oi! meu nome é daisy e aqui eu compartilho minhas aventuras literárias (e mais), com meus filhos francisco, de 7 anos, e vinícius, de 1 ano. seja bem-vindo! Leia mais



21 out 2013

o sapato que miava

Escrito por
Livros

Ai os livros da minha infância! Fico tão, mas tão feliz de reler com o Francisco – e ó, tenho que agradecer minha querida mamãe que se deu ao trabalho de guardar tudo bonitinho e me entregar assim, anos depois (ninguém precisa saber quanto). Esses dias tive uma bela surpresa: minha mãe me entregou uma caixinha com mais alguns dos meus preferidos, lá daquele tempo. Uma caixinha que apareceu na mudança.

IMG_7432MODIF

A primeira coisa que eu fiz quando recebi o presente foi buscar no meio da pilha por um livro específico: O Sapato que Miava. E atenção pra emoção, estava lá, minha gente. Fiquei tão feliz. Não sabia que esse estava guardado, e por coincidência andei procurando ele por aí recentemente, para comprar para reler com o Francisco. É um livro que volta e meia me volta à memória, é até engraçado. Mas nada, não achava – na verdade, há uma nova edição dele, com nova ilustração – mas eu queria aquele antigo, que eu me lembrava quase que exclusivamente pelos desenhos. Me lembrava da senhorinha negra, gorducha, óculos e saia xadrez, sentada em sua cadeira balanço, e do seu gato gordo e cor-de-rosa.

IMG_7433MODIF

O livro é de Sylvia Orthof, um dos grandes nomes da literatura infantil brasileira. Faleceu em 1997, mas deixou mais de 120 livros escritos – muitos ilustrados por Tato, seu marido – como essa minha edição antiguinha aí.

A historinha do gato Deodato que morava dentro do sapato é engraçada e até, vai, um pouquinho cruel. Fugindo do barulho da torneira que pinga sem parar, o gato entra dentro do sapato – sua dona não percebe e sai por aí, passeando com o sapato miando:

“Lá vai a Dona Velha,

calçando seu velho sapato,

com o chulé encolhido,

mancando por causa do gato…

que não saiu do sapato!

Lá vai a velha pra feira,

cada passo é um miado,

pois o gato Deodato,

no sapato apertado,

miava a cada passo:

– Miau! Miau! Miau! Miau!”

IMG_7442MODIF

Dona Velha anda pela cidade toda, vai à feira, passa por estrada, rio e ponte, e Deodato miando. Até que um cachorro, o Fedelho (juro que é esse o nome) ouve o miado e sai correndo atrás dele – levando com ele seu dono, um velhinho simpático. A história termina lindamente, com namoro e casamento: Dona Velha e o senhorzinho juntos, sentadinhos, e cachorro e gato nos respectivos sapatos.

Vai, mais um trechinho que eu não me aguento:

“Depois o velho casal

foi morar na casa velha.

O gato mia no sapato…

e cachorro Fedelho agora late um au, au,

quando o seu querido velho

calça o seu velho chinelo.

Pois o cachorro, encolhido,

aprendeu, foi com o gato:

O cachorro no chinelo.

O gato, lá no sapato.

Cada qual em sua cama.

Quando o velho vai e calça,

no velho pé, seu chinelo,

aperta dentro o Fedelho.

– Au, au! – late o pé do velho.

O cachorro no chinelo,

e o gato no sapato.

E a velha com seu velho,

eu juro, foi assim, de fato!”

IMG_7453MODIF

Tá aí, deve ter sido uma das minhas primeiras histórias de amor – e é a primeira do Francisco. Tão bonitinha! A edição mais fácil de achar hoje é essa aqui, com ilustrações de Ivan Zigg. Também parece bem bacana. Não parece disponível em muitas livrarias, mas vale dar uma pesquisada, especialmente em sebos por aí.


12 abr 2013

Lúcia Já-Vou-Indo

Escrito por
Livros

Tem os livros que são do Francisco, e de vez em quando ele me empresta um ou outro, e tem os livros que são meus, MUITO MEUS, e eu empresto pra ele. Lúcia-Já-Vou-Indo é um deles. Era um dos meus livros preferidos quando criança.

lucia-ja-vou-indo

nossa cópia está velhinha, mas cheia de amor!

Imaginem minha emoção quando, há alguns meses, encontrei esse livrinho escondido em um armário da casa de praia, abandonado. Um tanto quanto mal-tratado, velho e rabiscado, mas tava lá, e eu o resgatei e logo fui mostrar pro Francisco. Lembro que eu tinha uns 6, 7 anos quando amava esse livro – ele tem os textos um pouquinho mais longos, mas dá sim para ler para uma criança de 3 anos. As ilustrações são coloridonas, lindas, cheias de detalhes, e rendem conversa.

Sabem o mais engraçado? É a gente reparar o quanto essas histórias da nossa infância ficam mesmo na memória. Fui lendo o Lúcia Já-Vou-Indo para o Francisco e lembrando de tudo, absolutamente tudo, mesmo sem ter tocado no livro há mais de vinte anos. Até as ilustrações estavam frescas na memória, e foi uma delícia ver tudo aquilo de volta.

A história é muito bonitinha. No livro, Lúcia é uma lesminha muito da devagar:

“Lúcia Já-Vou-Indo não sabia andar depressa. De maneira nenhuma. Andava devagar, falava devagar, chorava e ria devagarinho e pensava mais devagar ainda. Muito natural, pois ela era uma lesma.”

o francisco diz que a lesma se parece comigo quando está de peruca. rs.

o francisco diz que a lesma se parece comigo quando está de peruca. rs.

 

Sempre convidada para festas, ela nunca chegava a tempo, vivia atrasada. Recebe um convite para a festa da libélula Chispa-Foguinho (adoro os nomes dos personagens) e, ainda faltando uma semana para o evento, ela se desdobra para dessa vez chegar a tempo.

“- Depressa, Lúcia, assim você não chega! – diziam de passagem.

E ela respondia mastigando devagarinho um brotinho de alface:

– Já vou indo, já vou indo… – e se esforçava, pensando que estava andando um bocadinho mais depressa.

Que engano! Quase não saía do lugar.”

Não adianta. Alguns imprevistos no caminho e mais uma vez ela chega tarde à festa.

A própria libélula Chispa-Foguinho, triste pela amiga, propõe organizar o próximo festerê na casa de Lúcia: assim ela não teria como se atrasar. Mas adivinha? Festa arrumada, comes e bebes, bandeirinhas, convidados chegando e nada de Lúcia Já-Vou-Indo. As libélulas então se organizam mais uma vez e trazem Lúcia voando, literalmente, em cima de uma folha de capim. E assim a história termina feliz:

“Foi assim que oh, maravilha! pela primeira vez na vida, Lúcia-Já-Vou-Indo assistiu a uma festa inteirinha, do começo ao fim.”

Apesar de já ter sido reeditado desde a minha época, é difícil de encontrar por aí. É um livro pra garimpar em sebos – na Estante Virtual tem até por 8 reais, vale dar uma olhada.

***

Livro: Lúcia Já-Vou-Indo

Autora e Ilustradora: Maria Luísa Penteado

Editora: Ática