oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 7 anos, e vinícius, de 1 ano. seja bem-vindo! Leia mais



1 ago 2013

A gigantesca pequena coisa

Escrito por
Livros

Tá vendo por que eu não posso entrar na Navegadores? Porque eu não consigo sair de lá sem pelo menos um livro embaixo do braço. Se eu for com o Francisco, então, pior ainda. Ontem aproveitei que ele estava na escola (ai, a felicidade da volta às aulas!) e fui dar uma volta por lá, levar alguns marcadores de texto que fiz do blog. Foi só entrar na livraria e dez minutos depois estava eu sentada com uma pilha de livros infantis para conhecer (e babar).

GIG2

Saí só com um, mas saí com um escolhido a dedo. Folheei vários quando estava lá, mas esse me chamou a atenção logo de cara. Grande, formato A2, com capa dura, ilustrações lindas e adivinha, português. Não adianta, eu tenho mesmo uma loucura pelos livros infantis portugueses, já falei de diversos aqui no blog. Gosto da forma como são editados, da qualidade impecável, das ilustrações, das histórias – absolutamente tudo.

Esse aqui é uma verdadeira obra de arte, sem brincadeira. Coisa linda. Chama-se ‘A Gigantesca Pequena Coisa’ (é originalmente em francês, La Gigantesque Petite Chose), e tanto o texto quanto as ilustrações são da artista italiana Beatrice Alemagna. O livro fala sobre a existência dessa tal gigantesca pequena coisa de um jeito muito delicado, bem poético. Um mistério até o final. Selecionei três dos meus trechos/desenhos preferidos pra mostrar pra vocês:

“A senhora do crocodilo ficou à porta, a esperar por ela, durante longos meses. Nunca viu chegar nada. Há pessoas que não sabem reconhecê-la.”

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“Um dia, como por brincadeira, ela escondeu-se numa lágrima e encheu um homem de nostalgia.”

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“As pessoas encontram-na nos cheiros, nos olhares. Nos braços dos outros.”

GIG1

No final, trata-se da felicidade. A coisa toda de ela estar quase sempre à nossa frente (muitas vezes sem a percebermos), a tal busca constante. Tão bonito! É lógico que é um livro para crianças um pouco maiores (e para adultos, por que não?). Permite mil diálogos e reflexões.

Mas ainda assim, li nessas duas últimas noites com o Francisco – do nosso jeito, mostrando e conversando sobre os detalhes das ilustrações, perguntando o que seria a tal gigantesca pequena coisa. No início, ele não deu muita bola para o livro – quando tirei da sacola nem quis folhear. Mas foi só eu começar a ler a história que ele se aconchegou do meu lado e ouviu atento. Ontem pediu que eu lesse novamente, e hoje de manhã também – surgiu na sala meio desastrado, carregando o livro grandão pro meu colo. Já entrou pra lista dos preferidos!

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Livro: A Gigantesca Pequena Coisa

Texto e ilustração: Beatrice Alemagna

Editora: Bag of Books (Portugal)

 


1 jul 2013

Todos fazemos tudo

Escrito por
Livros

Esse é daqueles livros do Francisco que eu amo de paixão, junto com ele: não tem texto algum, só imagens, incríveis, coloridas – e trata, principalmente, de um assunto muito legal: a igualdade de gênero, raça e cor, tudo através de muita interatividade.

"Todos Fazemos Tudo"

“Todos Fazemos Tudo”

O livro é assim: as páginas são todas divididas em duas – na parte de cima, a gente escolhe a pessoa: pode ser homem, mulher, negro, negra, loiro, loira, ruivo, ruiva, pode usar óculos ou ser careca. Na parte de baixo, a atividade: costurando, tocando guitarra, regando o jardim, dirigindo um trator, cozinhando, andando de snowboard – fazendo as coisas mais variadas. Aí é só brincar e montar as mais diversas situações. É um jeito bem divertido de conversar com a criançada sobre igualdade, tanto com os mais pequenos como com os maiorzinhos.

O livro é de autoria da portuguesa Madalena Matoso, uma das quatro criadoras do Planeta Tangerina, As ilustrações são incríveis, coloridas, cheias de detalhes e brincadeira. Infelizmente não há edição no Brasil ainda – mas a boa notícia é a editora entrega também no Brasil. Vale dar uma olhadinha no site e ver quanta belezura tem por lá. 🙂

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TODOS FAZEMOS TUDO

Autoria/Ilustração: Madalena Matoso

Edição: Planeta Tangerina (Portugal)

 


22 maio 2013

A Mãe que Chovia

Escrito por
Livros

Conheci a obra do José Luís Peixoto há poucos anos, através de uma amiga. Me apaixonei quase que instantaneamente, seus livros são lindos demais. Português, cheio de emoção, li Cemitério de Pianos e Nenhum Olhar, dois daqueles livros que entraram pros meus preferidos da vida. São livros pesados, daqueles que te fazem mergulhar nos personagens, mesmo sem querer.

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Em abril do ano passado Peixoto lançou seu primeiro livro infantil, “A Mãe que Chovia”. O lançamento foi grande em Portugal, o escritor anda em destaque por lá. Tive sorte, eu estava em Lisboa bem na época, e trouxe uma cópia para mim e para o Francisco. Li pela primeira vez lá mesmo, logo depois de comprá-lo, sentada em um cantinho do Chiado (ui, que chique!). Morri de chorar. PENSA: longe do Francisco e morrendo de saudade, lendo um livro sobre maternidade e ausência. Não tinha outro jeito.

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O livro trata do assunto de um jeito lindo. É a história de um menino que é filho da chuva. Os dois têm uma linda relação, mas todos os anos a mãe tem que partir, chover em outos lugares do mundo:

“A mãe explicava-lhe que, no mundo inteiro, só ela é que sabia chover.

Era por isso que viajava tanto.

No verão, tinha de ir chover em países distantes

Longe, sentia saudades do filho e algumas das gotas que chovia eram lágrimas.

O rapaz também ficava triste. Sentia muita falta da mãe.

Angustiado pela ausência dela, e crescendo, já adolescente, ele começa a se afastar da mãe. Um dia diz que já não acredita nela. A mãe fica triste demais, e nessa noite ela neva. O menino então pede à mãe que fique. Ela fica, mas o verão queixa-se ao vento e pede que ele a mande embora. Ela vai – quando volta, não encontra mais o filho. Ah, eu não vou contar o fim, vai. É spoiler demais da minha parte.

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Mas me sinto obrigada a compartilhar um trechinho do final, na voz do filho:

“Mesmo quando estou onde não podes estar, mesmo quandoe estás onde não posso estar, sabemos bem o tamanho dessa certeza que nos une. Eu tenho a certeza de ti, tu tens a certeza de mim. Amor, essa palavra. Mãe, choves essa palavra dentro de mim. Agradeço o milagre que me deste, me dás e que permanece sempre comigo. (…) Agradeço-te com amor, tenho orgulho de ti com amor, sou feito de ti com amor. És minha mãe inteira e sou seu filho inteiro.”

Arrepiou?

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Enfim, é um livro que trata de um assunto complicado, com uma linguagem bem densa. É cheio de poesia, coisa linda. Também têm ilustrações lindas, de Daniel Silvestre da Silva – mas são mais escuras, com poucas cores, quase tristes. Acompanham a história, que oras, é triste, mas não por isso menos bonita. É um livro pra crianças mais velhas e também para adultos. Mas não pensem que não leio a história para o Francisco não: volta e meia faço isso, mas leio do meu jeito. Conto a história mais do que leio, e ele gosta. Sabe que é o livro da mãe chuva. Mas admito: o livro mora mesmo é na minha cabeceira.

A minha cópia, como contei, comprei em Portugal. Custa na faixa de 15 euros por lá. Ainda não tem edição brasileira, só encomendando da terrinha mesmo.

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O José Luís Peixoto está aqui no Brasil, vejam só. Os lugares por onde vai passar estão no site dele. Estará falando sobre literatura portuguesa, e quem sabe fala d’A Mãe que Chovia. Uma pena que não vai passar por Curitiba!

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Livro: A Mãe Que Chovia

Texto: José Luís Peixoto

Ilustrações: Daniel Silvestre da Silva

Editora: Quetzal (Portugal)