oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 6 anos, e vinícius, ainda bebê. seja bem-vindo! Leia mais



14 maio 2014

A Bruxinha Trapalhada e Traquinagens e Estripulias

Escrito por
Livros

Sempre curti bruxinhas, desde pequena. Tinha a Bruxa Onilda, que eu amava. E tinham as bruxas da Eva Furnari também. Esses dias fui atrás da Bruxinha Atrapalhada para o Francisco – achei esse e o Traquinagens e Estripulias, outro de Eva Furnari, também lá do meu tempo. Os dois têm sido nossa leitura dos últimos dias.

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Ambos são livros sem palavras – apenas o título e quadrinhos. Aí tem a minha leitura, tem a leitura do Francisco, tem a nossa leitura junto – cada vez de um jeito diferente. É o que os livros só de imagens permitem – ler e reler de diversas formas. Livros sem palavras não são só livros para as crianças que ainda não lêem não – longe disso, são formas de incentivar e estimular a imaginação. Esses livros são a marca registrada de Eva Furnari – foi ela quem começou o estilo no Brasil, há mais de 30 anos. Hoje tem dezenas de livros publicados, muitos inclusive com palavras – mas as tirinhas só com desenhos são seu marco.

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No primeiro livro é A Bruxinha Atrapalhada a estrela. Desastrada e muito engraçada, a bruxinha vive aprontando algumas – do tipo fazer um sapo virar patins pulantes ou dar vida a abóboras. Algumas das suas estripulias são historinhas curtas, outras mais longas. Mas todas sempre cheias de bagunça  e aventura. O livro é um clássico da literatura infantil brasiliera – já tem mais de 30 anos e está na sua vigésima quarta edição. Em 1982 foi considerado o melhor livro sem texto pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

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No segundo livro são as aventuras de uma família – gosto especialmente da forma como Eva Furnari usa as cores nesse livro. Quer dizer, a cor: aqui nesse livro é o vermelho, na Bruxinha Atrapalhada, o azul. Tudo preto e branco e pá, uma cor diferente fazendo toda a diferença. No Traquinagens e Estripulias o vermelho está num cobertor, num lençol que vira cortina de teatro, numa lata de tinta que termina espalhada em cima de todos. E nesse livro também: é muita bagunça em todas as histórias, muita imaginação. Dá pra criar e recriar sem parar.

Os dois livros são fáceis de encontrar, e o preço varia bastante – mas a dica é comprar em sebo: na Estante Virtual cada um sai na faixa de 10 reais.  🙂


21 out 2013

o sapato que miava

Escrito por
Livros

Ai os livros da minha infância! Fico tão, mas tão feliz de reler com o Francisco – e ó, tenho que agradecer minha querida mamãe que se deu ao trabalho de guardar tudo bonitinho e me entregar assim, anos depois (ninguém precisa saber quanto). Esses dias tive uma bela surpresa: minha mãe me entregou uma caixinha com mais alguns dos meus preferidos, lá daquele tempo. Uma caixinha que apareceu na mudança.

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A primeira coisa que eu fiz quando recebi o presente foi buscar no meio da pilha por um livro específico: O Sapato que Miava. E atenção pra emoção, estava lá, minha gente. Fiquei tão feliz. Não sabia que esse estava guardado, e por coincidência andei procurando ele por aí recentemente, para comprar para reler com o Francisco. É um livro que volta e meia me volta à memória, é até engraçado. Mas nada, não achava – na verdade, há uma nova edição dele, com nova ilustração – mas eu queria aquele antigo, que eu me lembrava quase que exclusivamente pelos desenhos. Me lembrava da senhorinha negra, gorducha, óculos e saia xadrez, sentada em sua cadeira balanço, e do seu gato gordo e cor-de-rosa.

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O livro é de Sylvia Orthof, um dos grandes nomes da literatura infantil brasileira. Faleceu em 1997, mas deixou mais de 120 livros escritos – muitos ilustrados por Tato, seu marido – como essa minha edição antiguinha aí.

A historinha do gato Deodato que morava dentro do sapato é engraçada e até, vai, um pouquinho cruel. Fugindo do barulho da torneira que pinga sem parar, o gato entra dentro do sapato – sua dona não percebe e sai por aí, passeando com o sapato miando:

“Lá vai a Dona Velha,

calçando seu velho sapato,

com o chulé encolhido,

mancando por causa do gato…

que não saiu do sapato!

Lá vai a velha pra feira,

cada passo é um miado,

pois o gato Deodato,

no sapato apertado,

miava a cada passo:

– Miau! Miau! Miau! Miau!”

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Dona Velha anda pela cidade toda, vai à feira, passa por estrada, rio e ponte, e Deodato miando. Até que um cachorro, o Fedelho (juro que é esse o nome) ouve o miado e sai correndo atrás dele – levando com ele seu dono, um velhinho simpático. A história termina lindamente, com namoro e casamento: Dona Velha e o senhorzinho juntos, sentadinhos, e cachorro e gato nos respectivos sapatos.

Vai, mais um trechinho que eu não me aguento:

“Depois o velho casal

foi morar na casa velha.

O gato mia no sapato…

e cachorro Fedelho agora late um au, au,

quando o seu querido velho

calça o seu velho chinelo.

Pois o cachorro, encolhido,

aprendeu, foi com o gato:

O cachorro no chinelo.

O gato, lá no sapato.

Cada qual em sua cama.

Quando o velho vai e calça,

no velho pé, seu chinelo,

aperta dentro o Fedelho.

– Au, au! – late o pé do velho.

O cachorro no chinelo,

e o gato no sapato.

E a velha com seu velho,

eu juro, foi assim, de fato!”

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Tá aí, deve ter sido uma das minhas primeiras histórias de amor – e é a primeira do Francisco. Tão bonitinha! A edição mais fácil de achar hoje é essa aqui, com ilustrações de Ivan Zigg. Também parece bem bacana. Não parece disponível em muitas livrarias, mas vale dar uma pesquisada, especialmente em sebos por aí.