oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 7 anos, e vinícius, de 1 ano. seja bem-vindo! Leia mais



24 jun 2015

7 livros para conversar sobre a morte e outros assuntos difíceis

Escrito por
Destaques, Listas de Livros, Livros, Para Conversar Sobre a Morte, Para Refletir

Uma das coisas que descobri desde que me apaixonei junto com o Francisco pela boa literatura infantil é que ela tem um poder especial: consegue deixar mais leve os assuntos mais difíceis. A morte é um deles – já falei algumas vezes sobre livros que muito ajudaram a abordar e procurar entender esse assunto por aqui. Aqui, sete livros mais do que especiais, que aqui em casa renderam leituras e conversas:

1. HARVEY – COMO ME TORNEI INVISÍVEL 

Já fiz um textão longo sobre o Harvey aqui, na primeira vez que li o livro – foi uma supresa enorme, não imaginava o que me esperava ali dentro. Esse é um livro pra crianças mais velhas, acima de 9 anos, pela indicação da editora – mas é um livro pra emocionar muito adulto também. Na história, o menino Harvey e o irmão Cantin perdem o pai. Chegam em casa depois de brincar e deparam-se com a ambulância levando o corpo, a mãe as prantos – e então Harvey (o livro é na voz dele) tem que lidar com a ausência do pai. Entrar em casa, encarar o ambiente vazio (Harvey, entre outras coisas, não entende como o carro do pai ainda está na garagem se ele não está lá), a solidão da primeira noite. Harvey vai se sentindo pequeno sem o pai, se tornando invisível. As ilustrações acompanham a história lindamente – e ao folhear o pequeno livro, a sensação é de estar acompanhando um filme. Emocionante, triste, bonito demais. Da editora Pulo do Gato.

harvey01

harvey02

2. A PRECIOSA PERGUNTA DA PATA

Esse livro me foi indicado quando falei aqui pela primeira vez sobre o assunto, a morte – e foi um dos mais bacanas que li com o Francisco. É um livro bacana de ler com os mais pequenos (no site da editora a indicação é a partir de 1 ano) – na primeira vez que lemos, o Francisco acompanhou atento, fez várias perguntas e terminou com um sorriso. Lemos algumas noites seguidas, a pedido dele, e conversamos sobre o que será que acontece quando morremos (o Francisco jura que o vovô virou passarinho, e que já cruzou com ele na escola). É essa a tal pergunta da pata: ela acaba de perder um filhotinho, e comparece a uma reunião onde os bichos debatem assuntos difíceis querendo saber isso, para onde vamos quando não estamos mais aqui. Cada um dá sua resposta, conforme o que imagina – o rio vai virar mar, o sol não vai sentir mais tanto calor, o rato voltará enorme como um elefante. Apesar do assunto difícil, o livro é leve, fácil de ler. Escrito pela belga Leen van den Berg. Nossa cópia emprestamos da Biblioteca Pública – devolvi o livro com um aperto no coração, admito! Da Brinque-Book.

pata01

pata02

3. O PATO, A MORTE E A TULIPA

Outro livro que já passou por aqui antes – e esse faço questão de trazer de volta, porque foi um dos livros mais importantes que já passaram pelas nossas mãos. Também, assim como o livro aqui em cima, fez a gente conversar um bocado. Um dia o pato percebe que há uma senhora caveira andando junto dele  – já fazia tempo que ele não se sentia muito bem, e ele resolve perguntar o que ela faz por ali. Ela então responde que é a morte – e diz que anda por perto, na verdade, desde que ele nasceu, mas que agora é hora de levá-lo. O pato fica inconformado, não quer ir embora – e a morte, com muita calma e paciência, vai o acompanhando e respondendo suas perguntas. Os dois se tornam amigos próximos – chegam a dormir abraçados, o pato aconchegado à morte. Até que ele não acorda – e aí, o final, me emociona sempre: a morte deita o pato sobre o rio e dá um leve empurrãozinho. Por pouco não fica triste – mas pensa: assim é a vida. Escrito e ilustrado por Wolf Erlbruch, publicado no Brasil pela Cosac-Naify.

tulipa01

tulipa02

4. A GRANDE QUESTÃO

Esse é outro livro de Wolf Erlbruch, o autor e ilustrador do livro aí em cima, O Pato, A Morte e a Tulipa – e vou contar, é muito difícil não não se encantar pelas obras do alemão! Aqui, a grande questão é a pergunta: afinal, por que estou aqui? A cada página dupla, um personagem diferente responde. O gato tem sua resposta, o soldado, o coelho – e também o pato e a morte, ali, do livro anterior. Algumas são cômicas, outras emocionam, todas são criativas demais e acompanham uma ilustração divertida. O comilão diz: “você está aqui para comer bem, aí está o porquê.”; a pedra: “você está aqui para confiar”; a morte: “você está aqui para amar a vida”. Tão bonito! Também da Cosac-Naify.

grandequestao01

grandequestao02

5. FICO À ESPERA

Foi o pessoal da Biblioteca Pública quem me indicou esse livro, e emprestamos também ele de lá – eu conhecia o Davide Cali do livro “O que é o Amor?” e do “Um Dia um Guarda-Chuva”, ambos portugueses. Que livro diferente! Primeiro, o formato: tem a forma de um envelope, retangular – deixa logo a gente curioso. Dentro dele ilustrações delicadas e um fio de lã vermelho, que percorre o livro todo e acompanha a vida de um garoto: sua infância, adolescência, fase adulta e velhice. Cada momento, uma espera: ele está à espera e crescer, do beijinho de dormir, da partida do trem, da guerra, do nascimento do filho. Uma leitura deliciosa. Ilustrado pro Serge Bloch, publicado pela Cosac-Naify.

espera01

6. EU ME PERGUNTO…

Se o livro “A Grande Questão” traz as respostas mais divertidas, O “Eu me pergunto…” traz perguntas, e as mais difíceis perguntas – e cabe a nós conversar e procurar as respostas. O que é o tempo? Tudo que já aconteceu desaparece para sempre? Foi Deus quem criou os seres humanos? Ou fomos nós que criamos esse Deus em nossas cabeças? – essas são algumas delas. Um convite a à filosofia, para ler com crianças mais velhas. Escrito pelo norueguês Jostein Gaarder, o mesmo autor de um livro que muita gente curte demais: O Mundo de Sofia. Publicado pela Companhia das Letrinhas.

pergunto01

pergunto02

7. O ANJO-DA-GUARDA DO VOVÔ

Arrisco dizer que esse é preferido do Francisco, aqui dessa lista – especialmente porque ele se reconheceu na história do garotinho do livro, que ouve atento histórias do vovô, deitado na cama do hospital. As ilustrações e o texto se complementam, e está nos desenhos um detalhe precioso: o avô vai contando do que já fez durante a vida, das coisas que aprontou, do que passou. Mas em cada situação de perigo pela qual ele passa, um anjo o acompanha, zelando pela sua vida: segura um ônibus que quase o atropela, ajuda ele a carregar peso, afasta nuvens chuvosas, até faz papel de cupido. No final, o vovô fecha os olhos – e seu anjo agora segue acompanhando o netinho, sem que ele perceba. É de encher os olhos de lágrimas a cada leitura, encher o coração de saudade, mas também de conforto. Mais um livro lindo e tocante da alemã Jutta Bauer, a mesma autora e ilustradora do Mamãe Zangada. Publicado pela Cosac-Naify

anjo01

anjo02

***


6 maio 2015

Especial: 5 Livros Infantis para o Dias das Mães

Escrito por
Livros

Dia das mães tá aí, próximo domingo – então resolvi fazer um especial sobre o tema essa semana: escolhi cinco livros infantis bem diferentes que falam sobre as mães. Alguns, pra variar, eu peguei emprestado na Biblioteca Pública e li durante essa última semana com o Francisco. Outros são nossos – a lista ficou divertida, com livros bem diferentes e pra todos os gostos: tem pra emocionar, pra refletir, pra rir muito, pra rimar. Ah, e dessa vez tem vídeo também, lá no youtube:

1. MAMÃE ZANGADA

Esse foi daquelas surpresas boas – peguei o livro na biblioteca pública, e juro, estranhei um bocado o nome. Mas foi começar a ler o livro (e terminar logo em seguida, que a história é bem curtinha) e logo curti demais – o Francisco também! A história, na voz de um simpático pinguim, começa assim:

“Hoje de manhã mamãe gritou tanto

que eu me despedacei em pleno ar.”

E segue – cada pedacinho do pinguim vai parar em um canto: do universo ao fundo do mar, da selva às montanhas, até o bumbum dele não se salva e cai no meio da rua. Mas no final acaba tudo bem: a mamãe zangada recolhe os pedacinhos todos e costura-os um a um – e o livro termina com um pedido de desculpas. Uma metáfora delicada e divertida. Livro curto, pequenininho, mas nem por isso menos sensível. Escrito e ilustrado pela alemã Jutta Bauer, editado no Brasil pela Cosac-Naify.

mamaezangada

mamaezangada2

2. QUANDO  MAMÃE VIROU UM MONSTRO

Aqui também há uma transformação física – mas aqui, quem se transforma, é a mãe. E se transforma num monstro! Arrisco dizer que esse foi o livro preferido do Francisco – ele riu um bocado com a história. Em “Quando Mamãe Virou um Montro”, a mãe recebe um telefonema – vai receber visita dos sobrinhos à tarde para lanchar. Então ela começa a ajeitar a casa, preparar um bolo – e nada dos dois filhos ajudarem. Aliás, eles só apavoram – fazem uma bagunça terrível, brigam entre si, choram. Enquanto isso, a mãe vai se transformando: pedaços verdes e apavorantes começam surgir em em seu corpo. Tentáculos, dedos de bruxa, rabo – a criançada leva um susto! Mas também, coitada da mãe – juro que senti compaixão por ela! A sorte é que fica tudo bem – as crianças resolvem finalmente ajudar e a mãe vai voltando a ser mãe, ufa. O final é bem divertido, e as ilustrações também – tem jeitão de gibi, com tirinhas bem coloridas e desenhos com cara de quadrinho. Divertido demais! Da britânica Joanna Harrison, publicado no Brasil pela Brinque-Book.

monstro

monstro2

3. MINHA MÃE É UM PROBLEMA

Os amantes das bruxas Onildas, bruxinhas atrapalhadas (eu!) e afins vão curtir esse livro, certeza. Eu curti bastante, o Francisco achou bem engraçado: o problema do garotinho da história é ter essa mãe feiticeira, de chapéu pontudo e vassoura. Os pais dos outros alunos – e os próprios alunos – vivendo olhando feio pra ele. Mas a mãe bruxa acaba conquistando todo mundo: a criançada se diverte com os doces cheios de bichos (eca) que ela faz e os pais a agradecem quando ela faz um feitiço para fazer chover na escola em um incêndio. Pois é, pais difíceis de conquistar esses, mas tudo termina bem. Historinha e ilustrações bem engraçadas e divertidas! Esse é um livro mais antigo – foi publicado pela primeira vez em 1986, e já teve algumas edições por aqui. Por isso dá pra encontrar fácil em sebos – na Estante Virtual tem a partir de 7 reais. Escrito e ilustrado por Babette Cole, uma das autoras infantis mais conhecidas e tradicionais da Inglaterra, foi editado no Brasil pela Companhia das Letrinhas.

problema

problema2

4. CORAÇÃO DE MÃE

Tá aí um livro pra emocionar todas as mães e avós do planeta terra, sem brincadeira. Eu dei uma choradinha na primeira vez que li, tão bonito é. Nele, a portuguesa Isabel Minhós Martins conta que cada coração de mãe é ligado pelo coração do filho por um fino fiozinho, e é por isso que sempre que alguma coisa acontece com o filho, a mãe sente fundo, dentro do próprio coração. Um trechinho, aquele ali que eu li no vídeo:

“Quando não compreende os filhos, o coração de mãe é como um novelo embaraçado.

No coração de mãe passa uma nuvem escura sempre que um filho é mal-educado.”

Tem rima, fluência, um monte de surpresa, é gostoso demais de ler – e também tem as ilustrações mais bonitas! A nossa cópia eu trouxe de Portugal, é da Planeta Tangerina (que tem um livro mais sensacional que o outro, gente!) – mas a boa notícia é que tem edição por aqui, yay! Saiu pela editora Alaúde, pelo selo Tordesilhinhas – um presente lindo para mãe e filho!

coração

coração2

5. A MÃE QUE CHOVIA

Eu deixo por último esse porque é meu livro do coração, com licença – eu já até falei dele por aqui há dois anos, assim que comprei nossa cópia, lá em Lisboa. É o primeiro livro infantil de um dos escritores que eu mais gosto, o José Luís Peixoto – e é um livro que já me emocionou um bocado! Ô história bonita. Pra vocês terem uma ideia, eu gosto tanto desse livro, que quando voltei pra Portugal, trouxe várias outras cópias para presentear mãe, psicanalista, amigas – porque é lindo assim, e infelizmente, ainda não tem edição aqui no Brasil. O livro conta a história de um menino que é filho da chuva – fala sobre ausência, sobre tristeza. Mas também fala sobre reencontro, felicidade, sobre mãe e filho, sobre natureza. Um dos trechinhos que mais me emociona, pra vocês verem o quão linda é a história:

“Mas esse rapaz esperto, composto por boa disposição e com a idade de mais ou menos, não precisava que lhe dissessem que era a sua mãe. Ele conhecia-a melhor do que os assuntos que conhecia mesmo bem. Juntos, trocavam tardes de domingo, descanso, beijinhos e coisas mornas de mãe e filho. Enchiam a barriga de brincadeiragem. ”

Daqueles livros que são mais nossos que dos filhos (desculpa aí, Francisco!), daqueles pra serem lidos, relidos, abraçados. Da editora portuguesa Quetzal, lançado recentemente no Brasil pela Companhia das Letras.

chovia

chovia2

***