oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 7 anos, e vinícius, de 1 ano. seja bem-vindo! Leia mais



10 mar 2016

Sete Camundongos Cegos, de Ed Young

Escrito por
Clássicos, Fábulas

Sempre gostei de fábulas: gosto do quanto apesar de serem as mais antigas histórias, são completamente atemporais e deliciosas de serem contadas em voz alta. Os bichos com sentimentos e determinações humanas, até as lições de moral do final de cada uma delas me agrada – aliás, lição de moral, vamos combinar, só combina mesmo é com fábula! As mais conhecidas são as de Esopo, também as de La Fontaine – mas há outras, muitas outras: “Sete Camundongos Cegos” é uma fábula indiana recontada pelo autor e ilustrador Ed Young – e é interessante demais!

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Na história, sete camundongos cegos um dia se assustam ao topar com algo muito grande e desconhecido – impossibilitados de ver, não conseguem descobrir o que poderia ser algo tão descomunal. Então resolvem que o melhor é ir um a um, verificar de perto – na segunda-feira, vai o vermelho; na terça, o camundongo verde; na quarta, é o amarelo quem se aventura (e assim vai!).

Mas cada um volta com uma resposta: para o primeiro, só pode ser um pilar. O segundo jura que é uma cobra. O terceiro não tem dúvida: é uma espada. Cada um volta determinado de que a tal coisa é aquilo que acredita – e começam então uma grande discussão, seis deles. Porque é o último, o sétimo camundongo, que resolve que o mais certo é analisar a impressão de cada um e olhar a coisa no todo…que no final das contas, não passa de um elefante.

Nas ilustrações, a gente vai acompanhando o que cada um realmente está sentindo (a pata, a tromba, as presas do elefante, no caso) e o que imagina – e descobre, junto com os camundongos, o grande elefante. Gosto dos desenhos coloridos em fundo preto – aliás, é legal de ler com os pequenos e descobrindo as cores (cada camundongo é de uma cor) e os dias da semana (cada um vai num dia!) em um contexto completamente diferente e divertido. E o livro, como uma boa fábula, termina com uma lição:

Moral de Camundongo: saber em parte pode dar uma história ótima, mas a sabedoria vem de conhecer o todo. 😉

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3 jun 2015

10 livros-imagem essenciais – Parte 1

Escrito por
Livros

Tá aí uma lista que eu tava querendo fazer faz tempo: sobre livros-imagem. Os livros-imagem não têm texto algum – apenas imagens, e são através delas que a narrativa se encaminha. Pessoal às vezes pensa que por não terem palavras, os livros-imagem são destinados apenas às crianças bem pequenas – e de olha, de fato são ótimos pra fisgar a atenção dos pequeninos. Mas tem livros-imagem para todas as idades mesmo – até gente grande! Eu mesma gosto demais desses livros – gosto especialmente das inúmeras possibilidades que eles permitem durante a leitura. Às vezes a leitura é minha, às vezes do Francisco – às vezes de nós dois juntos, e aí é deixar a imaginação fluir, observar e apontar cada detalhe que o artista criou. Ler um livro imagem junto é criar vínculo, é estimular a criatividade e pode virar uma grande brincadeira.

Ah, dessa vez tem vídeo também – aproveita pra seguir o canal do youtube e acompanhar tudo de lá! 🙂

1. TELEFONE SEM FIO

Um dos preferidos do Francisco, de longe – já até falei dele aqui em 2013. O livro já foi pra escola, já foi pra casa dos amigos, pra casa da avó, mas sempre volta pra gente (ufa!). Aqui, os personagens mais inusitados cochicham no ouvido um do outro – o bobo da corte cochicha para o rei, que cochicha para o cavaleiro de armadura, que cochicha para o escafandrista, e assim vai. Personagens de várias épocas, lugares e histórias se misturam na brincadeira de telefone sem fio, e o que eles estão dizendo a gente só imagina. É um livro grandão, divertido e bonito demais: as ilustrações são pinturas a óleo, verdadeiras obras de arte. De Ilan Brenman e Renato Moriconi, da Companhia das Letrinhas.

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2. O LEÃO E O CAMUNDONGO

Outro livro que já passou aqui pelo blog há algum tempo, outro livro com ilustrações lindas de morrer. Aqui a fábula do leão e do camundongo é contada através de desenhos realistas e grandiosos, que ocupam as páginas inteiras. A história é a assim: um camundongo vai parar nas garras de um leão, que por alguma razão o deixa fugir livre. Um dia então, no meio da selva, o leão cai em uma armadilha humana – e é o pequeno camundongo que vem resgatar o rei da floresta, roendo a corda para que o felino fuja livre. Moral da história (toda fábula tem uma!): nenhum ato de solidariedade é desperdiçado. Do americano Jerry Pinkney, editado por aqui pela WMF Martins Fontes.

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3. TOM E O PÁSSARO

O Francisco gosta demais desse livro! Primeiro, porque tem passarinho. Segundo, porque tem jeitão de quadrinho, com as ilustrações separadas em quadrados – aí ele vai parando e observando o que cada cantinho reserva, os acontecimentos de cada página. Nas primeiras, ele curte observar tudo o que acontece na feira onde Tom vai passear – e onde compra um passarinho em uma gaiola. Tom leva o pequeno pássaro roxo para seu quarto, tenta brincar com ele – e aí, segundo o Francisco, é quando ele o escuta. O passarinho conta de onde veio, de como foi capturado. Tom se entristece, e resolve libertá-lo. Acho que essa é uma terceira razão pela qual o Francisco gosta desse livro – porque é sobre liberdade, sonho, viagem. Na última ilustração, que ocupa uma página dupla, a gente vê Tom voando sobre o pássaro, agora gigantesco, imponente, completamente livre. De Patrick Lenz, publicado pela Editora Biruta.

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4. A CASA NA ÁRVORE

Esse é um livro delicado e surpreendente – um urso polar chega à uma casa na árvore, no meio do oceano. Logo depois, chega outro urso, um marrom. Ali, os dois amigos vivem – passam as estações, passam outros bichos, e as surpresas surgem a cada página: cores, muitas cores. A cada folheada a árvore aguarda repleta de diversidade e movimento, repleta de cor. O cor-de-rosa de flamingos que passam por ali, o amarelo de um dia ensolarado no qual a visita a vem de barco-balão, o branco de um dia de neve, o azul de uma bela noite de luar. Livro vencedor de diversos prêmios, foi criado por pai e filha: Ronald Tolman e Marije Tolman. Edição da Brinque-Book.

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5. JOURNEY

Tá aí um livro de tirar o fôlego, tão bonito é – Journey conta a incrível história de uma viagem, como diz o próprio título. Uma viagem criada a partir de um giz de cera vermelho, obra de uma garotinha entediada. Uma porta desenhada na parede leva a menina a uma floresta exuberante – de uma paisagem sépia, triste, ela entra em um verde brilhante, repleto de luminárias orientais. E a viagem continua: quando encontra um rio, a garota desenha um barco – e chega num reino gigante, com castelos, labirintos e janelas. É um livro com muita emoção e aventura: a menina tenta resgatar um pássaro aprisionado, fugindo de arcos, flechas e vilões – e no final, encontra um amigo para continuar a jornada. Não tem edição no Brasil – essa é da Candlewick Press, americana, e é absolutamente impecável e linda. A dica é que dá pra encontrar fácil (porém um bocado caro, com esse dólar alto assim) no site Book Depository. Ilustrações de Aaron Becker.

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…continua na parte 2, aguardem! 🙂


14 abr 2015

Eduardo Galeano para crianças: História da Ressureição do Papagaio

Escrito por
Livros

Essa semana começou com uma triste notícia: faleceu o autor uruguaio Eduardo Galeano, um dos maiores nomes da literatura latino-americana. Foram mais de 30 livros publicados durante sua vida – entre eles obras-primas como O Livro dos Abraços e O Teatro do Bem e do Mal – Galeano era na verdade um grande contador de histórias. Algumas eram criadas por ele, outras ouvidas do popular e incrementadas por seu enorme talento, seus contos emocionam. Galeano também transitou pela literatura infantil – em 1983, foi publicado no Brasil o livro A Pedra Arde (Edições Loyola), e mais recentemente, em 2010, a História da Ressureição do Papagaio, editado pela Cosac-Naify:

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A inspiração de Galeano para a história do papagaio foi um poema em cordel ouvido em uma viagem sua ao nordeste do Brasil – nele, a ave distraída cai em uma panela de sopa quente. Bicho querido por todos, a morte do papagaio gera comoção geral – das pessoas às árvores, das frutas ao céu, todos choram a morte do pobre:

“A laranja se despiu de sua casca

e lhe ofereceu consolo

O fogo que ardia sob a panela

se arrependeu e se apagou

Do muro, uma pedra se soltou.

A árvore, inclinada sobre o muro,

estremeceu de pena

e todas suas folhas caíram ao chão”

 

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Um oleiro do Ceará, ao observar toda aquela comoção, junta toda a tristeza, e com todo o material em mãos – o fogo que apaga a casca da laranja que se despe, as águas das lágrimas de quem chora – consegue ressuscitar o papagaio morto. As ilustrações são de Antonio Santos, pintor e escultor espanhol – são fotografias de lindas esculturas em madeira, muito coloridas, em total sincronia com a história inspirada em cordel. A tradução do livro para o português também ficou por conta de um grande nome: o poeta Ferreiro Gullar. Livro lindo, para emocionar os grandes e os pequenos.

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História da Ressureição do Papagaio

Texto: Eduardo Galeano

Ilustrações: Antonio Santos

Editora: Cosac-Naify, 2010

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