oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 6 anos, e vinícius, ainda bebê. seja bem-vindo! Leia mais



2 mar 2017

livro: A Vaca Que Botou Um Ovo

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Diversidade e Respeito, Divertidos, Livros, Para dar risada, Para Refletir

A vaca Mimosa andava meio deprimida, coitada – é que ela não sabia fazer nada de muito especial, como andar de bicicleta ou plantar bananeira como as outras vacas da fazenda. Mas Mimosa era uma vaca legal pacas, amigona das galinhas – e por isso, numa madrugada cheia de cocoricós, elas tiveram uma super ideia para animar a amiga.

E bem, vocês podem imaginar pelo título do livro qual a ideia – mas não podem imaginar o rebuliço que a novidade causou! “A Vaca Que Botou Um Ovo” (Editora Salamandra) é um livro engraçado, mas que também trata com delicadeza sobre diferenças e aceitação.

Chegou até nós através do clube de leitores A Taba arrancando gargalhadas do Francisco! A história mirabolante, as ilustrações hilárias…e um detalhe muito pessoal: um nome no final do livro que fez o garoto aqui chorar de rir. E a mãe junto, claro!

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8 ago 2016

Quero Meu Chapéu de Volta, de Jon Klassen

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Destaques, Divertidos, Novidades e Lançamentos, Para dar risada

Volta e meia a gente descobre alguns livros infantis que são pra lá de sensacionais: são engenhosos, especiais no conteúdo, ilustração, edição. “Quero Meu Chapéu de Volta”, de Jon Klassen, editado no Brasil pela WMF Martins Fontes é desses: não só traz uma história divertida demais, como tem uma edição impecável, na qual texto, ilustração, cores e fontes se fundem num contexto incrível – e hilário.

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Tudo começa com um urso, que busca seu chapéu. Lá sai ele perguntando para raposa, sapo, tartaruga, coelho, tatu – mas ninguém viu o dito cujo. A história segue através de diálogos, curtos e dinâmicos, página a página – as cores do texto, preto e cinza, demarcam de quem é a fala (aqui em casa, eu e Francisco lemos cada um uma fala, como num teatro – é muito divertido!).

Certa hora, o urso passa por um animal que está com seu chapéu – mas a resposta é negativa, claro. O texto, no entanto, muda de cor – a resposta é vermelha, e apesar do urso não notar a mentira (mesmo com o chapéu na cabeça do bicho!), fica muito claro para nós, leitores, que ali há algo estranho:

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O urso, coitado, segue a busca. Até uma hora que PERA! – ele lembra de algo. Lembra que viu o chapéu, e mais uma vez, é a cor vermelha que sinaliza essa súbita lembrança. A coisa é quase cinematográfica! Então ele volta, correndo – e aí, sem spoilers, porque esse é um livro que traz um final absolutamente surpreendente, cheio de ironia e longe de qualquer lugar comum.

Talvez a criançada não entenda na primeira não – o Francisco, quando se deu conta, levou um susto tão divertido que me fez rir mais do que o livro em si. E o barato é esse: ir deixando a criança sacar aos poucos, se não na primeira leitura, na segunda, na terceira – é susto e diversão garantida!

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* Esse livro chegou até nós através do clube de leitores d’A Taba, que tanto falo e recomendo. Pra variar, sempre uma surpresa boa! 🙂


30 jun 2016

“O Pacto do Bosque”, de Gustavo Martin Garzo e Beatriz Martin Vidal

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Clássicos, Destaques, Fábulas, Para Refletir

Se tem um envelope esperado em casa é o envelope pardo do Clube de Leitores A Taba, que chega com livrinho novo por aqui todo santo final do mês. Sexta passada o Francisco chegou da escola no final da tarde e o envelope esperava em cima da mesa. Abriu o pacote cheio de entusiasmo, mas pegou o livro de dento um tanto ressabiado: a capa dava “um pouco de medo”, disse ele.

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O Pacto do Bosque e sua capa misteriosa

Por conta do medo, não foi o livro novo o escolhido para nossa leitura da noite de sexta. Lemos outros –  mas no sábado de manhã, café na cama, preguiça deliciosa de um dia sem compromissos, propus então que lêssemos o livro que havia chegado no dia anterior. O Fran, já mais valente por conta da luz do dia, logo aceitou.

E aí que a história de “O Pacto do Bosque”, publicado pela Pulo do Gato, já começa linda, com um momento similar, que por aqui se repete desde que o Francisco era bebê – o que por si só já me emocionou (vale culpar os hormônios desse meu último mês de gestação, vale sim!): a mãe aconchegada às crianças contando-lhes histórias na hora de dormir.

Lambe-Lambe e Orelhinha adentram o bosque escuro

Todas as noites seus dois filhos, Paula e Gustavo,  lhe pedem a mesma história: aquela do bosque no qual lobos e coelhos eram amigos. Então ela começa: Orelhinha e Lambe-Lambe eram coelhos irmãos, e apesar das ordens expressas da mãe de não adentrarem o bosque, um dia a desobedecem. Lá dentro, o passeio inicia-se tranquilo – até darem-se conta de que estão perdidos, e com a escuridão que logo cai, vai ser difícil achar o caminho de volta.

Os dois coelhos ouvem um choro na floresta, longe – uma loba cinza, gigante, prestes a parir, queixa-se por estar cega. Tem medo de não conseguir cuidar de seus filhotes que logo vão nascer. O coelhinho menor, Lambe-lambe, tinha uma mania que lhe dava o apelido: lambia o que via pela frente. Apesar do receio, aproxima-se da loba e lambe-lhe os olhos, cuidadosamente, até retirar todo o barro acumulado – e até que a loba finalmente volte a enxergar.

Lambe-lambe e os olhos da grande loba

Quando a loba reconhece que a ajuda veio de dois pequenos coelhos, aquece-os junto à barriga e os leva na manhã seguinte para casa. É daí que um trato é selado: os lobos começam a acreditar que as salivas dos coelhos são mágicas, e por isso, naquele bosque, nunca lhe fazem mal. No final, Paula, a pequena que escuta atenta à história, pergunta à mãe:

– Mas não tinha nenhuma mágica, não é, mamãe? Lambe-Lambe só tirou o barro dos olhos da loba com sua saliva!

– Bem, querida, quem há de saber o que aconteceu? – respondeu a mãe. – Na realidade, o que curou foi o amor.

Especial é notar como as ilustrações de Beatriz Martin Vidal são mesmo sombrias, porém impressionantemente bonitas, e como comunicam-se com o texto: os pequenos coelhos são na verdade crianças fantasiadas de coelhos, e muito se parecem, na fisionomia e nos atos, com os irmãos que acompanham a história.

No final, o Fran me olhou todo orgulhoso: “não é assustador, é sobre amor!”. É bem isso: um conto lindo sobre amor, amizade e coragem. Francisco terminou a leitura feliz por ter sido valente, enfrentado a tal capa misteriosa e ter mergulhado numa história tão gostosa; e eu, emocionada pela nossa nova descoberta juntos (hormônios, gente, hormônios!). Obrigada, A Taba! 🙂

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