapalhada 

Se tem um nome que não pode faltar na coleção de livros de nenhuma criança é o de Eva Furnari. Sou suspeita para falar, porque aqui em casa somos bem fãs dela – lia seus livros quando era pequena, e foi em 2014 que apresentei seu personagem mais conhecido para o Francisco: A Bruxinha Atrapalha. Desastrada e muito engraçada, a bruxinha vive aprontando estripulias – do tipo fazer um sapo virar patins saltitantes ou dar vida a abóboras. Não há texto ou diálogo algum no livro, mas só ilustrações em formato de quadrinhos, que permitem diversas leituras. Algumas são historinhas curtas, outras mais longas. Mas todas têm muita bagunça e aventura. Livro pequenino, fininho, mas indispensável, é fácil de encontrar: tem a partir de 15 reais na Estante Virtual.

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a bruxinha atrapalhada e seu gato companheiro

7. livro e filme: O menino maluquinho

Tá aí outro livro lá da minha infância que só fui apresentar em 2014 para o Francisco: O Menino Maluquinho. Esse marcou mesmo nosso ano e não podia faltar nessa lista – fiz um post super emocionado sobre o livro e o filme e sobre o quanto os dois ajudaram (e muito) eu e o Francisco a entender e tentar superar o falecimento do meu pai, que aconteceu dia 31 de outubro do ano passado. A gente leu e releu o livro, conversou, se perguntou mil coisas – e também assistiu muitas vezes ao filme. Foi o post mais acessado do ano, teve muitos comentários e até conversas por email – um retorno legal demais!

o menino maluquinho, rapazinho que nos fez muita companhia esse ano

o menino maluquinho, rapazinho que nos fez muita companhia esse ano

8. livro digital: Es Así

Quase ia esquecendo de colocar um livro digital na lista – aliás, essa é uma meta de 2015, falar mais sobre livros digitais por aqui, coisa que a gente vem curtindo cada vez mais. Falei desse aqui no ano passado em um post que fiz com 3 livros para conversar sobre a morte – de uma delicadeza e de uma beleza sem tamanho, o livro digital é em espanhol (também pode ser em inglês, mas não tem tanta graça). É fácil de entender e tem uma narração bonita – fala sobre o ciclo da vida: nascimento e morte. Falando assim não parece tudo isso, mas juro – é especial. As ilustrações da chilena Paloma Valdivia são de encher os olhos, o texto simples mas emocionante. Permite bastante interatividade, com sons e detalhes a serem descobertos. Vale bem os 5 dólares que custa na AppStore.

as lindas ilustrações do livro digital 'es así'

as lindas ilustrações do livro digital ‘es así’

9. livro: O Livro Errado

Divertido é ver o Francisco rir alto lendo um livro comigo – todos os livros do cachorro Pum fazem ele rir, sempre. Outro que fez ele rir alto no ano passado foi O Livro Errado. Na história, o menino Nicolas Icle tenta contar uma história que não segue em frente de jeito nenhum – é que a cada tentativa dele, algum personagem que não foi convidado para estar no livro aparece. Então é elefante, monstro, pirata, uma invasão de figuras clássicas de histórias infantis que não dão chance nenhuma ao pequeno Nicolas. Legal é que dá para ler o livro normalmente ou escanear com um smart phone o código QR que aparece na abertura do livro. Aí surge uma narração diferente, com efeito sonoro e tudo. A iniciativa da Brinque-Book chama-se Ler e Ouvir e vem em outros livros da editora também – é bacana porque por aqui o Francisco se sente dono da sua leitura: a cada “plim” da narração ele sabe que é hora de virar a página, e se diverte sozinho. Essa foi outra descoberta do ano passado que fez o rapazinho bem feliz.

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o livro errado é bem diferente e divertido

10. livro: O Discuro do Urso

Ai, ai, ai, já chegamos ao último da lista, socorro. Não foi fácil escolher as 10 coisas que mais curtimos esse ano, admito – coisa boa, porque significa que 2014 lemos, ouvimos e assistimos um bocado de coisa bacana. Esse aqui não podia faltar na lista por nada – um Cortázar para crianças, imagina que coisa mais linda. O Discurso do Urso é originalmente um conto do livro Histórias de Cronópios e de Famas, tranformado em livro e ilustrado lindamente pelo italiano Emilio Urberuaga. Conta a história de um urso vive nos canos de um prédio. Seus pelos mantém a tubulação limpa, e ele gosta de passear por eles para observar o cotidiano dos humanos que ali vivem:

“Procuro alguma bica

que sempre esquecem aberta em algum andar;

por ali meto o nariz,

e espio a escuridão dos quartos onde vivem esses seres que não podem

andar pelos canos, e sinto quase pena

ao vê-los tão grandes e desajeitados,

ouço como roncam e

sonham em voz alta,

e como são tão sós.”

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cortázar para emocionar adultos e crianças

 

Já me emocionei um bocado lendo o livro com o Francisco – e para se emocionar mais ainda, só ouvindo o livro na voz do próprio Cortázar. O site Garatujas Fantásticas fez uma linda matéria em 2014 sobre o livro no centenário do autor – e disponibilizou lá o audio, logicamente em espanhol. Coisa mais bonita. Termino nossa lista com ele:

É isso, minha gente. Que 2015 traga para todos nós livros ainda mais bonitos, filmes e discos mais divertidos, brincadeiras mais coloridas. Feliz ano-novo a todos!


27 fev 2014

a sick day for amos mcgee

Escrito por
Livros

O Francisco tem livro de todo tipo – livro engraçado, livro didático, livro imagem, livro clássico. A gente gosta de livros de todos os jeitos, não adianta. Mas tem uns que nos ganham pela delicadeza – seja nas ilustrações, seja na história. Às vezes em ambos, como esse livro aqui. A Sick Day for Amos McGee é um dos livros infantis  mais delicados que já me passaram pelas mãos, sem brincadeira.

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O livro conta a história de Amos McGee, um senhor que trabalha em um zoológico. Todos os dias ele acorda bem cedo, veste seu uniforme, come seu mingau de aveia, toma seu chá e parte para o zoológico, onde trabalha. Assim que chega lá, vai visitar seus amigos um a um: joga xadrez com seu amigo elefante, aposta corrida com a amiga tartaruga, lê histórias com a coruja. Mas um dia ele acorda doente: espirrando, com calafrios. É uma gripe, e ele não consegue ir ao trabalho. Os amigos no zoológico sentem falta dele e adivinha? Resolvem visitá-lo.

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E lá vão eles todos, tartaruga, coruja, elefante, pinguim e rinoceronte esperar o ônibus, fazer o longo percurso até a casa de Amos McGee passar o dia com ele. Amos fica feliz da vida quando vê os animais – e são eles que então cuidam do amigo doente. Acho a história de uma delicadeza só. As ilustrações são impressionantes, e Erin E. Stead, a ilustradora, levou vários prêmios por elas, inclusive a Medalha Caldecott de 2011. Ela fez o livro todo junto com seu marido, Philip C. Stead. Foi ele quem escreveu a história – juntos eles têm muitos projetos, inclusive um livro mais recente chamado Bear Has a Story to Tell.

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A nossa cópia do A Sick Day for Amos McGee é essa, em inglês. Comprei via Amazon – sai na faixa de 12 dólares. É bacana porque é na língua original e essa edição, da Roaring Brook Press, é de capa dura e tem uma textura que eu acho muito bonita. Eu não sei como é a edição em português, mas sei que existe,  e é da Editora Paz e Terra (do Grupo Ediatorial Record). Chama-se Um dia Na Vida de Amos McGee, e não parece muito fácil achar não, vale dar uma procurada – aliás, fiz isso pra contar pra vocês e tive uma surpresa: no site da Submarino ainda há algumas cópias por só 10 reais. É quase de graça, considerando o livro que é. Imperdível.