oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 7 anos, e vinícius, de 1 ano. seja bem-vindo! Leia mais



24 set 2015

Livros de Poesia para Crianças

Escrito por
Livros

Se tem um gênero literário (ai que chique!) que é legal demais ler com as crianças, é poesia. Os versos, as rimas, o ritmo da poesia cativa a atenção dos pequenos (e dos grandes também, convenhamos) e permitem viajar pelos mais diversos estilos, assuntos e mundos diferentes. Acho que é por isso que curto tanto poesia: ela não segue padrão algum, pode vir de qualquer forma, abordar qualquer tema que seja. Leio poesia com o Francisco desde que ele era muito pequenininho – se quer saber, acho que até me sinto mais segura lendo poemas, o ritmo e a cadência deles vão me entusiasmando, e vou notando como o Francisco segue atento. E olha – tem muitos bons livros de poesia em português para ler com os pequenos! Por hora, escolhi cinco livros dos nossos preferidos, das nossas mais recentes leituras. Vamos lá?

(ah, na versão vídeo aqui embaixo eu arrisco ler uns trechinhos – dá o play pra ler comigo!)

1.A ARCA DE NOÉ

Olha, se tem algo que me remete aos melhores momentos da minha infância são as poesias do Vinícius de Moraes. Acho que é uma das razões pelas quais eu gosto tanto de curtir suas músicas e ler seus poemas com o Francisco – e nem queiram saber da quantidade de vezes que me emociono quando me dou conta do privilégio de poder dividir isso com meu filho. Vinícius escreveu esses poemas na década de 50, para seus dois filhos Suzana e Pedro. Foi só nos anos 70 que virou livro, primeiro na Itália e só depois aqui no Brasil. Depois disso, os poemas ainda foram musicados pelo próprio poeta junto com Toquinho, e viraram os discos Arca de Noé 1 e 2 – por isso, já vos alerto: é muito difícil ler o livro sem cantar as músicas, ainda que mentalmente. O bacana é que essa edição é nova e traz aquele capricho que a gente ama – capa dura, projeto gráfico bonito e ilustrações lindas (de Nelson Cruz) acompanhando os poemas. Livrinho essencial, minha gente! Publicado pela Companhia das Letrinhas.

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2.ANTOLOGIA ILUSTRADA DA POESIA BRASILEIRA

Esse já passou por aqui antes – em um post que fiz sobre livros infantis que celebram o Brasil, ele foi o que falava sobre nossa cultura e nossa vasta poesia. A tarefa não é fácil, mas a reunião que Adriana Calcanhoto fez apresenta aos pequenos (e não tão pequenos) leitores poetas das mais variadas épocas e estilos, todos brasileiros.  Tem Olavo Bilac, Augusto de Campo, Cecília Meireles, Adélia Prado. Tem verso livre, haicai, soneto, poesia concreta – mais de 100 páginas de muita poesia, todas celebrando o brincar, o prazer. As ilustrações são delicadas e muito bonitinhas, também da Adriana Calcanhoto. No final do livro ainda há uma pequena biografia de cada um dos poetas – pra gente conhecer ainda mais sobre a poesia brasileira. Uma dica de presente legal demais, introdução divertida da poesia às crianças. Ah, esse da foto é a edição antiga, que saiu pela Casa da Palavra. A nova saiu pela Edições de Janeiro e tem a capa vermelha.

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3. RIMAS DE LÁ E DE CÁ

Esse livro já começa legal na ideia: dois Josés, um brasileiro e outro português, conversam, através de versos, sobre as diferenças da linguagem, cultura e costumes dos dois países. E eles conversam mesmo – um pergunta sobre as brincadeiras típicas de Portugal; o outro responde e pergunta dos nomes das terras que temos no Brasil. A conversa entre José Jorge Letria e José Santos vai seguindo, num ritmo delicioso, despertando nossa curiosidade a cada página virada. São rimas incríveis, impecáveis, em versos divertidos demais. Para admirar as variedades da língua portuguesa, conhecer um pouco de lá, viver um pouco de cá e viajar através da poesia. As ilustrações são da Yara Kono, ilustradora talentosa que também está um bocado lá e cá. Nasceu no Brasil, mas mora em Portugal – seus desenhos trazem técnicas diferentes, carimbos, cores, e nesse livro preenchem as páginas em total sincronia com os versos. Ou seja, livro lindo em tudo! Publicado pela Peirópolis.

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4. POESIA DE FERNANDO PESSOA PARA TODOS

Já pensou no privilégio que é Fernando Pessoa, um dos maiores poetas de todos os tempos, escrever na nossa querida língua portuguesa? E poder ler essa poesia com os pequenos então, já pensou no quão bacana é isso? Pois eu penso o tempo todo, e o Francisco entra na minha – esse livro aqui já lemos e relemos algumas tantas vezes, e é sempre divertido. Nessa reunião há diversas poesias de Pessoa, muitas escritas para crianças, outras para adultos – mas ainda assim, bastante acessíveis. Tem poesia sobre bagunça, sobre gatos, tem clássicos muito conhecidos do grande poeta e outras poesias mais curtas, curiosas. Nossa edição é portuguesa, da Porto Editora – mas no Brasil o mesmo livro saiu pela Martins Fontes. Não sei dizer se tem o mesmo acabamento e capricho, mas tendo o mesmo conteúdo e ilustrações já tá valendo! Poesia das mais bonitas, também essencial para todas as idades.

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5. FUJA DO GARABUJA – E OUTROS SERES FANTÁSTICOS

Pra terminar, um livro de poesia muito do engraçado – Fuja do Garabuja. Esse livro foi uma grande surpresa! Assim: há exatos dois anos, falei aqui pela primeira do Shel Silverestein, autor desse livro. Um leitor do blog me havia indicado o “A Árvore Generosa”: livro triste pra chuchu, mas bonito demais! Aí um dia, num desses saldões maravilhosos que a Cosac-Naify promove volta e meia, comprei o Fuja do Garabuja. Quer dizer, eu devia ter percebido pelo título que triste ou pesado o livro não podia ser, mas me surpreendi rindo alto logo na primeira leitura com o Francisco. O livro é uma reunião de poesias, algumas longas, outras curtinhas, sobre criaturas fantásticas, todas criação de Silverstein. De um jeito cômico e muito leve, ele fala de medos, imaginação e fantasia. Todas as poesias são acompanhadas de ilustrações do próprio autor, as únicas coloridas de todos os seus trabalhos – são bichos engraçados, absurdos, pintados em aquarela. A tradução para o português das poesias é impecável: os nomes dos seres, as rimas, é difícil acreditar que não foram mesmo escritas em português. Rir com poesia, tem coisa melhor? Da editora Cosac-Naify.

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7 out 2013

Saudade – um conto para sete dias

Escrito por
Livros

Há alguns livros infantis que, admito, compro mais pra mim do que para o Francisco. É que desde que entrei nesse mundo (o da literatura infantil) venho descobrindo cada coisa bacana, que não adianta: me apaixono, não resisto e compro. Alguns livros são pra crianças mais velhas, outros que eu sei que só vão funcionar em outra época da vida do Francisco – ou seja, ainda serão dele, já estão na sua pequena biblioteca, mas por enquanto são meus e pronto.

Esse aqui é um deles: chama-se ‘Saudade – um conto para sete dias’, e é um dos que eu mais gosto. Volta e meia estou namorando o livro ou monstrando-o para alguém (faço muito disso). Vi em algum lugar que a Companhia das Letras estava lançando essa semana a edição brasileira e lembrei de falar dele pra vocês. A minha cópia é portuguesa, da Editora Bags of Books, de 2011 – comprei na Navegadores há alguns meses.

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O livro é originalmente em espanhol, e chama-se Saudade: Un Cuento para Siete Dias. Na história, um rei muito sábio, habitante de um país muito distante, lança um desafio todas as segundas-feiras: pode qualquer um perguntar qualquer coisa a ele – ele garante que saberá a resposta. Isso até uma segunda-feira em que um tal Fernando (‘com o seu fatinho, a sua gravatinha, os seus bigodinhos e os seus óculos pequeninos’ – o próprio Pessoa) chega com uma pergunta para a qual, surpreendentemente, o rei não encontra resposta imediata: Fernando queria saber o que é ‘saudade’.

O rei, desesperado, pede seis dias a Fernando. Precisa pesquisar o que é saudade. Procura a palavra em dicionários, consulta assessores, passa o dia fora – até que pega um resfriado e volta confundindo saudade com febre. Certo da resposta, corre por todo o reino atrás de Fernando:

“A saudade é a febre! determinou o rei com segurança.

Não, disse Fernando em bom português. Às vezes quando se tem saudade, podemos ter febre, mas a saudade não é a febre.”

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A verdade é que Fernando sabe bem a resposta, mas quer que o rei descubra por si só. Então o rei pede ajuda à sua esposa – que mais uma vez vai atrás do poeta em busca da resposta, é a única saída:

“A Rainha saiu do Palácio à procura do tal homenzinho. Se ele sabia a resposta para a pergunta que ele mesmo fizera, tinha de ajudá-la.

Foi encontrá-lo num café, escrevendo enquanto falava sozinho: ‘todas as cartas de amor são ridículas’. A Rainha observava-o de longe e surpreendeu-se quando Fernando se levantou e respondeu a si mesmo, sentado noutra cadeira: ‘tenho em mim todos os sonhos do mundo!’.

 

Ah, sem spoilers dessa vez. Não vou contar o final exatamente – mas saibam que Fernando dá o caminho para que o Rei descubra o que é a saudade, e o nobre finalmente conhece a resposta.

O mais legal é que a história toda é contada em sete partes, cada uma para um dia da semana. Dá pra ler assim, separadinho – ou de uma vez só mesmo (que eu duvide que alguém aguente esperar). O próprio autor, Claudio Hochman, conta no verso do livro que quando seu filho foi acampar pela primeira vez, ele escreveu esse conto e colocou dentro da mochila do garoto. Mas colocou cada capítulo em um envelope, para que seu filho lesse um a cada dia da semana. A brincadeira deu nesse livro lindo. Lindo mesmo, não só na história como em todo o resto: as ilustrações de João Vaz de Carvalho também são demais (vale ver o site dele, aliás).

Tá aí – é um livro bacana demais para crianças (a indicação etária da editora é de 6 a 9 anos) e também para adultos, oras. Já pensei em dar de presente pra algumas pessoas, e agora que tem a edição brasileira ficou mais fácil. Ah, o lançamento sai por 33 reais no site da editora (e 23 reais no site da Fnac – não adianta, sempre vale pesquisar). Imperdível.