oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 7 anos, e vinícius, de 1 ano. seja bem-vindo! Leia mais



6 maio 2015

Especial: 5 Livros Infantis para o Dias das Mães

Escrito por
Livros

Dia das mães tá aí, próximo domingo – então resolvi fazer um especial sobre o tema essa semana: escolhi cinco livros infantis bem diferentes que falam sobre as mães. Alguns, pra variar, eu peguei emprestado na Biblioteca Pública e li durante essa última semana com o Francisco. Outros são nossos – a lista ficou divertida, com livros bem diferentes e pra todos os gostos: tem pra emocionar, pra refletir, pra rir muito, pra rimar. Ah, e dessa vez tem vídeo também, lá no youtube:

1. MAMÃE ZANGADA

Esse foi daquelas surpresas boas – peguei o livro na biblioteca pública, e juro, estranhei um bocado o nome. Mas foi começar a ler o livro (e terminar logo em seguida, que a história é bem curtinha) e logo curti demais – o Francisco também! A história, na voz de um simpático pinguim, começa assim:

“Hoje de manhã mamãe gritou tanto

que eu me despedacei em pleno ar.”

E segue – cada pedacinho do pinguim vai parar em um canto: do universo ao fundo do mar, da selva às montanhas, até o bumbum dele não se salva e cai no meio da rua. Mas no final acaba tudo bem: a mamãe zangada recolhe os pedacinhos todos e costura-os um a um – e o livro termina com um pedido de desculpas. Uma metáfora delicada e divertida. Livro curto, pequenininho, mas nem por isso menos sensível. Escrito e ilustrado pela alemã Jutta Bauer, editado no Brasil pela Cosac-Naify.

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2. QUANDO  MAMÃE VIROU UM MONSTRO

Aqui também há uma transformação física – mas aqui, quem se transforma, é a mãe. E se transforma num monstro! Arrisco dizer que esse foi o livro preferido do Francisco – ele riu um bocado com a história. Em “Quando Mamãe Virou um Montro”, a mãe recebe um telefonema – vai receber visita dos sobrinhos à tarde para lanchar. Então ela começa a ajeitar a casa, preparar um bolo – e nada dos dois filhos ajudarem. Aliás, eles só apavoram – fazem uma bagunça terrível, brigam entre si, choram. Enquanto isso, a mãe vai se transformando: pedaços verdes e apavorantes começam surgir em em seu corpo. Tentáculos, dedos de bruxa, rabo – a criançada leva um susto! Mas também, coitada da mãe – juro que senti compaixão por ela! A sorte é que fica tudo bem – as crianças resolvem finalmente ajudar e a mãe vai voltando a ser mãe, ufa. O final é bem divertido, e as ilustrações também – tem jeitão de gibi, com tirinhas bem coloridas e desenhos com cara de quadrinho. Divertido demais! Da britânica Joanna Harrison, publicado no Brasil pela Brinque-Book.

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3. MINHA MÃE É UM PROBLEMA

Os amantes das bruxas Onildas, bruxinhas atrapalhadas (eu!) e afins vão curtir esse livro, certeza. Eu curti bastante, o Francisco achou bem engraçado: o problema do garotinho da história é ter essa mãe feiticeira, de chapéu pontudo e vassoura. Os pais dos outros alunos – e os próprios alunos – vivendo olhando feio pra ele. Mas a mãe bruxa acaba conquistando todo mundo: a criançada se diverte com os doces cheios de bichos (eca) que ela faz e os pais a agradecem quando ela faz um feitiço para fazer chover na escola em um incêndio. Pois é, pais difíceis de conquistar esses, mas tudo termina bem. Historinha e ilustrações bem engraçadas e divertidas! Esse é um livro mais antigo – foi publicado pela primeira vez em 1986, e já teve algumas edições por aqui. Por isso dá pra encontrar fácil em sebos – na Estante Virtual tem a partir de 7 reais. Escrito e ilustrado por Babette Cole, uma das autoras infantis mais conhecidas e tradicionais da Inglaterra, foi editado no Brasil pela Companhia das Letrinhas.

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4. CORAÇÃO DE MÃE

Tá aí um livro pra emocionar todas as mães e avós do planeta terra, sem brincadeira. Eu dei uma choradinha na primeira vez que li, tão bonito é. Nele, a portuguesa Isabel Minhós Martins conta que cada coração de mãe é ligado pelo coração do filho por um fino fiozinho, e é por isso que sempre que alguma coisa acontece com o filho, a mãe sente fundo, dentro do próprio coração. Um trechinho, aquele ali que eu li no vídeo:

“Quando não compreende os filhos, o coração de mãe é como um novelo embaraçado.

No coração de mãe passa uma nuvem escura sempre que um filho é mal-educado.”

Tem rima, fluência, um monte de surpresa, é gostoso demais de ler – e também tem as ilustrações mais bonitas! A nossa cópia eu trouxe de Portugal, é da Planeta Tangerina (que tem um livro mais sensacional que o outro, gente!) – mas a boa notícia é que tem edição por aqui, yay! Saiu pela editora Alaúde, pelo selo Tordesilhinhas – um presente lindo para mãe e filho!

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5. A MÃE QUE CHOVIA

Eu deixo por último esse porque é meu livro do coração, com licença – eu já até falei dele por aqui há dois anos, assim que comprei nossa cópia, lá em Lisboa. É o primeiro livro infantil de um dos escritores que eu mais gosto, o José Luís Peixoto – e é um livro que já me emocionou um bocado! Ô história bonita. Pra vocês terem uma ideia, eu gosto tanto desse livro, que quando voltei pra Portugal, trouxe várias outras cópias para presentear mãe, psicanalista, amigas – porque é lindo assim, e infelizmente, ainda não tem edição aqui no Brasil. O livro conta a história de um menino que é filho da chuva – fala sobre ausência, sobre tristeza. Mas também fala sobre reencontro, felicidade, sobre mãe e filho, sobre natureza. Um dos trechinhos que mais me emociona, pra vocês verem o quão linda é a história:

“Mas esse rapaz esperto, composto por boa disposição e com a idade de mais ou menos, não precisava que lhe dissessem que era a sua mãe. Ele conhecia-a melhor do que os assuntos que conhecia mesmo bem. Juntos, trocavam tardes de domingo, descanso, beijinhos e coisas mornas de mãe e filho. Enchiam a barriga de brincadeiragem. ”

Daqueles livros que são mais nossos que dos filhos (desculpa aí, Francisco!), daqueles pra serem lidos, relidos, abraçados. Da editora portuguesa Quetzal, lançado recentemente no Brasil pela Companhia das Letras.

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22 maio 2013

A Mãe que Chovia

Escrito por
Livros

Conheci a obra do José Luís Peixoto há poucos anos, através de uma amiga. Me apaixonei quase que instantaneamente, seus livros são lindos demais. Português, cheio de emoção, li Cemitério de Pianos e Nenhum Olhar, dois daqueles livros que entraram pros meus preferidos da vida. São livros pesados, daqueles que te fazem mergulhar nos personagens, mesmo sem querer.

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Em abril do ano passado Peixoto lançou seu primeiro livro infantil, “A Mãe que Chovia”. O lançamento foi grande em Portugal, o escritor anda em destaque por lá. Tive sorte, eu estava em Lisboa bem na época, e trouxe uma cópia para mim e para o Francisco. Li pela primeira vez lá mesmo, logo depois de comprá-lo, sentada em um cantinho do Chiado (ui, que chique!). Morri de chorar. PENSA: longe do Francisco e morrendo de saudade, lendo um livro sobre maternidade e ausência. Não tinha outro jeito.

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O livro trata do assunto de um jeito lindo. É a história de um menino que é filho da chuva. Os dois têm uma linda relação, mas todos os anos a mãe tem que partir, chover em outos lugares do mundo:

“A mãe explicava-lhe que, no mundo inteiro, só ela é que sabia chover.

Era por isso que viajava tanto.

No verão, tinha de ir chover em países distantes

Longe, sentia saudades do filho e algumas das gotas que chovia eram lágrimas.

O rapaz também ficava triste. Sentia muita falta da mãe.

Angustiado pela ausência dela, e crescendo, já adolescente, ele começa a se afastar da mãe. Um dia diz que já não acredita nela. A mãe fica triste demais, e nessa noite ela neva. O menino então pede à mãe que fique. Ela fica, mas o verão queixa-se ao vento e pede que ele a mande embora. Ela vai – quando volta, não encontra mais o filho. Ah, eu não vou contar o fim, vai. É spoiler demais da minha parte.

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Mas me sinto obrigada a compartilhar um trechinho do final, na voz do filho:

“Mesmo quando estou onde não podes estar, mesmo quandoe estás onde não posso estar, sabemos bem o tamanho dessa certeza que nos une. Eu tenho a certeza de ti, tu tens a certeza de mim. Amor, essa palavra. Mãe, choves essa palavra dentro de mim. Agradeço o milagre que me deste, me dás e que permanece sempre comigo. (…) Agradeço-te com amor, tenho orgulho de ti com amor, sou feito de ti com amor. És minha mãe inteira e sou seu filho inteiro.”

Arrepiou?

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Enfim, é um livro que trata de um assunto complicado, com uma linguagem bem densa. É cheio de poesia, coisa linda. Também têm ilustrações lindas, de Daniel Silvestre da Silva – mas são mais escuras, com poucas cores, quase tristes. Acompanham a história, que oras, é triste, mas não por isso menos bonita. É um livro pra crianças mais velhas e também para adultos. Mas não pensem que não leio a história para o Francisco não: volta e meia faço isso, mas leio do meu jeito. Conto a história mais do que leio, e ele gosta. Sabe que é o livro da mãe chuva. Mas admito: o livro mora mesmo é na minha cabeceira.

A minha cópia, como contei, comprei em Portugal. Custa na faixa de 15 euros por lá. Ainda não tem edição brasileira, só encomendando da terrinha mesmo.

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O José Luís Peixoto está aqui no Brasil, vejam só. Os lugares por onde vai passar estão no site dele. Estará falando sobre literatura portuguesa, e quem sabe fala d’A Mãe que Chovia. Uma pena que não vai passar por Curitiba!

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Livro: A Mãe Que Chovia

Texto: José Luís Peixoto

Ilustrações: Daniel Silvestre da Silva

Editora: Quetzal (Portugal)